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    <description>O Museu do Falso é um Museu de Território, composto exclusivamente por um acervo proveniente de criadores e agentes contemporâneos, cada trabalhando na sua área directa de especialidade e competência, subordinando as suas criações/contribuições à premissa e conceito de “Simulacro”: E se um determinado evento tivesse ocorrido de modo diverso ao que efectivamente se verificou?</description>
    <copyright>© 2025 Museu do Falso</copyright>
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    <itunes:subtitle>O Museu do Falso é um Museu de Território, composto exclusivamente por um acervo proveniente de criadores e agentes contemporâneos, cada trabalhando na sua área directa de especialidade e competência, subordinando as suas criações/contribuições à premissa e conceito de “Simulacro”: E se um determinado evento tivesse ocorrido de modo diverso ao que efectivamente se verificou?.</itunes:subtitle>
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      <title>Ferradura da pata traseira direita do pónei no qual Ibn Harrik (Afonso Henriques) tentou fugir para Marrocos</title>
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        <![CDATA[<p>Após a derrota na batalha de Badajoz, em 1169, que teve como consequência o fim da expansão do nascente Portugal para Leste, Afonso Henriques sofreu um traumatismo, caiu do seu cavalo e foi capturado por Fernando II de Leão (familiar que apesar de tudo pediu com jeitinho as praças “espanholas” entretanto na posse dos portugueses e a promessa de vassalagem futura). O que se encaminhava para ser uma expansão de Afonso e o seu amigo Geraldo “O Sem Pavor” (conquistador de Évora, entre outras façanhas militares), terminou com um Rei a prometer submeter-se ao primo e Geraldo a encaminhar-se para Marrocos, onde ficaria ao serviço dos Senhores que melhor lhe pagassem.</p><p>Afonso Henriques terá prometido a Fernando II que, assim que pudesse montar novamente a cavalo, iria prestar a devida homenagem e, então sim, afirmar e confirmar a vassalagem que lhe exigiam.</p><p>Em sequência e estando Afonso Henriques, conhecido entre os muçulmanos por Ibn Harrik, o “cão galego”, ou o “maldito de Alá” – entre outros mimos – a estanciar nas termas de São Pedro do Sul, para ultrapassar as mazelas, recebe continuadas mensagens de Geraldo, provindas de Marrocos, a incentivar a que Afonso se juntasse a ele, em termos que prometiam saque, glória e talvez umas tagines de frango ou carne de caça da melhor.</p><p>Conta-se que nunca mais foi visto Afonso Henriques a montar a cavalo e que terá sido transportado até ao final da sua vida por “liteira de homens”.</p><p>Não se deixou inicialmente convencer pelos apelos de Geraldo, mas farto das termas e da hidroginástica, foi de S. Pedro do Sul até Viseu, para matar saudades dos locais em que conversara com o seu amigo, confessor e conselheiro Teotónio (posteriormente S. Teotónio, o primeiro Santo português; e em vida o Prior da Sé de Viseu), num repente de mágua pelo passado, rouba Afonso um pónei – era astuto o Rei e a promessa era de não montar a cavalo! – e encaminha-se, pelos lados da Cava, orientado ao Caramulo, pensando depois dirigir-se a África para se juntar a Geraldo.</p><p>Ali para os lados de Vil-de-Moinhos, ao cruzar o Pavia, o pónei sucumbiu ao peso e tropeçou, abatendo Afonso com os costados na água, destruindo uma represa e fazendo com o pónei perdesse uma ferradura (após o que fugiu, o pobre animal, entre pragas). </p><p>Os populares – que passavam sem água à custa da represa e voltaram a tê-la – dirigiram-se ao local do acidente em alegre festa dando graças a S. João Batista. Reconheceram o Rei e perguntaram-lhe o que se passava e para onde ia ele. Terá respondido o Rei que estava a caminho de Marrocos, para visitar a sua tia, mas não Marrocos África, antes o lugar de Marrocos, em Molelos (ao lado de Tondela) e a poucos quilómetros de distância [afinal havia quem dissesse que tinha por ali familiares, na zona de Viseu].</p><p>Com este acontecimento, não só se criou o hábito de agradecer, em montaria, a S. João, no que são hoje as Cavalhadas de Vil-de-Moinhos, como se deu origem à música popular infantil “Fui visitar a minha Tia a Marrocos…”, de que há versão muito particular, no referido lugar e envolvente de Molelos.</p><p>Quanto a Geraldo, teve uma carta confiscada por aqueles para quem trabalhava e viu a sua vida abreviada. Afonso que montou um pónei, nunca chegou a ir prestar vassalagem a Fernando II e com trovões e coriscos regressou a pé ao morro da Sé, tendo deitado a ferradura do pónei a um poço que encontrou no caminho – e que agora se inclui no logradouro do n.º81 da Rua do Carmo, em Viseu.</p><p><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo029/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo029/</a></p>]]>
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      <title>Proto-Thesaurus Anchieta</title>
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      <title>Faixa Arco-Iros, de Rua ou Arquibancada</title>
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        <![CDATA[<p>“Antes de Viseu ser Viseu”, segundo Bernardo Moto (1865), ocorreu um efeito atmosférico e visual similar a um grande, duradouro e intenso Arco-Íris, de muito impacto para a população da região afectada: a região de Viseu, num sentido alargado. Este evento, levou a que, tendo sido encontrado um “tesouro”, se haja configurado a lenda do pote de ouro no fim do arco-íris associando-se essa potencial benesse com um ser de “pequenas dimensões e trejeitos algo malévolos”. Na circunstância de frequentes trocas comerciais entre a região em causa e a Irlanda, em particular no que respeitava a semente de batata, assumiu-se que seria o “Leprechaun” ou Duende dessas paragens.</p><p>A agitação causada quer pelo fenómeno atmosférico e pelo tesouro encontrado, motivou a criação de celebrações ocasionais que Teixeira Wallenstein (1921) classificou de “próximas a uma seita”, com alargadas romarias sem destino específico ou, mais frequentemente e até muito próximo dos dias de Hoje, a colocação, transporte ou oferta de motivos, pendões, e/ou faixas rememorativas do evento e suas singulares repercussões.</p><p>Em pleno século XX, aquando da construção do Cinema S. Mateus, o proprietário, bisneto de um ex-Grão-Mordomo da Faixa do Arco-Íris, diz-se ter insistido para que a decoração do dito imóvel contivesse essa ligação gráfica.</p><p>A faixa que se apresenta é um exemplar das mais típicas “faixas de rua ou arquibancada” utilizadas aquando das celebrações públicas. O último quartel do século XX levou a alguma mudança de paradigmas e socialmente a prática e a convicção a ela associada tinha sempre um cunho negativo por parte da população em geral, o que ocasionou – pensa-se – o seu desaparecimento ou clandestinidade plena, incluindo dos artefactos anteriormente utilizados.<br><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo014/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo014/</a></p>]]>
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      <title>Cartaz "Digressão Universal do Circus Vaccaensis"</title>
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      <itunes:title>Cartaz "Digressão Universal do Circus Vaccaensis"</itunes:title>
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        <![CDATA[<p>Um dos primeiros grandes nomes ligados às artes performativas em Viseu foi, não o de um indivíduo mas o de uma instituição: o Circus Vaccaensis. Fundado no último quartel do século XIX – em data imprecisa – o Circus Vaccaensis era um circo itinerante, procurando especificamente (por questões de controlo de custos) “trautear” as regiões do interior de Portugal e algumas esporádicas incursões a Espanha. É tido como o período da concepção do modelo que adoptarão com grande valor e que, perto da transição para o século XX, lhes trará alguma fama. O número mais reconhecido era o da corrida de pulgas, a par com o espectáculo vaudevilliano “Les Crazy Pulgas” – que dizem ter servido de inspiração ao cabaret parisiense “Le Crazy Horse Saloon”, de 1951.</p><p>Genericamente podendo ser inserido no grupo de Circos de Aberrações, esse epíteto sempre foi contestado pelos proprietários do CV (inicialmente A. Melo Cunha; 18?-1882) e pelos seus membros, preferindo estes a designação de Associação Mutualista para a Variedade.</p><p>A grande explosão de popularidade ocorre em 1880 quando, devido a uma epidemia, morre (ou foge, não se viu bem) a totalidade das pulgas, sendo o CV obrigado a recrutar novos números principais. O Homem-Lobo (n.1864-m.1913) estando na trupe há alguns anos consegue fazer valer as suas reivindicações e alcançar um melhor contrato e destaque, mas é com a Mulher Barbuda (n.1820-m.1912 a bordo do Titanic) e com o Beirão (n.1867-m.?) que, em particular para um público além Beiras, o CV se torna uma atracção garantida.</p><p>A maior e última (por motivos ainda não esclarecidos) tournée, designada Digressão Universal e com o patrocínio do Elixir de Dr. Huxley, teve então (com o formulário indicado supra), início na Primavera de 1881 e durou cerca de 15 anos, pautando-se por regulares aplausos e actuações em 3 continentes.</p><p>Foi igualmente com a Digressão Universal que o CV iniciou um processo de valorização e aposta na imagem, através de cartazes de design simples mas eficaz e conjugação das cores com o lettering, e a disposição das estrelas na secção central, algo que Hollywood tomará como modelo e premissa. Desses cartazes – frequentemente reutilizados – poucos exemplares são conhecidos e nenhum em bom estado, assumindo-se este em concreto como um portador das marcas do tempo e intervenções casuais.<br><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/</a></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Um dos primeiros grandes nomes ligados às artes performativas em Viseu foi, não o de um indivíduo mas o de uma instituição: o Circus Vaccaensis. Fundado no último quartel do século XIX – em data imprecisa – o Circus Vaccaensis era um circo itinerante, procurando especificamente (por questões de controlo de custos) “trautear” as regiões do interior de Portugal e algumas esporádicas incursões a Espanha. É tido como o período da concepção do modelo que adoptarão com grande valor e que, perto da transição para o século XX, lhes trará alguma fama. O número mais reconhecido era o da corrida de pulgas, a par com o espectáculo vaudevilliano “Les Crazy Pulgas” – que dizem ter servido de inspiração ao cabaret parisiense “Le Crazy Horse Saloon”, de 1951.</p><p>Genericamente podendo ser inserido no grupo de Circos de Aberrações, esse epíteto sempre foi contestado pelos proprietários do CV (inicialmente A. Melo Cunha; 18?-1882) e pelos seus membros, preferindo estes a designação de Associação Mutualista para a Variedade.</p><p>A grande explosão de popularidade ocorre em 1880 quando, devido a uma epidemia, morre (ou foge, não se viu bem) a totalidade das pulgas, sendo o CV obrigado a recrutar novos números principais. O Homem-Lobo (n.1864-m.1913) estando na trupe há alguns anos consegue fazer valer as suas reivindicações e alcançar um melhor contrato e destaque, mas é com a Mulher Barbuda (n.1820-m.1912 a bordo do Titanic) e com o Beirão (n.1867-m.?) que, em particular para um público além Beiras, o CV se torna uma atracção garantida.</p><p>A maior e última (por motivos ainda não esclarecidos) tournée, designada Digressão Universal e com o patrocínio do Elixir de Dr. Huxley, teve então (com o formulário indicado supra), início na Primavera de 1881 e durou cerca de 15 anos, pautando-se por regulares aplausos e actuações em 3 continentes.</p><p>Foi igualmente com a Digressão Universal que o CV iniciou um processo de valorização e aposta na imagem, através de cartazes de design simples mas eficaz e conjugação das cores com o lettering, e a disposição das estrelas na secção central, algo que Hollywood tomará como modelo e premissa. Desses cartazes – frequentemente reutilizados – poucos exemplares são conhecidos e nenhum em bom estado, assumindo-se este em concreto como um portador das marcas do tempo e intervenções casuais.<br><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/</a></p>]]>
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      <pubDate>Mon, 07 Oct 2024 04:35:34 -0700</pubDate>
      <author>Museu do Falso</author>
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        <![CDATA[<p>Um dos primeiros grandes nomes ligados às artes performativas em Viseu foi, não o de um indivíduo mas o de uma instituição: o Circus Vaccaensis. Fundado no último quartel do século XIX – em data imprecisa – o Circus Vaccaensis era um circo itinerante, procurando especificamente (por questões de controlo de custos) “trautear” as regiões do interior de Portugal e algumas esporádicas incursões a Espanha. É tido como o período da concepção do modelo que adoptarão com grande valor e que, perto da transição para o século XX, lhes trará alguma fama. O número mais reconhecido era o da corrida de pulgas, a par com o espectáculo vaudevilliano “Les Crazy Pulgas” – que dizem ter servido de inspiração ao cabaret parisiense “Le Crazy Horse Saloon”, de 1951.</p><p>Genericamente podendo ser inserido no grupo de Circos de Aberrações, esse epíteto sempre foi contestado pelos proprietários do CV (inicialmente A. Melo Cunha; 18?-1882) e pelos seus membros, preferindo estes a designação de Associação Mutualista para a Variedade.</p><p>A grande explosão de popularidade ocorre em 1880 quando, devido a uma epidemia, morre (ou foge, não se viu bem) a totalidade das pulgas, sendo o CV obrigado a recrutar novos números principais. O Homem-Lobo (n.1864-m.1913) estando na trupe há alguns anos consegue fazer valer as suas reivindicações e alcançar um melhor contrato e destaque, mas é com a Mulher Barbuda (n.1820-m.1912 a bordo do Titanic) e com o Beirão (n.1867-m.?) que, em particular para um público além Beiras, o CV se torna uma atracção garantida.</p><p>A maior e última (por motivos ainda não esclarecidos) tournée, designada Digressão Universal e com o patrocínio do Elixir de Dr. Huxley, teve então (com o formulário indicado supra), início na Primavera de 1881 e durou cerca de 15 anos, pautando-se por regulares aplausos e actuações em 3 continentes.</p><p>Foi igualmente com a Digressão Universal que o CV iniciou um processo de valorização e aposta na imagem, através de cartazes de design simples mas eficaz e conjugação das cores com o lettering, e a disposição das estrelas na secção central, algo que Hollywood tomará como modelo e premissa. Desses cartazes – frequentemente reutilizados – poucos exemplares são conhecidos e nenhum em bom estado, assumindo-se este em concreto como um portador das marcas do tempo e intervenções casuais.<br><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/</a></p>]]>
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      <title>Aquilino Ribeiro descasca batatas no Presídio do Fontelo</title>
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        <![CDATA[<p>Bernardo Raimundo da Silva sabia da minha avidez pela leitura. Em 1975 ofereceu-me “O Livro da Marianinha”. Era um avô que gostava de se recostar e conversar com tempo. E disse: Tininha, este será o primeiro de muitos.<br>Ao abrir o livro encontrei uma fotografia. Contou-me que, quando era novo, tinha trabalhado no presídio do Fontelo, na terra que o vira nascer. Já nessa época tinha uma grande admiração pelo escritor e quis o destino que se cruzassem por breves dias.<br>A fotografia tinha-a tirado à socapa com a máquina de um amigo. Confiou-ma então, para que me guiasse como símbolo de liberdade. A ditadura havia acabado e vivia o tempo inesquecível dos primeiros anos de um novo país.<br>Só muito mais tarde consegui perceber o verdadeiro alcance desta dádiva. Não fui a tempo de retribuir. Recuperei uma tábua de cozinha, de família, e concebi esta homenagem ao meu avô.<br><a href="https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo006/">https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo006/</a></p>]]>
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      <pubDate>Mon, 07 Oct 2024 04:33:19 -0700</pubDate>
      <author>Museu do Falso</author>
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