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    <title>Boca a Boca</title>
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    <description>"Boca a Boca" é o podcast do Teatro Viriato em parceria com a Rádio Jornal do Centro. A cada semana, um espaço de partilha com a crónica de Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato, e entrevistas em que a cultura é o ponto de partida.
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    <pubDate>Fri, 09 Feb 2024 20:01:27 +0000</pubDate>
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    <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Boca a Boca - cenas dos próximos capítulos</title>
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        <![CDATA[<p>Selecionamos para cada temporada um tema agregador que, de certa forma, estabelece uma ligação entre o todo e os temas específicos das atividades e dos espetáculos programados. </p><p>Na temporada 2021, dedicámo-nos à “presença”. Porque, mesmo quando estamos num lugar, nem sempre estamos presentes. Porque, num momento como o que vivemos estes dois anos, nunca essa distinção foi tão óbvia. </p><p>Para esta nova temporada e como pano de fundo, escolhemos os elementos Água, Ar, Fogo, Terra… e Éter. Começamos com o Corpo em movimento, no Encontro de dança contemporânea NANT- novas acções, novos tempos, o corpo agregador de todos estes elementos para depois questionarmos a nossa relação com a geografia, os oceanos, as nuvens e tudo o que nos rodeia. </p><p>Vivemos na era do Antropoceno, numa era onde o ser humano é a força geofísica maior, capaz de criar a sua própria extinção. No entanto, no dia a dia, só nos preocupamos quando sentimos uma tempestade fora de época, um incêndio desmesurado, um tsunami que arrasa uma cidade em poucos minutos. Vivemos num mundo distorcido que, contra todas as evidências, nos parece arrumado, “normal”. Não vemos a calamidade a acontecer, ela é contínua. E continua.</p><p>As coisas quando acontecem e não incomodam não se veem. Não sabemos muitas vezes de que é feito o chão que pisamos a não ser quando tropeçamos no caminho. </p><p>Para ver melhor ou para tornar o invisível visível, é preciso, por vezes, ampliar a sua acção ou retirar as coisas do seu contexto, e é isso que um Teatro faz: retira as coisas do seu lugar habitual, onde acabam por ser invisíveis, para as colocar noutro sítio e poderem ser observadas em detalhe revelando, assim, outros sentidos. </p><p>A escolha dos quatro elementos +1 é um convite para assistirem a um concerto, a um espetáculo, a uma coreografia, sem perder de vista a matéria de que são feitos os corpos, as vozes, os movimentos, as ideias, o tempo – Ar, Terra, Água, Fogo. Éter.</p><p>Cada criação artística é, por um lado, uma tentativa de aceder ao princípio mais elementar de tudo, procurando a matéria-prima de tudo, e, por outro, é o exercício de desenhar o futuro, colocando as peças que conhecemos numa outra posição.</p><p>A Arte é uma forma de renovar o encontro com o Mistério, prestando-lhe atenção sem o querer desvendar. Um encontro com a Beleza sem a medir. Com o Tempo sem o aprisionar. Com a Verdade sem as distorcer. Um encontro com o Ar. Terra. Água. Fogo. E o Éter.</p><p>Como nos diz Timothy Morton, em<em> Toda a Arte É Ecológica,</em> “a arte é um lugar que procuramos habitar para tentar perceber o que significa ser humano em relação com o não-humano: o mundo, as coisas, os elementos”*. </p><p>O Teatro é esse lugar privilegiado de encontro entre pessoas, saberes e experiências — cruzando o local, o nacional e o internacional — mas também o encontro entre o material e o inatingível. O Teatro é um instrumento fundamental na reflexão profunda sobre o nosso rumo conjunto, do mais complexo ao mais elementar.</p><p>E AR pode ser som e voz mas também poluição, pode simbolizar o céu ou o ar tóxico os ares dos tempos, mas também representar um festival que acontece num livro, como o dos Encontros de Novas Dramaturgias, que quis existir mesmo em tempos de distância física, capturando assim o ar dos nossos tempos para o guardar na página impressa, pela voz de uma trintena de dramaturgos contemporâneos de língua portuguesa.</p><p>TERRA pode ser vida e o movimento dos corpos no planeta, pode ser a dúvida eterna de Vera Mantero acerca d’“O Susto que é o Mundo” que veremos este sábado às 21h ou, pode ainda ser um desenho de luz que inspirou o coletivo teatral Bestiário a construir o seu novo espetáculo.</p><p>Terra pode ser o chão que pisamos ou a matéria de que é feita a arte mais “antiga” e que ainda hoje nos inspira, como na performance “Missed-En-Abîme”, de Rogério Nuno Costa. Pode ser a geografia que lemos num espetáculo como “Not to Scale”, de Tim Etchels e Ant Hampton, onde dois a dois, desenhamos numa folha de papel o espetáculo que queremos ver.</p><p>FOGO pode ser o princípio de tudo, pode ser a destruição de tudo, pode ser a primeira descoberta humana ou o que alimenta as paixões e os corpos, como em “Orgia”, de Pasolini, com encenação de Nuno M. Cardoso.</p><p>ÁGUA pode ser o mar e a vida marinha, mas também pode ser a nossa sobrevivência e o caminho marítimo até outras formas de estarmos juntos, como fez o K Cena –Projeto Lusófono de Teatro Jovem – que, desde outubro passado, ensaia à distância desde Viseu com companhias sediadas no Brasil, em Cabo Verde e em São Tomé.</p><p>E, finalmente, o ÉTER — o quinto elemento, inefável —, que é também a unificação das forças, a revolução para lá da de Copérnico e dos Cravos, a arte quando nos toca sem sabermos porquê. E haverá gesto mais ecológico do que cuidarmos e gostarmos e queremos as coisas, procurando nelas o belo e o fascínio simplesmente, sem saber porquê?</p><p>Há muito para ver, sentir e conhecer nesta nova programação. O ano só agora começou!</p><p>Patrícia Portela</p><ul><li>All art is ecological, Timothy Morton, Green Ideas, Penguin books, 2021</li></ul>]]>
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        <![CDATA[<p>Selecionamos para cada temporada um tema agregador que, de certa forma, estabelece uma ligação entre o todo e os temas específicos das atividades e dos espetáculos programados. </p><p>Na temporada 2021, dedicámo-nos à “presença”. Porque, mesmo quando estamos num lugar, nem sempre estamos presentes. Porque, num momento como o que vivemos estes dois anos, nunca essa distinção foi tão óbvia. </p><p>Para esta nova temporada e como pano de fundo, escolhemos os elementos Água, Ar, Fogo, Terra… e Éter. Começamos com o Corpo em movimento, no Encontro de dança contemporânea NANT- novas acções, novos tempos, o corpo agregador de todos estes elementos para depois questionarmos a nossa relação com a geografia, os oceanos, as nuvens e tudo o que nos rodeia. </p><p>Vivemos na era do Antropoceno, numa era onde o ser humano é a força geofísica maior, capaz de criar a sua própria extinção. No entanto, no dia a dia, só nos preocupamos quando sentimos uma tempestade fora de época, um incêndio desmesurado, um tsunami que arrasa uma cidade em poucos minutos. Vivemos num mundo distorcido que, contra todas as evidências, nos parece arrumado, “normal”. Não vemos a calamidade a acontecer, ela é contínua. E continua.</p><p>As coisas quando acontecem e não incomodam não se veem. Não sabemos muitas vezes de que é feito o chão que pisamos a não ser quando tropeçamos no caminho. </p><p>Para ver melhor ou para tornar o invisível visível, é preciso, por vezes, ampliar a sua acção ou retirar as coisas do seu contexto, e é isso que um Teatro faz: retira as coisas do seu lugar habitual, onde acabam por ser invisíveis, para as colocar noutro sítio e poderem ser observadas em detalhe revelando, assim, outros sentidos. </p><p>A escolha dos quatro elementos +1 é um convite para assistirem a um concerto, a um espetáculo, a uma coreografia, sem perder de vista a matéria de que são feitos os corpos, as vozes, os movimentos, as ideias, o tempo – Ar, Terra, Água, Fogo. Éter.</p><p>Cada criação artística é, por um lado, uma tentativa de aceder ao princípio mais elementar de tudo, procurando a matéria-prima de tudo, e, por outro, é o exercício de desenhar o futuro, colocando as peças que conhecemos numa outra posição.</p><p>A Arte é uma forma de renovar o encontro com o Mistério, prestando-lhe atenção sem o querer desvendar. Um encontro com a Beleza sem a medir. Com o Tempo sem o aprisionar. Com a Verdade sem as distorcer. Um encontro com o Ar. Terra. Água. Fogo. E o Éter.</p><p>Como nos diz Timothy Morton, em<em> Toda a Arte É Ecológica,</em> “a arte é um lugar que procuramos habitar para tentar perceber o que significa ser humano em relação com o não-humano: o mundo, as coisas, os elementos”*. </p><p>O Teatro é esse lugar privilegiado de encontro entre pessoas, saberes e experiências — cruzando o local, o nacional e o internacional — mas também o encontro entre o material e o inatingível. O Teatro é um instrumento fundamental na reflexão profunda sobre o nosso rumo conjunto, do mais complexo ao mais elementar.</p><p>E AR pode ser som e voz mas também poluição, pode simbolizar o céu ou o ar tóxico os ares dos tempos, mas também representar um festival que acontece num livro, como o dos Encontros de Novas Dramaturgias, que quis existir mesmo em tempos de distância física, capturando assim o ar dos nossos tempos para o guardar na página impressa, pela voz de uma trintena de dramaturgos contemporâneos de língua portuguesa.</p><p>TERRA pode ser vida e o movimento dos corpos no planeta, pode ser a dúvida eterna de Vera Mantero acerca d’“O Susto que é o Mundo” que veremos este sábado às 21h ou, pode ainda ser um desenho de luz que inspirou o coletivo teatral Bestiário a construir o seu novo espetáculo.</p><p>Terra pode ser o chão que pisamos ou a matéria de que é feita a arte mais “antiga” e que ainda hoje nos inspira, como na performance “Missed-En-Abîme”, de Rogério Nuno Costa. Pode ser a geografia que lemos num espetáculo como “Not to Scale”, de Tim Etchels e Ant Hampton, onde dois a dois, desenhamos numa folha de papel o espetáculo que queremos ver.</p><p>FOGO pode ser o princípio de tudo, pode ser a destruição de tudo, pode ser a primeira descoberta humana ou o que alimenta as paixões e os corpos, como em “Orgia”, de Pasolini, com encenação de Nuno M. Cardoso.</p><p>ÁGUA pode ser o mar e a vida marinha, mas também pode ser a nossa sobrevivência e o caminho marítimo até outras formas de estarmos juntos, como fez o K Cena –Projeto Lusófono de Teatro Jovem – que, desde outubro passado, ensaia à distância desde Viseu com companhias sediadas no Brasil, em Cabo Verde e em São Tomé.</p><p>E, finalmente, o ÉTER — o quinto elemento, inefável —, que é também a unificação das forças, a revolução para lá da de Copérnico e dos Cravos, a arte quando nos toca sem sabermos porquê. E haverá gesto mais ecológico do que cuidarmos e gostarmos e queremos as coisas, procurando nelas o belo e o fascínio simplesmente, sem saber porquê?</p><p>Há muito para ver, sentir e conhecer nesta nova programação. O ano só agora começou!</p><p>Patrícia Portela</p><ul><li>All art is ecological, Timothy Morton, Green Ideas, Penguin books, 2021</li></ul>]]>
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      <pubDate>Thu, 27 Jan 2022 11:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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No entanto, no dia a dia, só nos preocupamos quando sentimos uma tempestade fora de época, um incêndio desmesurado, um tsunami que arrasa uma cidade em poucos minutos. Vivemos num mundo distorcido que, contra todas as evidências, nos parece arrumado, “normal”. Não vemos a calamidade a acontecer, ela é contínua. E continua.</p><p>As coisas quando acontecem e não incomodam não se veem. Não sabemos muitas vezes de que é feito o chão que pisamos a não ser quando tropeçamos no caminho. </p><p>Para ver melhor ou para tornar o invisível visível, é preciso, por vezes, ampliar a sua acção ou retirar as coisas do seu contexto, e é isso que um Teatro faz: retira as coisas do seu lugar habitual, onde acabam por ser invisíveis, para as colocar noutro sítio e poderem ser observadas em detalhe revelando, assim, outros sentidos. </p><p>A escolha dos quatro elementos +1 é um convite para assistirem a um concerto, a um espetáculo, a uma coreografia, sem perder de vista a matéria de que são feitos os corpos, as vozes, os movimentos, as ideias, o tempo – Ar, Terra, Água, Fogo. Éter.</p><p>Cada criação artística é, por um lado, uma tentativa de aceder ao princípio mais elementar de tudo, procurando a matéria-prima de tudo, e, por outro, é o exercício de desenhar o futuro, colocando as peças que conhecemos numa outra posição.</p><p>A Arte é uma forma de renovar o encontro com o Mistério, prestando-lhe atenção sem o querer desvendar. Um encontro com a Beleza sem a medir. Com o Tempo sem o aprisionar. Com a Verdade sem as distorcer. Um encontro com o Ar. Terra. Água. Fogo. E o Éter.</p><p>Como nos diz Timothy Morton, em<em> Toda a Arte É Ecológica,</em> “a arte é um lugar que procuramos habitar para tentar perceber o que significa ser humano em relação com o não-humano: o mundo, as coisas, os elementos”*. </p><p>O Teatro é esse lugar privilegiado de encontro entre pessoas, saberes e experiências — cruzando o local, o nacional e o internacional — mas também o encontro entre o material e o inatingível. O Teatro é um instrumento fundamental na reflexão profunda sobre o nosso rumo conjunto, do mais complexo ao mais elementar.</p><p>E AR pode ser som e voz mas também poluição, pode simbolizar o céu ou o ar tóxico os ares dos tempos, mas também representar um festival que acontece num livro, como o dos Encontros de Novas Dramaturgias, que quis existir mesmo em tempos de distância física, capturando assim o ar dos nossos tempos para o guardar na página impressa, pela voz de uma trintena de dramaturgos contemporâneos de língua portuguesa.</p><p>TERRA pode ser vida e o movimento dos corpos no planeta, pode ser a dúvida eterna de Vera Mantero acerca d’“O Susto que é o Mundo” que veremos este sábado às 21h ou, pode ainda ser um desenho de luz que inspirou o coletivo teatral Bestiário a construir o seu novo espetáculo.</p><p>Terra pode ser o chão que pisamos ou a matéria de que é feita a arte mais “antiga” e que ainda hoje nos inspira, como na performance “Missed-En-Abîme”, de Rogério Nuno Costa. Pode ser a geografia que lemos num espetáculo como “Not to Scale”, de Tim Etchels e Ant Hampton, onde dois a dois, desenhamos numa folha de papel o espetáculo que queremos ver.</p><p>FOGO pode ser o princípio de tudo, pode ser a destruição de tudo, pode ser a primeira descoberta humana ou o que alimenta as paixões e os corpos, como em “Orgia”, de Pasolini, com encenação de Nuno M. Cardoso.</p><p>ÁGUA pode ser o mar e a vida marinha, mas também pode ser a nossa sobrevivência e o caminho marítimo até outras formas de estarmos juntos, como fez o K Cena –Projeto Lusófono de Teatro Jovem – que, desde outubro passado, ensaia à distância desde Viseu com companhias sediadas no Brasil, em Cabo Verde e em São Tomé.</p><p>E, finalmente, o ÉTER — o quinto elemento, inefável —, que é também a unificação das forças, a revolução para lá da de Copérnico e dos Cravos, a arte quando nos toca sem sabermos porquê. E haverá gesto mais ecológico do que cuidarmos e gostarmos e queremos as coisas, procurando nelas o belo e o fascínio simplesmente, sem saber porquê?</p><p>Há muito para ver, sentir e conhecer nesta nova programação. O ano só agora começou!</p><p>Patrícia Portela</p><ul><li>All art is ecological, Timothy Morton, Green Ideas, Penguin books, 2021</li></ul>]]>
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      <title>Boca a Boca - O aniversário da arte</title>
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        <![CDATA[<p><strong>1 000 059.º ANIVERSÁRIO DA ARTE<br></strong><br></p><p>Segundo o artista francês Robert Filliou, seguidor da corrente artística Fluxus, a 17 de janeiro de 1963, o dia do seu nascimento, a arte celebraria um milhão de anos. Segundo o artista, a arte nascera no momento em que alguém deixou cair uma esponja seca numa tina com água. Desde então, artistas celebram este dia um pouco por todo o mundo, com arte-postal, festas, (re)encontros, exposições, conversas e um bolo de aniversário.</p><p>A 17 de janeiro de 1974, o artista multimédia Ernesto de Sousa organizou uma festa comemorativa do 1 000 011.º Aniversário da Arte em Portugal, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC).  </p><p>A 17 de janeiro de 2021, abrimos a temporada do Teatro Viriato com a tradição <em>Fluxus </em>de celebrar o Aniversário da Arte, na companhia de parceiros de longa data como o Cine Clube de Viseu, o Museu Nacional Grão Vasco, o Vale do Côa ou a ZDB, com uma mão cheia de artistas que ocuparam o palco com concertos, espetáculos, leituras e <em>happenings</em> que acabaram por ser transmitidos online devido a um segundo período de quarentena nacional devido à pandemia de Covid-19.</p><p>Há uns tempos, sentava-me eu ao lado da Isabel Campante pela primeira vez no café do Teatro e reparava que a sua decoração era toda ela feita de painéis de azulejos azuis com retratos de escritores portugueses, todos homens. Luís de Camões, Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, Raúl Brandão, entre tantos outros. Não foram precisos dois galões nem meia torrada para imaginarmos o café forrado a mulheres rebeldes. Eu adoro a Clarice Lispector, dizia eu. Já leste a fundo a Maria Velho da Costa? Dizia a Isabel. Se fazemos uma homenagem, temos de ter a Ana Hatherly! E a Sophia? Já leste a Poética II? Homenagem? Porque não lhe chamar uma “Mulheragem”? As ideias mais simples nascem assim, no café, às 8 da manhã, a trocar impressões sobre o dia. Daí celebrar o aniversário da arte na companhia de 3 artistas plásticas de Viseu e arredores foi um passo. Convidámos Ana Biscaia, Beatriz Rodrigues e Rosário Pinheiro a desenharem 12 retratos das suas autoras de eleição, e convidámos 13 autoras para escreverem cartas a autoras que admiram. </p><p>Hoje passei lá de manhã antes de terminar esta crónica. Um senhor de uma certa idade discutia que nunca tinha ouvido falar em nenhuma delas, mas que já tinha percebido que algumas eram atrevidas (referindo-se à indumentária transparente de Natália Correia). Outro senhor folheava a folha de sala da exposição. Assim se inicia o diálogo entre gerações, estilos, geografias e vontades, ocupando o espaço público, mudando-lhe por vezes a cara, e contando sempre com o olhar cúmplice do senhor Zé do Café do Teatro.</p><p>E, enquanto isso, continuamos a dar o corpo ao manifesto na sala do teatro com o <em>Encontro de Dança Contemporânea NANT</em>. Esta semana temos PINY, Sara Anjo, Sofia Dias e Vítor Roriz e ainda um documentário sobre a Re.al de João Fiadeiro por Maria João Guardão em mui amistosa parceria com o Cine Clube de Viseu.</p><p><strong>ARTISTAS dos retratos da “Mulheragem” </strong>Ana Biscaia (Ilse Losa, Maria Lamas, Maria Keil e Matilde Rosa Araújo), Beatriz Rodrigues (Ana Hatherly, Clarice Lispector, Hilda Hilst e Maria Velho da Costa) e Rosário Pinheiro (Agustina Bessa Luís, Judith Teixeira, Sophia de Mello Breyner Andresen e Natália Correia) </p><p><strong>Autoras das cartas – </strong>Sara Barros Leitão, Marta Bernardes, Joana Bértholo, Rita Taborda Duarte, Inês Fonseca Santos, Raquel Nobre Guerra, Sílvia Prudêncio, Isabela Figueiredo, Joana Bértholo, Patrícia Reis, Catarina Machado, Patrícia Portela, Alva Ramalho.</p><p>Mais info em <a href="http://www.teatroviriato.pt/">www.teatroviriato.pt</a></p>]]>
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        <![CDATA[<p><strong>1 000 059.º ANIVERSÁRIO DA ARTE<br></strong><br></p><p>Segundo o artista francês Robert Filliou, seguidor da corrente artística Fluxus, a 17 de janeiro de 1963, o dia do seu nascimento, a arte celebraria um milhão de anos. Segundo o artista, a arte nascera no momento em que alguém deixou cair uma esponja seca numa tina com água. Desde então, artistas celebram este dia um pouco por todo o mundo, com arte-postal, festas, (re)encontros, exposições, conversas e um bolo de aniversário.</p><p>A 17 de janeiro de 1974, o artista multimédia Ernesto de Sousa organizou uma festa comemorativa do 1 000 011.º Aniversário da Arte em Portugal, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC).  </p><p>A 17 de janeiro de 2021, abrimos a temporada do Teatro Viriato com a tradição <em>Fluxus </em>de celebrar o Aniversário da Arte, na companhia de parceiros de longa data como o Cine Clube de Viseu, o Museu Nacional Grão Vasco, o Vale do Côa ou a ZDB, com uma mão cheia de artistas que ocuparam o palco com concertos, espetáculos, leituras e <em>happenings</em> que acabaram por ser transmitidos online devido a um segundo período de quarentena nacional devido à pandemia de Covid-19.</p><p>Há uns tempos, sentava-me eu ao lado da Isabel Campante pela primeira vez no café do Teatro e reparava que a sua decoração era toda ela feita de painéis de azulejos azuis com retratos de escritores portugueses, todos homens. Luís de Camões, Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, Raúl Brandão, entre tantos outros. Não foram precisos dois galões nem meia torrada para imaginarmos o café forrado a mulheres rebeldes. Eu adoro a Clarice Lispector, dizia eu. Já leste a fundo a Maria Velho da Costa? Dizia a Isabel. Se fazemos uma homenagem, temos de ter a Ana Hatherly! E a Sophia? Já leste a Poética II? Homenagem? Porque não lhe chamar uma “Mulheragem”? As ideias mais simples nascem assim, no café, às 8 da manhã, a trocar impressões sobre o dia. Daí celebrar o aniversário da arte na companhia de 3 artistas plásticas de Viseu e arredores foi um passo. Convidámos Ana Biscaia, Beatriz Rodrigues e Rosário Pinheiro a desenharem 12 retratos das suas autoras de eleição, e convidámos 13 autoras para escreverem cartas a autoras que admiram. </p><p>Hoje passei lá de manhã antes de terminar esta crónica. Um senhor de uma certa idade discutia que nunca tinha ouvido falar em nenhuma delas, mas que já tinha percebido que algumas eram atrevidas (referindo-se à indumentária transparente de Natália Correia). Outro senhor folheava a folha de sala da exposição. Assim se inicia o diálogo entre gerações, estilos, geografias e vontades, ocupando o espaço público, mudando-lhe por vezes a cara, e contando sempre com o olhar cúmplice do senhor Zé do Café do Teatro.</p><p>E, enquanto isso, continuamos a dar o corpo ao manifesto na sala do teatro com o <em>Encontro de Dança Contemporânea NANT</em>. Esta semana temos PINY, Sara Anjo, Sofia Dias e Vítor Roriz e ainda um documentário sobre a Re.al de João Fiadeiro por Maria João Guardão em mui amistosa parceria com o Cine Clube de Viseu.</p><p><strong>ARTISTAS dos retratos da “Mulheragem” </strong>Ana Biscaia (Ilse Losa, Maria Lamas, Maria Keil e Matilde Rosa Araújo), Beatriz Rodrigues (Ana Hatherly, Clarice Lispector, Hilda Hilst e Maria Velho da Costa) e Rosário Pinheiro (Agustina Bessa Luís, Judith Teixeira, Sophia de Mello Breyner Andresen e Natália Correia) </p><p><strong>Autoras das cartas – </strong>Sara Barros Leitão, Marta Bernardes, Joana Bértholo, Rita Taborda Duarte, Inês Fonseca Santos, Raquel Nobre Guerra, Sílvia Prudêncio, Isabela Figueiredo, Joana Bértholo, Patrícia Reis, Catarina Machado, Patrícia Portela, Alva Ramalho.</p><p>Mais info em <a href="http://www.teatroviriato.pt/">www.teatroviriato.pt</a></p>]]>
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      <pubDate>Mon, 24 Jan 2022 11:21:09 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Boca a Boca – Dar o corpo</title>
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        <![CDATA[<p>O que significa receber a herança de um encontro de dança que marcou uma década, juntando novíssimos coreógrafos que nele se apresentaram pela primeira vez e tantos que são hoje consagrados? O que significa ser a décima edição de um encontro que se intitulou <em>New Age, New Time </em>num ano como o de 2022, o terceiro que se vive em pandemia? Será que se vive cada vez mais consciente do tempo, do corpo, da fisicalidade, da distância e do peso das palavras que usamos para nomear o que sentimos, o que fazemos, o que queremos, o</p><p>que não queremos?</p><p>Para esta edição, que é simultaneamente a 10.ª e a 01.ª, repensamos cada palavra, cada escolha, cada gesto.</p><p>Começamos pelo título: NANT. Procurámos o seu significado como se não o conhecêssemos, como se não conhecêssemos a história deste encontro. O uso da palavra “nant” pode remontar ao século XIX e ao viajante e autor George Borrow (1803-1881), para significar “pequeno riacho”, “pequena corrente de um rio em Gales”; ou pode denominar alguém apaixonado pela tecnologia e que a usa para embelezar a vida e o seu meio ambiente. Se usarmos a palavra “nant” em francês numa expressão como “L’Europe est t’arriver à un tournant”, queremos dizer: "A Europa chegou a um ponto de viragem”. “NAN” (acrónimo do inglês <em>Not a Number</em>) em linguagem de programação representa um número indefinido ou irrepresentável.</p><p><em>New Age </em>está hoje conotado com um movimento alternativo à cultura tradicional ocidental, com um forte interesse no misticismo, no ambientalismo e numa perspetiva holística do mundo. <em>New Time</em>... novo tempo... estará ligado a quê? A que novo tempo nos referíamos há uma década e que novo tempo desejamos agora? Se “nant” é uma palavra que se pronuncia da mesma maneira em quase todas as línguas e que não tem tradução, <em>New Age, New Time </em>pode ser traduzido para uma nova expressão que melhor represente as novas ações, do corpo, da mente, no espaço, que pretendemos divulgar, descobrir, praticar; e os novos tempos que se desenham, que se formam, que queremos moldar, preencher e construir para os podermos habitar em conjunto.</p><p>Assim nasceu a vontade de rebatizar este encontro — entre e dos corpos em movimento — de <em>NANT- Novas Ações, Novos Tempos</em> e de a dedicar inteiramente ao corpo:</p><p>o corpo feminino ou masculino, o corpo não binário, o corpo belo, o corpo que adoece e envelhece, o corpo mútuo, o corpo duplo, o corpo norma e tradição, o corpo que rasga o sistema, o corpo domesticado, o corpo livre, o corpo língua, o corpo planeta, o corpo que dá o litro e se entrega à vida e ao movimento, o corpo que se entrega ao manifesto.</p><p> </p><p> E o que significará isso de dar o corpo ao manifesto em 2022?</p><p>Será cuidá-lo e protegê-lo? Será arriscar perdê-lo a cada dia que passa? Oferecê-lo às balas? investi-lo de ação e de tempo?</p><p><br>Porque para existir é preciso respirar, é preciso ter corpo, é preciso ter movimento, abrimos 2022 oferecendo os nossos corpos múltiplos aos tempos vindouros, juntando-nos para celebrar o que um corpo pode em palco, o que um corpo pede, o que um corpo pulsa, o que um corpo dá, o que um corpo precisa, o que muitas vezes não é mais do que outro corpo com quem se amantizar, pensar, trocar ideias, avançar na (sua? nossa?) história.</p><p><br> Abrimos com “Bate Fado”, de Jonas &amp; Lander, no dia 14 de janeiro, e terminamos com “O susto é um mundo”, de Vera Mantero no dia 29 de janeiro, acompanhando todo o período eleitoral a pensar no que nos faz mexer, no que nos move, no que tem e oferece movimento, o que dá corpo às nossas ideias, aos nossos desejos, aos nossos votos para o futuro.</p><p><br> <br></p><p><br> <br></p>]]>
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        <![CDATA[<p>O que significa receber a herança de um encontro de dança que marcou uma década, juntando novíssimos coreógrafos que nele se apresentaram pela primeira vez e tantos que são hoje consagrados? O que significa ser a décima edição de um encontro que se intitulou <em>New Age, New Time </em>num ano como o de 2022, o terceiro que se vive em pandemia? Será que se vive cada vez mais consciente do tempo, do corpo, da fisicalidade, da distância e do peso das palavras que usamos para nomear o que sentimos, o que fazemos, o que queremos, o</p><p>que não queremos?</p><p>Para esta edição, que é simultaneamente a 10.ª e a 01.ª, repensamos cada palavra, cada escolha, cada gesto.</p><p>Começamos pelo título: NANT. Procurámos o seu significado como se não o conhecêssemos, como se não conhecêssemos a história deste encontro. O uso da palavra “nant” pode remontar ao século XIX e ao viajante e autor George Borrow (1803-1881), para significar “pequeno riacho”, “pequena corrente de um rio em Gales”; ou pode denominar alguém apaixonado pela tecnologia e que a usa para embelezar a vida e o seu meio ambiente. Se usarmos a palavra “nant” em francês numa expressão como “L’Europe est t’arriver à un tournant”, queremos dizer: "A Europa chegou a um ponto de viragem”. “NAN” (acrónimo do inglês <em>Not a Number</em>) em linguagem de programação representa um número indefinido ou irrepresentável.</p><p><em>New Age </em>está hoje conotado com um movimento alternativo à cultura tradicional ocidental, com um forte interesse no misticismo, no ambientalismo e numa perspetiva holística do mundo. <em>New Time</em>... novo tempo... estará ligado a quê? A que novo tempo nos referíamos há uma década e que novo tempo desejamos agora? Se “nant” é uma palavra que se pronuncia da mesma maneira em quase todas as línguas e que não tem tradução, <em>New Age, New Time </em>pode ser traduzido para uma nova expressão que melhor represente as novas ações, do corpo, da mente, no espaço, que pretendemos divulgar, descobrir, praticar; e os novos tempos que se desenham, que se formam, que queremos moldar, preencher e construir para os podermos habitar em conjunto.</p><p>Assim nasceu a vontade de rebatizar este encontro — entre e dos corpos em movimento — de <em>NANT- Novas Ações, Novos Tempos</em> e de a dedicar inteiramente ao corpo:</p><p>o corpo feminino ou masculino, o corpo não binário, o corpo belo, o corpo que adoece e envelhece, o corpo mútuo, o corpo duplo, o corpo norma e tradição, o corpo que rasga o sistema, o corpo domesticado, o corpo livre, o corpo língua, o corpo planeta, o corpo que dá o litro e se entrega à vida e ao movimento, o corpo que se entrega ao manifesto.</p><p> </p><p> E o que significará isso de dar o corpo ao manifesto em 2022?</p><p>Será cuidá-lo e protegê-lo? Será arriscar perdê-lo a cada dia que passa? Oferecê-lo às balas? investi-lo de ação e de tempo?</p><p><br>Porque para existir é preciso respirar, é preciso ter corpo, é preciso ter movimento, abrimos 2022 oferecendo os nossos corpos múltiplos aos tempos vindouros, juntando-nos para celebrar o que um corpo pode em palco, o que um corpo pede, o que um corpo pulsa, o que um corpo dá, o que um corpo precisa, o que muitas vezes não é mais do que outro corpo com quem se amantizar, pensar, trocar ideias, avançar na (sua? nossa?) história.</p><p><br> Abrimos com “Bate Fado”, de Jonas &amp; Lander, no dia 14 de janeiro, e terminamos com “O susto é um mundo”, de Vera Mantero no dia 29 de janeiro, acompanhando todo o período eleitoral a pensar no que nos faz mexer, no que nos move, no que tem e oferece movimento, o que dá corpo às nossas ideias, aos nossos desejos, aos nossos votos para o futuro.</p><p><br> <br></p><p><br> <br></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 12 Jan 2022 17:19:03 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Boca a Boca - Este ano</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>Este ano celebrámos o aniversário da arte a 17 de janeiro no nosso palco, filmando as apresentações de mais de três dezenas de artistas que se deslocaram até Viseu três dias antes do previsto assim que soubemos que íamos entrar em nova quarentena. Dez minutos antes da meia-noite, acendíamos as velas e o pianista Filipe Raposo tocava o “Parabéns a você” no piano de cauda que temos no palco. À meia-noite fechávamos o teatro naquele que deveria ser o dia de abertura da nova temporada sem saber quando nos voltaríamos a ver.</p><p>Este ano iniciámos um “Blind Book Date”, uma lista de livros escolhidos pelos artistas de cada temporada que os nossos espectadores poderiam adquirir na nossa bilheteira ou na livraria pretexto da Leya, ou na livraria Poesia Incompleta, conhecendo apenas um dilema escrito sobre eles.</p><p>Este ano as sessões de leituras encenadas do “Noite Fora”, que costumavam acontecer no estúdio do teatro, foram todas diferentes: transformaram-se em programas radiofónicso ou em sessões mistas entre a apresentação em palco e a entrevista por zoom, sempre com autores contemporâneos estrangeiros.</p><p>Este ano iniciámos as conversas “Boca Livre”, e na casa tivemos Pedro Santos Guerreiro, Miguel Castro Caldas, uma rara entrevista de Rui Catalão a B fachada, espreitámos a comunidade artística da Arménia e discutimos os direitos das empregadas domésticas com Sara Barros Leitão e a socióloga Mafalda Araújo.</p><p>Este ano aproveitámos cada momento em que estivemos fechados para ensaiar, para criar novas peças, para construir novos projetos. Nesse período nasceram os espetáculos “A fragilidade de estarmos juntos”, de Miguel Castro Caldas, António Alvarenga e Sónia Barbosa e “Aleksei ou a Fé”, de Sónia Barbosa. Ambas as peças, que foram inteiramente construídas no teatro, têm agora as suas tournés pelo país.</p><p>Este ano celebrámos o Dia Mundial do Teatro com uma peça que estreou online e que teve espectadores nos quatro continentes. Fraga, figura máxima do Teatro em Viseu encenou Brecht com uma equipa inteiramente viseense de diferentes gerações. Em pleno inverno e em plena pandemia, num momento em que as ruas estavam desertas, o teatro foi um farol sempre aceso onde se reuniram criadores, intérpretes e pensadores que não desistiram de um futuro próximo com os teatros abertos.</p><p>Este ano o magnífico músico Peter Evans teve de cancelar o seu espetáculo e à última da hora Ricardo Toscano aceitava tocar no <em>Festival Internacional de Música Primavera</em> e dizia: posso experimentar um double trio? Gostava de juntar dois contrabaixos e duas baterias... O concerto foi mágico e fechou o último dia da nossa quarentena</p><p>Este ano fizemos a primeira parceria com o <em>FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica</em>, e a primeira parceria com o <em>Festival MEXE</em>, e apesar das fronteiras fechadas, fomos ao Chile e ao Brasil pela mão de Manuela Infante, Janaína Leite ou La Resentida.</p><p>Este ano, e vinte anos depois da sua estreia, “The Show must go on” um dos espetáculos mais icónicos de Jérôme Bel , regressava aos palcos portugueses. Tal como na sua estreia, houve quem se levantasse da plateia para ir dançar.</p><p>Este ano oferecemos duas residências artísticas a dois músicos promissores portugueses que construíram ou lançaram em Viseu os seus álbuns: Gabriel Ferrandini com “Hair of the Dog” e Maria Reis “Em benefício da dúvida”.</p><p>Este ano juntámo-nos pela primeira vez aos Jardins Efémeros e recebemos uma residência, quatro espetáculos e uma instalação e eu vi um namoro a nascer nos corredores que vai por certo dar um concerto inesquecível para o ano.</p><p>Este ano fomos ao Forum Viseu à procura de um parque de estacionamento para montarmos a instalação “Natureza Fantasma”, de Marco Martins e acabámos por ocupar uma loja no Forum Viseu, entre o fitness e o supermercado. “Meia Dose” foi um lugar onde se deram os encontros mais improváveis entre artistas e público.</p><p>Este ano Rui Reininho reeditou connosco e com o Cine Clube de Viseu o seu primeiro livro de poesia, Dino D’ Santiago deixou a casa ir abaixo no início da sua temporada em setembro.</p><p>Este ano dedicámos duas semanas a coletivos artísticos: a primeira aos Praga, a segunda à Companhia Dançando com a Diferença.</p><p>Este ano o K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem - tem acontecido na sala de ensaios, online, em direto e em diferido. O autor escolhido é o Gonçalo M Tavares e o ponto de partida são os gráficos que escreveu para o Teatro Viriato durante 2020 sobre a cidade e as coisas.</p><p>Este ano lutámos contra imensos obstáculos e múltiplas intempéries, mas os artistas e o público ensinaram-nos uma coisa:</p><p>Nada se perde, tudo se transforma. E onde não se pode abrir uma porta, entraremos por uma janela. Onde não nos podemos aproximar, encontramos outras formas de viver colados uns aos outros, alimentando-nos, nutrindo-nos com aqueles ingredientes que só se semeiam e só se colhem em campos onde há sempre 4 estações.</p><p>Despedimo-nos deste ano dizendo até já. O próximo ano será ainda melhor.</p>]]>
      </description>
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        <![CDATA[<p>Este ano celebrámos o aniversário da arte a 17 de janeiro no nosso palco, filmando as apresentações de mais de três dezenas de artistas que se deslocaram até Viseu três dias antes do previsto assim que soubemos que íamos entrar em nova quarentena. Dez minutos antes da meia-noite, acendíamos as velas e o pianista Filipe Raposo tocava o “Parabéns a você” no piano de cauda que temos no palco. À meia-noite fechávamos o teatro naquele que deveria ser o dia de abertura da nova temporada sem saber quando nos voltaríamos a ver.</p><p>Este ano iniciámos um “Blind Book Date”, uma lista de livros escolhidos pelos artistas de cada temporada que os nossos espectadores poderiam adquirir na nossa bilheteira ou na livraria pretexto da Leya, ou na livraria Poesia Incompleta, conhecendo apenas um dilema escrito sobre eles.</p><p>Este ano as sessões de leituras encenadas do “Noite Fora”, que costumavam acontecer no estúdio do teatro, foram todas diferentes: transformaram-se em programas radiofónicso ou em sessões mistas entre a apresentação em palco e a entrevista por zoom, sempre com autores contemporâneos estrangeiros.</p><p>Este ano iniciámos as conversas “Boca Livre”, e na casa tivemos Pedro Santos Guerreiro, Miguel Castro Caldas, uma rara entrevista de Rui Catalão a B fachada, espreitámos a comunidade artística da Arménia e discutimos os direitos das empregadas domésticas com Sara Barros Leitão e a socióloga Mafalda Araújo.</p><p>Este ano aproveitámos cada momento em que estivemos fechados para ensaiar, para criar novas peças, para construir novos projetos. Nesse período nasceram os espetáculos “A fragilidade de estarmos juntos”, de Miguel Castro Caldas, António Alvarenga e Sónia Barbosa e “Aleksei ou a Fé”, de Sónia Barbosa. Ambas as peças, que foram inteiramente construídas no teatro, têm agora as suas tournés pelo país.</p><p>Este ano celebrámos o Dia Mundial do Teatro com uma peça que estreou online e que teve espectadores nos quatro continentes. Fraga, figura máxima do Teatro em Viseu encenou Brecht com uma equipa inteiramente viseense de diferentes gerações. Em pleno inverno e em plena pandemia, num momento em que as ruas estavam desertas, o teatro foi um farol sempre aceso onde se reuniram criadores, intérpretes e pensadores que não desistiram de um futuro próximo com os teatros abertos.</p><p>Este ano o magnífico músico Peter Evans teve de cancelar o seu espetáculo e à última da hora Ricardo Toscano aceitava tocar no <em>Festival Internacional de Música Primavera</em> e dizia: posso experimentar um double trio? Gostava de juntar dois contrabaixos e duas baterias... O concerto foi mágico e fechou o último dia da nossa quarentena</p><p>Este ano fizemos a primeira parceria com o <em>FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica</em>, e a primeira parceria com o <em>Festival MEXE</em>, e apesar das fronteiras fechadas, fomos ao Chile e ao Brasil pela mão de Manuela Infante, Janaína Leite ou La Resentida.</p><p>Este ano, e vinte anos depois da sua estreia, “The Show must go on” um dos espetáculos mais icónicos de Jérôme Bel , regressava aos palcos portugueses. Tal como na sua estreia, houve quem se levantasse da plateia para ir dançar.</p><p>Este ano oferecemos duas residências artísticas a dois músicos promissores portugueses que construíram ou lançaram em Viseu os seus álbuns: Gabriel Ferrandini com “Hair of the Dog” e Maria Reis “Em benefício da dúvida”.</p><p>Este ano juntámo-nos pela primeira vez aos Jardins Efémeros e recebemos uma residência, quatro espetáculos e uma instalação e eu vi um namoro a nascer nos corredores que vai por certo dar um concerto inesquecível para o ano.</p><p>Este ano fomos ao Forum Viseu à procura de um parque de estacionamento para montarmos a instalação “Natureza Fantasma”, de Marco Martins e acabámos por ocupar uma loja no Forum Viseu, entre o fitness e o supermercado. “Meia Dose” foi um lugar onde se deram os encontros mais improváveis entre artistas e público.</p><p>Este ano Rui Reininho reeditou connosco e com o Cine Clube de Viseu o seu primeiro livro de poesia, Dino D’ Santiago deixou a casa ir abaixo no início da sua temporada em setembro.</p><p>Este ano dedicámos duas semanas a coletivos artísticos: a primeira aos Praga, a segunda à Companhia Dançando com a Diferença.</p><p>Este ano o K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem - tem acontecido na sala de ensaios, online, em direto e em diferido. O autor escolhido é o Gonçalo M Tavares e o ponto de partida são os gráficos que escreveu para o Teatro Viriato durante 2020 sobre a cidade e as coisas.</p><p>Este ano lutámos contra imensos obstáculos e múltiplas intempéries, mas os artistas e o público ensinaram-nos uma coisa:</p><p>Nada se perde, tudo se transforma. E onde não se pode abrir uma porta, entraremos por uma janela. Onde não nos podemos aproximar, encontramos outras formas de viver colados uns aos outros, alimentando-nos, nutrindo-nos com aqueles ingredientes que só se semeiam e só se colhem em campos onde há sempre 4 estações.</p><p>Despedimo-nos deste ano dizendo até já. O próximo ano será ainda melhor.</p>]]>
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      <pubDate>Wed, 22 Dec 2021 17:48:19 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Chave de ouro e balde na mão | T4 Ep14</title>
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      <pubDate>Wed, 15 Dec 2021 20:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Boca a Boca 71</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>Boca a Boca 71</p><p>Considerado um dos músicos mais alternativos de Chicago, Jim O'Rourke abria o seu album “Eureka,” de 1999 a cantar 16 vezes Women of the world take over, 'cause if you don’t the world will come to an end and it won’t take long.<br>22 anos mais tarde, ponho a tocar o álbum enquanto leio que, de acordo com as Nações Unidas, tendo em conta o actual quadro político mundial, apenas daqui a 130 anos conseguiremos alcançar uma verdadeira igualdade de género no topo da hierarquia política dos estados. E não será por certo por falta de mulheres no planeta, nem de oportunidades para fazer a diferença.<br>Durante a conferência mundial sobre clima (o COP26) nos passados meses de outubro e novembro, investigadores e cientistas concluíram que houve um aumento sem precedentes das temperaturas globais nos últimos 150 anos, devido à concentração de gases de estufa na atmosfera e ao consequente degelo polar. Fala-se em 7 anos no máximo para conseguirmos reverter o aquecimento global...<br>O ser humano consegue atingir velocidades estonteantes para certos progressos e exibir uma inércia obscena para tantos outros avanços. <br>Pergunto-me no meio disto qual o papel de um Teatro de uma cidade nestes balanços mundiais. Dar mais voz a artistas mulheres, como a Rafaela Santos, cofundadora e diretora da Amarelo Silvestre, companhia que nos apresenta este final de semana em Diário de uma República um olhar sobre os últimos 20 anos em Portugal? Ou como Sara Barros Leitão que na próxima semana tomará conta do nosso palco e da Meia Dose no Forum Viseu  para nos falar do primeiro sindicato das empregadas domésticas? Ensaiar novas formas de estar? Ou manter a funcionar as que já estavam a funcionar bem? E estariam a funcionar bem? Ou apenas nos agradavam por nos serem mais reconhecíveis, mais confortáveis? Como poderá um teatro contribuir para alterar ou menorizar este desequilíbrio do clima e de género, esta balança sempre a pesar para o mesmo lado e a obrigar a carroça a repetir as mesmas orientações para chegar à sua meta quando o caminho que percorre a leva para os tais 130 anos de atraso, para os tais 150 de velocidade destruidora, para um lugar que afinal, não escolheu querer chegar?<br>Continuo a ouvir Jim O’ Rourke e a pensar que nem sempre pensamos bem, nem sempre acertamos nas decisões que nos parecem mais acertadas, e que nesses momentos devemos ter a coragem de levantar os olhos do papel onde escrevemos as nossas obrigações e subir a visão acima dos pequenos desvios do quotidiano para ganharmos novos horizontes.<br>Jim o Rourke agora canta, em “Something Big”: Porque devo eu preencher a minha vida de pequenas coisas quando há tanta coisa grande que devo fazer, tantos sonhos que deveriam tornar-se realidade antes de morrer.<br>Conhecem o resto da letra? Ora ouçam.</p><p>Something Big<br>Like a grain of sand That wants to be A rolling stone I want to be the man I'm not, And have the things I really haven't got And that's a lot<br>There'll be joy And there'll be laughter. Something big is what I'm after now Yes, it's what I'm after now<br>After taking, take up giving, Something big is what I'm living for Yes, it's what I'm living for Living for<br>Why must I go on And fill my life with little things When there are big things I must do And lots of dreams That really should come true Before I'm through</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=1TVVQvk5KbM<br></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Boca a Boca 71</p><p>Considerado um dos músicos mais alternativos de Chicago, Jim O'Rourke abria o seu album “Eureka,” de 1999 a cantar 16 vezes Women of the world take over, 'cause if you don’t the world will come to an end and it won’t take long.<br>22 anos mais tarde, ponho a tocar o álbum enquanto leio que, de acordo com as Nações Unidas, tendo em conta o actual quadro político mundial, apenas daqui a 130 anos conseguiremos alcançar uma verdadeira igualdade de género no topo da hierarquia política dos estados. E não será por certo por falta de mulheres no planeta, nem de oportunidades para fazer a diferença.<br>Durante a conferência mundial sobre clima (o COP26) nos passados meses de outubro e novembro, investigadores e cientistas concluíram que houve um aumento sem precedentes das temperaturas globais nos últimos 150 anos, devido à concentração de gases de estufa na atmosfera e ao consequente degelo polar. Fala-se em 7 anos no máximo para conseguirmos reverter o aquecimento global...<br>O ser humano consegue atingir velocidades estonteantes para certos progressos e exibir uma inércia obscena para tantos outros avanços. <br>Pergunto-me no meio disto qual o papel de um Teatro de uma cidade nestes balanços mundiais. Dar mais voz a artistas mulheres, como a Rafaela Santos, cofundadora e diretora da Amarelo Silvestre, companhia que nos apresenta este final de semana em Diário de uma República um olhar sobre os últimos 20 anos em Portugal? Ou como Sara Barros Leitão que na próxima semana tomará conta do nosso palco e da Meia Dose no Forum Viseu  para nos falar do primeiro sindicato das empregadas domésticas? Ensaiar novas formas de estar? Ou manter a funcionar as que já estavam a funcionar bem? E estariam a funcionar bem? Ou apenas nos agradavam por nos serem mais reconhecíveis, mais confortáveis? Como poderá um teatro contribuir para alterar ou menorizar este desequilíbrio do clima e de género, esta balança sempre a pesar para o mesmo lado e a obrigar a carroça a repetir as mesmas orientações para chegar à sua meta quando o caminho que percorre a leva para os tais 130 anos de atraso, para os tais 150 de velocidade destruidora, para um lugar que afinal, não escolheu querer chegar?<br>Continuo a ouvir Jim O’ Rourke e a pensar que nem sempre pensamos bem, nem sempre acertamos nas decisões que nos parecem mais acertadas, e que nesses momentos devemos ter a coragem de levantar os olhos do papel onde escrevemos as nossas obrigações e subir a visão acima dos pequenos desvios do quotidiano para ganharmos novos horizontes.<br>Jim o Rourke agora canta, em “Something Big”: Porque devo eu preencher a minha vida de pequenas coisas quando há tanta coisa grande que devo fazer, tantos sonhos que deveriam tornar-se realidade antes de morrer.<br>Conhecem o resto da letra? Ora ouçam.</p><p>Something Big<br>Like a grain of sand That wants to be A rolling stone I want to be the man I'm not, And have the things I really haven't got And that's a lot<br>There'll be joy And there'll be laughter. Something big is what I'm after now Yes, it's what I'm after now<br>After taking, take up giving, Something big is what I'm living for Yes, it's what I'm living for Living for<br>Why must I go on And fill my life with little things When there are big things I must do And lots of dreams That really should come true Before I'm through</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=1TVVQvk5KbM<br></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 08 Dec 2021 21:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>O ser e a Diferença ou O Pão e as Abelhas | T4 Ep11</title>
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      <description>
        <![CDATA["É verdade que um grão de trigo habita alma infinita e que sem abelhas poderemos não subsistir. Se por um lado os autores destas frases (...) não podem reclamar a sua autoria, é certo que ambas os ultrapassaram e se tornaram conhecimento comum e mundano, (...) pertencendo-nos e obrigando-nos a ver o pão (e as abelhas!) por um novo prisma: pelo lado que nos alimenta e nos permite sobreviver".]]>
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      <pubDate>Wed, 01 Dec 2021 17:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>O meu caminho vai dar a Montemuro | T4 Ep10</title>
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        <![CDATA[Patrícia Portela fala de uma semana que começou com uma emocionante homenagem a Jorge Salavisa, vai ter o regresso ao palco do Teatro Viriato do coreógrafo Paulo Ribeiro e que, subitamente, é interrompida com a notícia do falecimento da Paula Teixeira, do Teatro Regional de Montemuro. E, por isso, esta crónica hoje é dedicada aos nossos parceiros de longa data, a toda a equipa do Teatro Regional da Serra de Montemuro. Não temos palavras para vos abraçar e, no entanto, é preciso escrever e dizer: Obrigada por tudo! Coragem para tudo! Que a tragédia nos ensine a não deixar para trás os projetos que ainda não conseguimos fazer já! Hoje, todos os caminhos vão dar a Montemuro, os da voz, os da memória e os do futuro. Pensamos em vós.]]>
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      <pubDate>Wed, 17 Nov 2021 17:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Haverá flores nas cidades do futuro? | T4 Ep9</title>
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        <![CDATA["Augusto Abelaira escreveu, em 1959, 'A Cidade das Flores', no qual, num futuro próximo, a Europa não sofreria com o fascismo… Passado em Florença, Abelaira denunciava o que se passava em Portugal para incitar uma geração à resistência e à luta ativa. Três gerações mais tarde, Joana Craveiro pega na obra de Abelaira e leva-a à cena no Teatro Viriato."]]>
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      <pubDate>Wed, 10 Nov 2021 17:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Mais planeta, menos cliques | T4 Ep8</title>
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        <![CDATA["Queremos resolver uma pandemia enquanto queremos melhorias económicas permanentes. Queremos aceder a tudo a toda a hora de forma gratuita e com a maior qualidade. Queremos água límpida nos nossos rios e cidades verdes ao mesmo tempo que nos queremos deslocar de automóvel até ao café. Temos acesso a tanto, quando a maioria do planeta não tem acesso nem a tratamento das águas, nem a ferramentas digitais decentes".]]>
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      <pubDate>Wed, 03 Nov 2021 17:19:27 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Praga Redux | T4 Ep7</title>
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        <![CDATA["Há múltiplas oportunidades de conhecer a arte e o engenho de alguns dos criadores mais multifacetados da nossa praça– com ou sem os filhos, ao final do dia ou pela hora do almoço, em registo teatral ou cinematográfico"]]>
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      <pubDate>Wed, 27 Oct 2021 17:00:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title> Fé nas ideias | T4 Ep6</title>
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        <![CDATA[<p>A história das ideias é a história dos corpos que se movem, que se alimentam e desesperam por causa delas. É a história do pensamento em dúvida. Em cheque. Por definir e em conflito antes de se tornar matéria e mutação. A história das ideias é história da fé no que ainda não existe, é a história de uma convicção cega no fazer, certos de que as ideias devem ser todas levadas a bom porto, transformadas em algo palpável, tangível, concreto, evidente, com data, hora e local marcado para acontecerem. Vivemos acreditando que uma ideia que não se concretiza em lei, edifício ou objeto, não pode ser bem uma ideia. Uma ideia tem de nos fazer sair do nosso lugar e contribuir para uma nova visão do mundo. Ou ser silenciada.</p><p>Mas as ideias também chegam de surpresa para nos fazerem questionar o sentido das coisas e as coisas que fazemos sem sentido, para nos lançarem desafios que não escolhemos, de forma consciente ou inconsciente, direta ou enigmática.</p><p>A história das ideias é a história do que nos persegue, do que nos motiva ou do que nos mantém à tona de água quando perdemos o pé. </p><p>A história das ideias é a história dos avanços e recuos que provocamos no mundo, os que premeditamos e os que sofremos por premeditação alheia. Talvez por isso seja tão importante não vivermos só com as nossas ideias. Talvez por isso seja crucial sairmos de casa para pensarmos com a cabeça dos outros, com as épocas dos outros, com as ideias, as trevas, mas também o brilho de outros - como Sófocles, Shakespeare, ou Dostoievski, os três grandes autores de «Édipo-Rei», «Hamlet» e «Irmãos Karamazov», as três obras-primas sobre a verdade da psique, como diria Sigmund Freud. </p><p>Será pensando nas ideias que ainda terei que sairei do meu lugar seguro onde escrevinho os meus apontamentos e sairei de casa para revisitar “Aleksei ou a Fé” de Sónia Barbosa, esta sexta e sábado, no Teatro Viriato. Sairei para me perguntar:</p><p>- Em que ideias vale a pena acreditar?</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>A história das ideias é a história dos corpos que se movem, que se alimentam e desesperam por causa delas. É a história do pensamento em dúvida. Em cheque. Por definir e em conflito antes de se tornar matéria e mutação. A história das ideias é história da fé no que ainda não existe, é a história de uma convicção cega no fazer, certos de que as ideias devem ser todas levadas a bom porto, transformadas em algo palpável, tangível, concreto, evidente, com data, hora e local marcado para acontecerem. Vivemos acreditando que uma ideia que não se concretiza em lei, edifício ou objeto, não pode ser bem uma ideia. Uma ideia tem de nos fazer sair do nosso lugar e contribuir para uma nova visão do mundo. Ou ser silenciada.</p><p>Mas as ideias também chegam de surpresa para nos fazerem questionar o sentido das coisas e as coisas que fazemos sem sentido, para nos lançarem desafios que não escolhemos, de forma consciente ou inconsciente, direta ou enigmática.</p><p>A história das ideias é a história do que nos persegue, do que nos motiva ou do que nos mantém à tona de água quando perdemos o pé. </p><p>A história das ideias é a história dos avanços e recuos que provocamos no mundo, os que premeditamos e os que sofremos por premeditação alheia. Talvez por isso seja tão importante não vivermos só com as nossas ideias. Talvez por isso seja crucial sairmos de casa para pensarmos com a cabeça dos outros, com as épocas dos outros, com as ideias, as trevas, mas também o brilho de outros - como Sófocles, Shakespeare, ou Dostoievski, os três grandes autores de «Édipo-Rei», «Hamlet» e «Irmãos Karamazov», as três obras-primas sobre a verdade da psique, como diria Sigmund Freud. </p><p>Será pensando nas ideias que ainda terei que sairei do meu lugar seguro onde escrevinho os meus apontamentos e sairei de casa para revisitar “Aleksei ou a Fé” de Sónia Barbosa, esta sexta e sábado, no Teatro Viriato. Sairei para me perguntar:</p><p>- Em que ideias vale a pena acreditar?</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 20 Oct 2021 17:00:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>"Em que ideias vale a pena acreditar?"</itunes:summary>
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      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>A presença e o presente | T4 Ep5</title>
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        <![CDATA[<p>O que fascinava Roland Barthes numa fotografia era o facto de tudo o que se via nela ter acontecido. Corpos reais em lugares reais cumprindo ações reais num tempo e espaço reais eram capturados por olhos mecânicos e podiam ser revisitados infinitamente quando só tinham acontecido uma vez. A fotografia repete na imagem aquilo que não se pode repetir na existência. É a presença da ausência, tal como os raios de luz de estrelas há muito emitidas no universo e só agora visíveis, diria Sontag. No século que inventou ao mesmo tempo a história e a fotografia, olhava-se para uma imagem fotográfica e sabia-se que determinada realidade já tinha existido.</p><p>Hoje não é bem assim. Hoje temos a manipulação da imagem e a sua transmissão e difusão em direto e em diferido, dentro e fora de contexto. Hoje temos o Deep Fake e a rede de histórias quotidianas que descrevem os nossos dias resulta da compra, venda, montagem e colagem de bocados de imagens, umas reais outras fabricadas, histórias que nos conduzem a viver por vezes mais do que uma vida em paralelo: a que o corpo sente e se obriga, voluntária ou involuntariamente, e a que construímos para nos mostrarmos aos outros.</p><p>Foi num tempo que tem na fotografia múltiplas realidades existentes e não existentes que uma pandemia ceifou a presença imediata nos palcos um pouco por todo o globo. E foi nesse mesmo contexto que Marco Martins convocou a fotografia enquanto memória e como presença de uma realidade só que já existiu (bem ao jeito de Roland Barthes em <em>Câmara Clara</em>) e criou a instalação “Natureza Fantasma” para a Companhia Maior.  </p><p>A Companhia Maior é um projeto de artes performativas desenvolvido por artistas séniores e que, anualmente, desde 2010, convida um artista ou um coletivo por ano a criar uma obra original  <strong>— </strong>Pedro Penim, Jorge de Andrade, Sofia Dias e Vítor Roriz, Mónica Calle, Joana Craveiro ou Tiago Rodrigues foram já alguns dos artistas convidados.</p><p>Em 2020 o convite foi endereçado a Marco Martins. E em março do mesmo ano, uma pandemia pôs em causa a natureza dos espetáculos ao vivo e considerou a maior idade um grupo de alto risco. As impossibilidades pareciam muitas e pertinentes, mas as questões que o projeto levantava, exigiam respostas mais urgentes: Que sociedade é esta que isola os mais velhos? Em que sociedade nos tornamos quando deixamos de velar os mortos? O que somos quando aceitamos a suspensão do tempo para que o tempo passe sem nós? E que espectáculo se pode fazer para continuar a convocar a presença no tempo presente? Até onde vai o compromisso, até onde pode ir a transformação de um objecto sem desvirtuar a vontade e a paixão que o originaram?</p><p>Marco Martins decide conversar. Decide descobrir e pensar as realidades de cada um dos seus intérpretes através de velhos álbuns de fotografias de família. Inicia um processo de combustão entre as histórias que ouve e as fotografias que todos podemos ver. Marco Martins converte memórias privadas em fantasmas coletivos e descobre o ouro indispensável de que as artes vivas são feitas: A presença no presente. A confusão, neste caso necessária, entre o Real e o Vivo. Através da emoção, da recordação e do encontro: com o passado, com os outros e com que ainda está para vir.</p><p>Afinal, ainda há muitas maneiras de se habitar um espaço que reclama distância. Há muitas formas de estarmos colados uns aos outros por corpos intangíveis e no entanto muito reais. A fotografia e a imagem em movimento são um encontro com esses corpos.</p><p>Tal como Roland Barthes olhava uma fotografia de 1852 do irmão mais novo de Napoleão e se deslumbrava com a ideia daquele olhar já ter olhado para o Imperador, também nós em “Natureza Fantasma” olhamos para pessoas que já olharam para os intérpretes e criadores desta peça, que já conviveram ou ainda convivem com quem tem agora voz nesta instalação.</p><p>Ou seja, Marco Martins reinventa a presença no teatro convocando a sua mais antiga missão: o ritual de passagem entre a vida e a morte através da convocação da presença dos nossos fantasmas. E tudo isto perante a ausência de um tempo de acção presente que se viveu em 2020 e 2021. Haverá algo mais crucial no Teatro do que a sua eterna relação com o culto da vida mas também da morte? </p><p><br></p><p>Foi uma felicidade do destino ver-me atravessada no percurso desta obra que me caiu no regaço quando cheguei ao Teatro Viriato. Aquilo que começou por ser uma co-produção que previa uma companhia com duas dezenas de actores em palco, transformou-se num clássico grego com centenas de figurantes e intérpretes que transformam a garagem no piso -3 do parque de estacionamento do Forum Viseu num anfiteatro no cume de uma montanha olímpica. É lá que assistimos à história de todos nós.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>O que fascinava Roland Barthes numa fotografia era o facto de tudo o que se via nela ter acontecido. Corpos reais em lugares reais cumprindo ações reais num tempo e espaço reais eram capturados por olhos mecânicos e podiam ser revisitados infinitamente quando só tinham acontecido uma vez. A fotografia repete na imagem aquilo que não se pode repetir na existência. É a presença da ausência, tal como os raios de luz de estrelas há muito emitidas no universo e só agora visíveis, diria Sontag. No século que inventou ao mesmo tempo a história e a fotografia, olhava-se para uma imagem fotográfica e sabia-se que determinada realidade já tinha existido.</p><p>Hoje não é bem assim. Hoje temos a manipulação da imagem e a sua transmissão e difusão em direto e em diferido, dentro e fora de contexto. Hoje temos o Deep Fake e a rede de histórias quotidianas que descrevem os nossos dias resulta da compra, venda, montagem e colagem de bocados de imagens, umas reais outras fabricadas, histórias que nos conduzem a viver por vezes mais do que uma vida em paralelo: a que o corpo sente e se obriga, voluntária ou involuntariamente, e a que construímos para nos mostrarmos aos outros.</p><p>Foi num tempo que tem na fotografia múltiplas realidades existentes e não existentes que uma pandemia ceifou a presença imediata nos palcos um pouco por todo o globo. E foi nesse mesmo contexto que Marco Martins convocou a fotografia enquanto memória e como presença de uma realidade só que já existiu (bem ao jeito de Roland Barthes em <em>Câmara Clara</em>) e criou a instalação “Natureza Fantasma” para a Companhia Maior.  </p><p>A Companhia Maior é um projeto de artes performativas desenvolvido por artistas séniores e que, anualmente, desde 2010, convida um artista ou um coletivo por ano a criar uma obra original  <strong>— </strong>Pedro Penim, Jorge de Andrade, Sofia Dias e Vítor Roriz, Mónica Calle, Joana Craveiro ou Tiago Rodrigues foram já alguns dos artistas convidados.</p><p>Em 2020 o convite foi endereçado a Marco Martins. E em março do mesmo ano, uma pandemia pôs em causa a natureza dos espetáculos ao vivo e considerou a maior idade um grupo de alto risco. As impossibilidades pareciam muitas e pertinentes, mas as questões que o projeto levantava, exigiam respostas mais urgentes: Que sociedade é esta que isola os mais velhos? Em que sociedade nos tornamos quando deixamos de velar os mortos? O que somos quando aceitamos a suspensão do tempo para que o tempo passe sem nós? E que espectáculo se pode fazer para continuar a convocar a presença no tempo presente? Até onde vai o compromisso, até onde pode ir a transformação de um objecto sem desvirtuar a vontade e a paixão que o originaram?</p><p>Marco Martins decide conversar. Decide descobrir e pensar as realidades de cada um dos seus intérpretes através de velhos álbuns de fotografias de família. Inicia um processo de combustão entre as histórias que ouve e as fotografias que todos podemos ver. Marco Martins converte memórias privadas em fantasmas coletivos e descobre o ouro indispensável de que as artes vivas são feitas: A presença no presente. A confusão, neste caso necessária, entre o Real e o Vivo. Através da emoção, da recordação e do encontro: com o passado, com os outros e com que ainda está para vir.</p><p>Afinal, ainda há muitas maneiras de se habitar um espaço que reclama distância. Há muitas formas de estarmos colados uns aos outros por corpos intangíveis e no entanto muito reais. A fotografia e a imagem em movimento são um encontro com esses corpos.</p><p>Tal como Roland Barthes olhava uma fotografia de 1852 do irmão mais novo de Napoleão e se deslumbrava com a ideia daquele olhar já ter olhado para o Imperador, também nós em “Natureza Fantasma” olhamos para pessoas que já olharam para os intérpretes e criadores desta peça, que já conviveram ou ainda convivem com quem tem agora voz nesta instalação.</p><p>Ou seja, Marco Martins reinventa a presença no teatro convocando a sua mais antiga missão: o ritual de passagem entre a vida e a morte através da convocação da presença dos nossos fantasmas. E tudo isto perante a ausência de um tempo de acção presente que se viveu em 2020 e 2021. Haverá algo mais crucial no Teatro do que a sua eterna relação com o culto da vida mas também da morte? </p><p><br></p><p>Foi uma felicidade do destino ver-me atravessada no percurso desta obra que me caiu no regaço quando cheguei ao Teatro Viriato. Aquilo que começou por ser uma co-produção que previa uma companhia com duas dezenas de actores em palco, transformou-se num clássico grego com centenas de figurantes e intérpretes que transformam a garagem no piso -3 do parque de estacionamento do Forum Viseu num anfiteatro no cume de uma montanha olímpica. É lá que assistimos à história de todos nós.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 13 Oct 2021 10:00:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Tristany acorda-nos | T4 Ep4</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>Enquanto um estudo de dois anos intitulado Pandora Papers, envolvendo 600 jornalistas em 117 países, revela a riqueza oculta de centenas de líderes e celebridades mundiais, António Saraiva, Presidente da Confederação Empresarial Portuguesa considera irracional o plano do Governo Português de aumentar o salário mínimo em 2022 para 705€.</p><p>Enquanto se discute a irracionalidade de aumentar um salário tão mínimo, professores de todo o país escolhem leccionar no Algarve na esperança de entrarem mais cedo para os quadros, e alugam quartos minúsculos por preços absurdos com a garantia de serem despejados antes de cada verão para que os seus senhorios ganhem o dobro alugando-o a turistas.</p><p>Enquanto os senhorios aproveitam as últimas semanas para albergarem os turistas que agora enchem os aeroportos e cumprem as city trips em falta, centenas de pessoas no aeroporto de Cabul já correram atrás de aviões que descolaram sem lhes abrirem as portas. Enquanto a Europa continua a discutir se deve ou não abandonar o Afeganistão à sua sorte uma explosão junto à mesquita de Cabul faz cinco mortos  e um estudo das Nações Unidas denuncia que apenas 5% da população afegã consegue pôr comida no prato todos os dias. Enquanto uns não conseguem pôr comida no prato com o salário que têm, outros esquecem-se da vida que levam assistindo à final do campeonato de Futsal de onde saem campeões mundiais ou ao último James Bond com Daniel Craig no papel principal, um filme que celebra uma era que teima em não se finar. Enquanto uns fazem o que outros desfazem, e uns têm a mais e outros nada terão, passa mais um fim- de-semana. </p><p>O fim-de-semana em que fui ao Teatro ver Tristany pela primeira vez ao vivo. </p><p>Em palco, na companhia de mais quatro músicos, Tristany habitou Viseu como se viajasse pela linha de Sintra. Puxou a meia por cima da calça, abraçou os seus parceiros como se fosse um fauno, cantou de pé, de costas, de cócoras, sentado no chão do palco, ouvindo os outros tocar e enquanto cantava perguntou-nos: </p><p>Vocês acordaram hoje com vocês? E o sol? Acordou com vocês hoje? </p><p><br>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Enquanto um estudo de dois anos intitulado Pandora Papers, envolvendo 600 jornalistas em 117 países, revela a riqueza oculta de centenas de líderes e celebridades mundiais, António Saraiva, Presidente da Confederação Empresarial Portuguesa considera irracional o plano do Governo Português de aumentar o salário mínimo em 2022 para 705€.</p><p>Enquanto se discute a irracionalidade de aumentar um salário tão mínimo, professores de todo o país escolhem leccionar no Algarve na esperança de entrarem mais cedo para os quadros, e alugam quartos minúsculos por preços absurdos com a garantia de serem despejados antes de cada verão para que os seus senhorios ganhem o dobro alugando-o a turistas.</p><p>Enquanto os senhorios aproveitam as últimas semanas para albergarem os turistas que agora enchem os aeroportos e cumprem as city trips em falta, centenas de pessoas no aeroporto de Cabul já correram atrás de aviões que descolaram sem lhes abrirem as portas. Enquanto a Europa continua a discutir se deve ou não abandonar o Afeganistão à sua sorte uma explosão junto à mesquita de Cabul faz cinco mortos  e um estudo das Nações Unidas denuncia que apenas 5% da população afegã consegue pôr comida no prato todos os dias. Enquanto uns não conseguem pôr comida no prato com o salário que têm, outros esquecem-se da vida que levam assistindo à final do campeonato de Futsal de onde saem campeões mundiais ou ao último James Bond com Daniel Craig no papel principal, um filme que celebra uma era que teima em não se finar. Enquanto uns fazem o que outros desfazem, e uns têm a mais e outros nada terão, passa mais um fim- de-semana. </p><p>O fim-de-semana em que fui ao Teatro ver Tristany pela primeira vez ao vivo. </p><p>Em palco, na companhia de mais quatro músicos, Tristany habitou Viseu como se viajasse pela linha de Sintra. Puxou a meia por cima da calça, abraçou os seus parceiros como se fosse um fauno, cantou de pé, de costas, de cócoras, sentado no chão do palco, ouvindo os outros tocar e enquanto cantava perguntou-nos: </p><p>Vocês acordaram hoje com vocês? E o sol? Acordou com vocês hoje? </p><p><br>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 06 Oct 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Patrícia Portela fala dos que tudo têm aos que acordam todos os dias sem que possam levantar-se do chão. E pelo meio, sobe ao comboio da periferia de Tristany, artista-cidadão capaz de nos oferecer uma outra alvorada.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Patrícia Portela fala dos que tudo têm aos que acordam todos os dias sem que possam levantar-se do chão. E pelo meio, sobe ao comboio da periferia de Tristany, artista-cidadão capaz de nos oferecer uma outra alvorada.</itunes:subtitle>
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      <title>Já não chega só fazer teatro | T4 Ep3</title>
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        <![CDATA[<p>Na passada sexta-feira recebemos <em>Paisagens para não colorir,</em> do grupo La-Resentida com encenação de Marco Layera, a partir das histórias e entrevistas realizadas a 170 adolescentes vítimas de violência nas ruas do Chile. No palco, nove adolescentes entravam em cena. E, o espetáculo começava assim:</p><p>“Temos entre 14 e 17 anos. Somos nove e entre todas há: Uma que dorme com um peluche. Seis que não acreditam em Deus. Cinco que já pensaram em suicidar-se. Uma que nunca deu um beijo. Três que já tiveram relações sexuais. Uma que viu o pai cuspir na mãe. Duas que foram ameaçadas de morte no <em>thiscrush.com</em>. Uma que abortou com misotrol. Sete que foram vítimas de bullying. Nove que marcharam no 8 de março. Cinco que foram agredidas físicamente pelos pais. Nove que sofreram de assédio na rua. Nove que foram chamadas de puta. Nove que querem deixar de ser invisíveis. Nove que precisam urgentemente de ser ouvidas.”</p><p>“A realidade é excessiva”. E, contra ou a favor da realidade, “já não chega só fazer teatro”, afirma o encenador desta peça. Se fazemos uma peça sobre uma comunidade que não vem ao teatro, fazemos esta peça para quem? E, para quê? </p><p>A pergunta ecoou por toda a sala durante todo o espetáculo. A pergunta fazia ricochete e cada espectador se perguntou, certamente? Porque vimos ao teatro, porque estamos sentados a ver este espetáculo? Para que serve estarmos a ver este espetáculo e o que vamos fazer depois de o ter visto? Não chega só ver teatro e reconhecer em cada cena algo que já presenciámos, que sabemos que existe, que sabemos que se perpetua, que, quem sabe, também perpetuamos ou justificamos.</p><p>A certa altura em cena um técnico da companhia faz de Pai e lê um jornal enquanto a filha grita: Papá, ouve-me! Papá ouve-me! Papá ouve-me! Cada vez mais alto. </p><p>Não há resposta.</p><p>Do outro lado, na plateia, nós, que já fomos todas filhas, algumas são mães, a grande maioria nesta sala adultas, todas nós já nos vimos em situações semelhantes. A de não sermos ouvidas, mas também a de não ouvirmos. E, já não chega termos voz. Já não chega termos consciência dos nossos erros. Já não chega fazermos teatro, irmos ao teatro. Mas é sem dúvida um princípio fundamental. O começo de uma viagem através de um encontro, através de uma partilha para que todas e todos, juntos, lutemos por um lugar mais igualitário, mais livre, mais democrático, mais empático, mais justo. Assim o fizemos na passada sexta-feira, numa sala quase esgotada. A ovação de pé que se ouviu soou a pacto. Ninguém se vai calar, até que o último lugar na Terra seja o melhor lugar.</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Na passada sexta-feira recebemos <em>Paisagens para não colorir,</em> do grupo La-Resentida com encenação de Marco Layera, a partir das histórias e entrevistas realizadas a 170 adolescentes vítimas de violência nas ruas do Chile. No palco, nove adolescentes entravam em cena. E, o espetáculo começava assim:</p><p>“Temos entre 14 e 17 anos. Somos nove e entre todas há: Uma que dorme com um peluche. Seis que não acreditam em Deus. Cinco que já pensaram em suicidar-se. Uma que nunca deu um beijo. Três que já tiveram relações sexuais. Uma que viu o pai cuspir na mãe. Duas que foram ameaçadas de morte no <em>thiscrush.com</em>. Uma que abortou com misotrol. Sete que foram vítimas de bullying. Nove que marcharam no 8 de março. Cinco que foram agredidas físicamente pelos pais. Nove que sofreram de assédio na rua. Nove que foram chamadas de puta. Nove que querem deixar de ser invisíveis. Nove que precisam urgentemente de ser ouvidas.”</p><p>“A realidade é excessiva”. E, contra ou a favor da realidade, “já não chega só fazer teatro”, afirma o encenador desta peça. Se fazemos uma peça sobre uma comunidade que não vem ao teatro, fazemos esta peça para quem? E, para quê? </p><p>A pergunta ecoou por toda a sala durante todo o espetáculo. A pergunta fazia ricochete e cada espectador se perguntou, certamente? Porque vimos ao teatro, porque estamos sentados a ver este espetáculo? Para que serve estarmos a ver este espetáculo e o que vamos fazer depois de o ter visto? Não chega só ver teatro e reconhecer em cada cena algo que já presenciámos, que sabemos que existe, que sabemos que se perpetua, que, quem sabe, também perpetuamos ou justificamos.</p><p>A certa altura em cena um técnico da companhia faz de Pai e lê um jornal enquanto a filha grita: Papá, ouve-me! Papá ouve-me! Papá ouve-me! Cada vez mais alto. </p><p>Não há resposta.</p><p>Do outro lado, na plateia, nós, que já fomos todas filhas, algumas são mães, a grande maioria nesta sala adultas, todas nós já nos vimos em situações semelhantes. A de não sermos ouvidas, mas também a de não ouvirmos. E, já não chega termos voz. Já não chega termos consciência dos nossos erros. Já não chega fazermos teatro, irmos ao teatro. Mas é sem dúvida um princípio fundamental. O começo de uma viagem através de um encontro, através de uma partilha para que todas e todos, juntos, lutemos por um lugar mais igualitário, mais livre, mais democrático, mais empático, mais justo. Assim o fizemos na passada sexta-feira, numa sala quase esgotada. A ovação de pé que se ouviu soou a pacto. Ninguém se vai calar, até que o último lugar na Terra seja o melhor lugar.</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 29 Sep 2021 16:00:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Patrícia Portela olha a realidade a partir do lugar de espectadora. Porque muitas vezes o excesso de real toma conta do palco e interroga-nos: e tu, o que é que fazes pela tua comunidade depois de saíres desta sala? Mais do que responder, perguntar. Perguntar. Perguntar.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Patrícia Portela olha a realidade a partir do lugar de espectadora. Porque muitas vezes o excesso de real toma conta do palco e interroga-nos: e tu, o que é que fazes pela tua comunidade depois de saíres desta sala? Mais do que responder, perguntar. Pergu</itunes:subtitle>
      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>MEIA DOSE, Menus inteiros, almas preenchidas | T4 Ep2</title>
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        <![CDATA[<p>Começámos a nossa temporada de braço dado com o Dino D’Santiago. Ao primeiro segundo estávamos de pé, ao segundo estávamos a dançar, ao terceiro estávamos a gritar com ele:</p><p>Saibamos ser Nós!</p><p>Se nos estivéssemos esquecido do que era estar numa plateia, do que era sentir esta ligação inesperada através da música e da energia que cresce quando estamos todos juntos a partilhar um concerto ou um espectáculo, Dino D’Santiago fez arrepiar uma sala inteira que, com ele, celebrou estar vivo no Teatro Viriato. Não poderíamos começar melhor. Talvez por isso tenhamos sido ambiciosos e tenhamos subido a parada. E decidimos dar o braço ao FORUM Viseu e ocupar temporariamente uma loja no seu piso 0 entre o fitness e o supermercado, para marcarmos encontros fora de horas e fora da nossa casa com os nossos espectadores. Como explicar o que é esta MEIA DOSE que abrimos já quarta-feira pelas 12h30?</p><p>Imaginem que, como sempre, vamos a correr ao supermercado para comprar algo embalado, que vamos comer a correr, sentados num banco do centro comercial, enquanto, também a correr, espreitamos nos nossos telemóveis as últimas notícias que já conhecemos. Imaginem que nessa pausa, em vez de nos perdermos mais uma vez nos comentários das redes sociais, ou de continuarmos a matutar naquele documento que já não conseguimos (re)ler…. Imaginem que nesse curto espaço de tempo de paragem no dia podemos assistir a um miniconcerto, ou ouvir uma pequena conversa, ver um filme que está a passar na nossa loja, ouvir os contos que acompanham a exposição dos desenhos dos telões de Alice Geirinhas, Bárbara Assis Pacheco e Pedro Vieira que desenharam as imagens das nossas três temporadas?  Ou que espreitamos um livro que desconhecíamos e nos sentamos nos belos assentos da Movecho de uma sala acolhedoramente decorada para nos receber?</p><p>É tudo isto o nosso novo espaço! Entre setembro e dezembro a MEIA DOSE estará aberta a todos os visitantes de quarta a domingo, entre as 12h e as 18h. Durante esse período poderá descansar no nosso espaço, ver a nossa exposição, assistir a um vídeo ou ouvir um conto, falar com um dos membros do Teatro Viriato presentes no espaço, consultar a nossa programação, ou só sentar-se para respirar e descansar, ou ainda, acompanhar a nossa programação gratuita elaborada de surpresa e com todo o carinho pelos artistas desta temporada, especialmente para si, que vai a passar, na sua azáfama, e se deixa surpreender por aqueles que desejam conhecê-lo, ou conhecê-la e actuar para si. Porque sim. Porque o encontro e a presença são a maior dádiva que se leva desta vida. São as musas que nos fazem aguentar os dias.</p><p>Tudo pode acontecer a cada semana. Para participar, basta lá passar à hora combinada...e entrar! Contamos com a sua visita?</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Começámos a nossa temporada de braço dado com o Dino D’Santiago. Ao primeiro segundo estávamos de pé, ao segundo estávamos a dançar, ao terceiro estávamos a gritar com ele:</p><p>Saibamos ser Nós!</p><p>Se nos estivéssemos esquecido do que era estar numa plateia, do que era sentir esta ligação inesperada através da música e da energia que cresce quando estamos todos juntos a partilhar um concerto ou um espectáculo, Dino D’Santiago fez arrepiar uma sala inteira que, com ele, celebrou estar vivo no Teatro Viriato. Não poderíamos começar melhor. Talvez por isso tenhamos sido ambiciosos e tenhamos subido a parada. E decidimos dar o braço ao FORUM Viseu e ocupar temporariamente uma loja no seu piso 0 entre o fitness e o supermercado, para marcarmos encontros fora de horas e fora da nossa casa com os nossos espectadores. Como explicar o que é esta MEIA DOSE que abrimos já quarta-feira pelas 12h30?</p><p>Imaginem que, como sempre, vamos a correr ao supermercado para comprar algo embalado, que vamos comer a correr, sentados num banco do centro comercial, enquanto, também a correr, espreitamos nos nossos telemóveis as últimas notícias que já conhecemos. Imaginem que nessa pausa, em vez de nos perdermos mais uma vez nos comentários das redes sociais, ou de continuarmos a matutar naquele documento que já não conseguimos (re)ler…. Imaginem que nesse curto espaço de tempo de paragem no dia podemos assistir a um miniconcerto, ou ouvir uma pequena conversa, ver um filme que está a passar na nossa loja, ouvir os contos que acompanham a exposição dos desenhos dos telões de Alice Geirinhas, Bárbara Assis Pacheco e Pedro Vieira que desenharam as imagens das nossas três temporadas?  Ou que espreitamos um livro que desconhecíamos e nos sentamos nos belos assentos da Movecho de uma sala acolhedoramente decorada para nos receber?</p><p>É tudo isto o nosso novo espaço! Entre setembro e dezembro a MEIA DOSE estará aberta a todos os visitantes de quarta a domingo, entre as 12h e as 18h. Durante esse período poderá descansar no nosso espaço, ver a nossa exposição, assistir a um vídeo ou ouvir um conto, falar com um dos membros do Teatro Viriato presentes no espaço, consultar a nossa programação, ou só sentar-se para respirar e descansar, ou ainda, acompanhar a nossa programação gratuita elaborada de surpresa e com todo o carinho pelos artistas desta temporada, especialmente para si, que vai a passar, na sua azáfama, e se deixa surpreender por aqueles que desejam conhecê-lo, ou conhecê-la e actuar para si. Porque sim. Porque o encontro e a presença são a maior dádiva que se leva desta vida. São as musas que nos fazem aguentar os dias.</p><p>Tudo pode acontecer a cada semana. Para participar, basta lá passar à hora combinada...e entrar! Contamos com a sua visita?</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 22 Sep 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>"Não poderíamos começar melhor. Talvez por isso tenhamos sido ambiciosos e tenhamos subido a parada".</itunes:summary>
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      <title>Ser e não estar? Estar e não ser? | T4 Ep1</title>
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        <![CDATA[<p>Ser e não estar? Estar e não ser?  </p><p>Por Patrícia Portela </p><p> </p><p>Ser ou não ser,  </p><p>Estar ou não estar </p><p>Ser mas não estar </p><p>Estar sem o ser. </p><p>Hoje estamos ausentes na presença, ligados à corrente, ao telemóvel, à plataforma digital que nos deixa cumprir o horário de trabalho no local da família e do lazer. </p><p>E estamos presentes na ausência, relembrados pelas cadeiras vazias em teatros e cinemas, em jantares e aniversários. Passamos o tempo a pensar que queríamos estar noutro lado, porque longe daqueles que amamos e que estão doentes. Distantes. </p><p> </p><p>Ser e não estar </p><p>Estar sem o ser,  </p><p>Será mais nobre aceitar o infortúnio, resignada. </p><p>Ou insurgir-me contra as provocações e os impropérios, contra as injustiças e as desigualdades? </p><p>Estaremos mais à altura quando vamos à luta </p><p>Ou quando, imóveis, decidimos pôr fim à angústia com o sono, empurrando a dor para o dia seguinte, até à morte? </p><p>Dormir, talvez sonhar, com a presença dos ausentes,  </p><p>Com a ausência de um contágio que não convidámos a entrar no nosso estar. </p><p>Ser e não ser </p><p>Estar e não estar. </p><p> </p><p>Este trimestre convocamos a sua presença - física, grande, pronta, decidida, de todo o ser - no nosso teatro. Queremos ouvir a plateia, aplaudindo, pateando, discordando, acrescentando, sempre, a tudo o que apresentamos. </p><p>Queremos saber a altura e o cheiro do nosso público, como se ri, como entra na sala, se sai a correr ou se fica para conhecer os artistas e dar a sua opinião. </p><p>Queremos conversar. Através da arte e através do encontro, antes e depois de cada espetáculo. <br> Porque são as cogitações que constroem os obstáculos e a melancolia, a vontade de escapar ao tumulto da existência através do repouso e da morte. Mas também são, na presença de outro, daquele que de nós difere, o que nos acorda, o que nos faz amenizar o cenário mais negro, o que nos dá coragem para enfrentar todos os males, a irrisão do mundo, </p><p>O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso, o desprezo do amor, a insolência oficial, as dilações da lei, a impaciência dos tempos, o mérito imerecido dos traidores. </p><p>É o pensamento que nos acobarda perante a possibilidade da morte, e é esse medo, na companhia de outros que connosco partilham tantas ansiedades, o que nos conduz à possibilidade da ação. </p><p>O teatro é esse lugar onde todas as noites se está para se poder ser, e onde se é tanta coisa, quando não se pode estar em mais lado nenhum. </p><p><br></p><p>Ação, Palavra, Missão. É esta a nossa questão! </p><p>Consulte toda a programação desta nova temporada do Teatro Viriato nos locais habituais. E pode procurar-nos, queremos a vossa presença nas perguntas e nas respostas.</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Ser e não estar? Estar e não ser?  </p><p>Por Patrícia Portela </p><p> </p><p>Ser ou não ser,  </p><p>Estar ou não estar </p><p>Ser mas não estar </p><p>Estar sem o ser. </p><p>Hoje estamos ausentes na presença, ligados à corrente, ao telemóvel, à plataforma digital que nos deixa cumprir o horário de trabalho no local da família e do lazer. </p><p>E estamos presentes na ausência, relembrados pelas cadeiras vazias em teatros e cinemas, em jantares e aniversários. Passamos o tempo a pensar que queríamos estar noutro lado, porque longe daqueles que amamos e que estão doentes. Distantes. </p><p> </p><p>Ser e não estar </p><p>Estar sem o ser,  </p><p>Será mais nobre aceitar o infortúnio, resignada. </p><p>Ou insurgir-me contra as provocações e os impropérios, contra as injustiças e as desigualdades? </p><p>Estaremos mais à altura quando vamos à luta </p><p>Ou quando, imóveis, decidimos pôr fim à angústia com o sono, empurrando a dor para o dia seguinte, até à morte? </p><p>Dormir, talvez sonhar, com a presença dos ausentes,  </p><p>Com a ausência de um contágio que não convidámos a entrar no nosso estar. </p><p>Ser e não ser </p><p>Estar e não estar. </p><p> </p><p>Este trimestre convocamos a sua presença - física, grande, pronta, decidida, de todo o ser - no nosso teatro. Queremos ouvir a plateia, aplaudindo, pateando, discordando, acrescentando, sempre, a tudo o que apresentamos. </p><p>Queremos saber a altura e o cheiro do nosso público, como se ri, como entra na sala, se sai a correr ou se fica para conhecer os artistas e dar a sua opinião. </p><p>Queremos conversar. Através da arte e através do encontro, antes e depois de cada espetáculo. <br> Porque são as cogitações que constroem os obstáculos e a melancolia, a vontade de escapar ao tumulto da existência através do repouso e da morte. Mas também são, na presença de outro, daquele que de nós difere, o que nos acorda, o que nos faz amenizar o cenário mais negro, o que nos dá coragem para enfrentar todos os males, a irrisão do mundo, </p><p>O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso, o desprezo do amor, a insolência oficial, as dilações da lei, a impaciência dos tempos, o mérito imerecido dos traidores. </p><p>É o pensamento que nos acobarda perante a possibilidade da morte, e é esse medo, na companhia de outros que connosco partilham tantas ansiedades, o que nos conduz à possibilidade da ação. </p><p>O teatro é esse lugar onde todas as noites se está para se poder ser, e onde se é tanta coisa, quando não se pode estar em mais lado nenhum. </p><p><br></p><p>Ação, Palavra, Missão. É esta a nossa questão! </p><p>Consulte toda a programação desta nova temporada do Teatro Viriato nos locais habituais. E pode procurar-nos, queremos a vossa presença nas perguntas e nas respostas.</p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 15 Sep 2021 17:21:23 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:subtitle>"Este trimestre convocamos a sua presença - física, grande, pronta, decidida, de todo o ser - no nosso teatro. Queremos ouvir a plateia, aplaudindo, pateando, discordando, acrescentando, sempre, a tudo o que apresentamos."</itunes:subtitle>
      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Um fémur curado ou a selva | T3 Ep25</title>
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      <podcast:episode>58</podcast:episode>
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        <![CDATA[<p>E sem querer, lá estamos nós a chegar, de novo, ao fim de mais uma temporada.</p><p>Mais uma semana e agosto entra-nos pela vida adentro, passará provavelmente a correr, e em setembro cá estaremos a reabrir portas, como se tudo pudesse sempre recomeçar mais uma vez. </p><p>E o estranho é que pode. </p><p>E o mais estranho ainda é que isso é tendencialmente bom.</p><p>Agarramo-nos tanto à incapacidade de previsão como forma de estar nos dias e esquecemo-nos de que o quotidiano é circular. </p><p>Vivemos por ciclos, e necessitamos tanto de pousio como de aceleração. </p><p>Se somos um bicho que pensa e que progride, não é porque somos capazes de inventar a agulha, ou a roda, ou até mesmo construir asas para voar, mas porque temos a capacidade de parar, de esperar pelos outros que não são tão rápidos nem tão ágeis como nós. É porque acompanhamos aqueles que são dependentes de nós, aqueles que sem nós ficam para trás, não crescem, não chegam mais longe, que somos um bicho que progride e que pensa. </p><p>Há poucos dias, em conversa com a Teresa Martins Marques, presidente do Pen Clube Português, associação de poetas, ensaístas e narradores, ela dizia-me: já pensou que chegámos aqui porque somos seres sensíveis e não porque somos fortes? Já pensou que um animal selvagem que parta um fémur não sobrevive o tempo suficiente para o curar porque é deixado para trás e não chega a recuperar? Sem outro animal que o ajude, não poderá fugir do perigo, não poderá caçar e saciar a fome, será presa fácil para os seus predadores. Já pensou que o primeiro sinal de civilização é um fémur partido curado? Porque para curar um fémur é preciso ter alguém ao nosso lado que cuide de nós, que nos dê tempo para ficarmos quietos até o osso se voltar a colar.</p><p>“Ajudar alguém a passar por uma dificuldade (durante o tempo que for preciso) é o ponto de partida para a civilização”, diz também a antropóloga Margaret Mead. Se tivéssemos todos seguido a lei da selva, o salve-se quem puder, já há muito que não teríamos futuro. Preocupados apenas connosco, teríamos deixado para trás os mais novos.</p><p>A civilização não sobreviveu à conta dos princípios que hoje teima em promover e em seguir, enquanto o coração lhe pede e faz o contrário - pensei eu. A velocidade, a competição, a ansiedade, o controlo, a agressão, a maldita vontade de saber já como se chega ao fim, para que se chega ao fim, qual é o fim...</p><p>Volto a pensar no querido mês de agosto e penso que é um mês de cura. Como um animal-tempo gigante que nos desacelera.</p><p>Não deve haver ser humano neste planeta que, no decorrer deste longo inverno de 2020 e 2021 não tenha já partido um ou dois fémures pelo caminho. </p><p>Não deve haver ser humano que, mesmo todo partido e sem se permitir parar, não tenha tentado, em vão e já sem pernas, curar o próximo com as ferramentas que já não tem à mão.</p><p>Não deve haver ser humano neste planeta que não necessite de tempo para colar os ossos, enquanto o mar lambe as feridas que depois devem secar ao sol. </p><p>Não deve haver ser humano que não caia, ao fim da sua temporada, e que, depois de parar, não se levante outra vez, como se nada fosse, pronto para recomeçar tudo outra vez.</p><p>É o que contamos fazer neste próximo mês. </p><p>Vamos para casa sarar os fémures, para depois regressarmos, de corpo inteiro, e em muito boa forma, para as próximas caminhadas. Até já!</p><p><br></p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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        <![CDATA[<p>E sem querer, lá estamos nós a chegar, de novo, ao fim de mais uma temporada.</p><p>Mais uma semana e agosto entra-nos pela vida adentro, passará provavelmente a correr, e em setembro cá estaremos a reabrir portas, como se tudo pudesse sempre recomeçar mais uma vez. </p><p>E o estranho é que pode. </p><p>E o mais estranho ainda é que isso é tendencialmente bom.</p><p>Agarramo-nos tanto à incapacidade de previsão como forma de estar nos dias e esquecemo-nos de que o quotidiano é circular. </p><p>Vivemos por ciclos, e necessitamos tanto de pousio como de aceleração. </p><p>Se somos um bicho que pensa e que progride, não é porque somos capazes de inventar a agulha, ou a roda, ou até mesmo construir asas para voar, mas porque temos a capacidade de parar, de esperar pelos outros que não são tão rápidos nem tão ágeis como nós. É porque acompanhamos aqueles que são dependentes de nós, aqueles que sem nós ficam para trás, não crescem, não chegam mais longe, que somos um bicho que progride e que pensa. </p><p>Há poucos dias, em conversa com a Teresa Martins Marques, presidente do Pen Clube Português, associação de poetas, ensaístas e narradores, ela dizia-me: já pensou que chegámos aqui porque somos seres sensíveis e não porque somos fortes? Já pensou que um animal selvagem que parta um fémur não sobrevive o tempo suficiente para o curar porque é deixado para trás e não chega a recuperar? Sem outro animal que o ajude, não poderá fugir do perigo, não poderá caçar e saciar a fome, será presa fácil para os seus predadores. Já pensou que o primeiro sinal de civilização é um fémur partido curado? Porque para curar um fémur é preciso ter alguém ao nosso lado que cuide de nós, que nos dê tempo para ficarmos quietos até o osso se voltar a colar.</p><p>“Ajudar alguém a passar por uma dificuldade (durante o tempo que for preciso) é o ponto de partida para a civilização”, diz também a antropóloga Margaret Mead. Se tivéssemos todos seguido a lei da selva, o salve-se quem puder, já há muito que não teríamos futuro. Preocupados apenas connosco, teríamos deixado para trás os mais novos.</p><p>A civilização não sobreviveu à conta dos princípios que hoje teima em promover e em seguir, enquanto o coração lhe pede e faz o contrário - pensei eu. A velocidade, a competição, a ansiedade, o controlo, a agressão, a maldita vontade de saber já como se chega ao fim, para que se chega ao fim, qual é o fim...</p><p>Volto a pensar no querido mês de agosto e penso que é um mês de cura. Como um animal-tempo gigante que nos desacelera.</p><p>Não deve haver ser humano neste planeta que, no decorrer deste longo inverno de 2020 e 2021 não tenha já partido um ou dois fémures pelo caminho. </p><p>Não deve haver ser humano que, mesmo todo partido e sem se permitir parar, não tenha tentado, em vão e já sem pernas, curar o próximo com as ferramentas que já não tem à mão.</p><p>Não deve haver ser humano neste planeta que não necessite de tempo para colar os ossos, enquanto o mar lambe as feridas que depois devem secar ao sol. </p><p>Não deve haver ser humano que não caia, ao fim da sua temporada, e que, depois de parar, não se levante outra vez, como se nada fosse, pronto para recomeçar tudo outra vez.</p><p>É o que contamos fazer neste próximo mês. </p><p>Vamos para casa sarar os fémures, para depois regressarmos, de corpo inteiro, e em muito boa forma, para as próximas caminhadas. Até já!</p><p><br></p><p>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
      </content:encoded>
      <pubDate>Wed, 21 Jul 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Já fui ao Brasil, Goa e Macau... | T3 Ep25</title>
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        <![CDATA[<p>Este mês já estive em Barcelona, em São Francisco, em Oslo, nas Fontainhas, no Porto, e no Bairro da Boa Morte, em São Tomé. Conheci o Bendik a tocar saxofone, a Dasha a desafiar o real, o Heine a encontrar teatro nos gestos do quotidiano, a Aurora a posar para um cartaz cheio de gente e o Costa a dar os seus primeiros passos no grande mundo multimédia ao lado do nosso Tomás. E tudo isto só porque vou ao teatro. E tudo isto sem sair de Viseu.<br>O ser humano tem esta capacidade extraordinária de fintar os seus limites e de saciar a sua curiosidade, reinventando sempre o lugar onde está mesmo quando dele não pode sair. Talvez por isso me pareça tão estranho aceitarmos tão passivamente o sedentarismo, quando a cabeça passa a vida a querer viajar e se sente sempre mais confortável a descobrir que a repetir. Não vos parece ignóbil ficar fechado num quarto agarrado a um ecrã (provavelmente a seguir as notícias do que se passa lá fora), quando qualquer outro lugar do planeta está à distância de um abrir de um trinco da porta e a um passo lá para fora? <br>Há uns anos, apresentei no Teatro Viriato a «Anita Vai a Nada» ao lado de Cláudia Jardim. Apresentámos o espetáculo para todo o tipo de públicos e fizemos workshops para umas boas centenas de alunos do ensino básico. Começávamos o workshop sempre com o mesmo exercício: escrever num papel as 3 coisas que gostavam mais de fazer. A maioria dos participantes, entre os 9 e os 13 anos respondia: play station 1, play station 2, ver televisão! <br>A última sessão foi com as meninas da Casa da Aguieira, um projeto alternativo de acolhimento de meninas que cometeram crimes ainda na sua adolescência. Nós não sabíamos quem eram nem de onde vinham, estranhámos apenas serem só meninas. Todas elas escreveram no seu top: passear na praia e sentir a brisa na cara; ir a casa almoçar com a minha avó; viajar, correr na floresta.<br>Naquele workshop fizemos tudo isso. Viajámos, fomos à praia, escrevemos cartas às avós. Eu e a Jardim ainda fizemos uma promessa. A de nunca transformarmos o que fazemos numa prisão, mas num trampolim para cumprir todas as causas e satisfazer todas as curiosidades. <br>Hoje, depois de terminar esta crónica, ainda vou a São Tomé de novo, onde se iniciou o projeto do Retiro da Boa Morte, e ainda passo por Moimenta da Beira, para congeminar novas ideias, e regresso ao Porto, mas só pelo telefone, e talvez adormeça a sonhar com o Atlântico, ali para os lados do Guincho. E tudo porque vou ao Teatro, no Largo Mouzinho de Albuquerque, em Viseu. </p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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        <![CDATA[<p>Este mês já estive em Barcelona, em São Francisco, em Oslo, nas Fontainhas, no Porto, e no Bairro da Boa Morte, em São Tomé. Conheci o Bendik a tocar saxofone, a Dasha a desafiar o real, o Heine a encontrar teatro nos gestos do quotidiano, a Aurora a posar para um cartaz cheio de gente e o Costa a dar os seus primeiros passos no grande mundo multimédia ao lado do nosso Tomás. E tudo isto só porque vou ao teatro. E tudo isto sem sair de Viseu.<br>O ser humano tem esta capacidade extraordinária de fintar os seus limites e de saciar a sua curiosidade, reinventando sempre o lugar onde está mesmo quando dele não pode sair. Talvez por isso me pareça tão estranho aceitarmos tão passivamente o sedentarismo, quando a cabeça passa a vida a querer viajar e se sente sempre mais confortável a descobrir que a repetir. Não vos parece ignóbil ficar fechado num quarto agarrado a um ecrã (provavelmente a seguir as notícias do que se passa lá fora), quando qualquer outro lugar do planeta está à distância de um abrir de um trinco da porta e a um passo lá para fora? <br>Há uns anos, apresentei no Teatro Viriato a «Anita Vai a Nada» ao lado de Cláudia Jardim. Apresentámos o espetáculo para todo o tipo de públicos e fizemos workshops para umas boas centenas de alunos do ensino básico. Começávamos o workshop sempre com o mesmo exercício: escrever num papel as 3 coisas que gostavam mais de fazer. A maioria dos participantes, entre os 9 e os 13 anos respondia: play station 1, play station 2, ver televisão! <br>A última sessão foi com as meninas da Casa da Aguieira, um projeto alternativo de acolhimento de meninas que cometeram crimes ainda na sua adolescência. Nós não sabíamos quem eram nem de onde vinham, estranhámos apenas serem só meninas. Todas elas escreveram no seu top: passear na praia e sentir a brisa na cara; ir a casa almoçar com a minha avó; viajar, correr na floresta.<br>Naquele workshop fizemos tudo isso. Viajámos, fomos à praia, escrevemos cartas às avós. Eu e a Jardim ainda fizemos uma promessa. A de nunca transformarmos o que fazemos numa prisão, mas num trampolim para cumprir todas as causas e satisfazer todas as curiosidades. <br>Hoje, depois de terminar esta crónica, ainda vou a São Tomé de novo, onde se iniciou o projeto do Retiro da Boa Morte, e ainda passo por Moimenta da Beira, para congeminar novas ideias, e regresso ao Porto, mas só pelo telefone, e talvez adormeça a sonhar com o Atlântico, ali para os lados do Guincho. E tudo porque vou ao Teatro, no Largo Mouzinho de Albuquerque, em Viseu. </p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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      <pubDate>Wed, 14 Jul 2021 18:03:43 +0100</pubDate>
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      <title>Poderei dar fruto? | T3 Ep24</title>
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        <![CDATA[Em contexto de profunda incerteza, o que podemos esperar da sementeira criativa que vai sendo feita, mesmo com colheita tudo menos garantida. É assim o “Boca a Boca” desta semana, sem respostas. Mas com a força das perguntas.]]>
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      <pubDate>Wed, 07 Jul 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Filhos de Abel | T3 Ep23</title>
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        <![CDATA[Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato, assina a habitual crónica do magazine 'Boca a Boca'. Em destaque, Filhos de Abel”, o exercício final dos alunos do terceiro ano da Escola Superior de Teatro e Cinema que nasceu durante o segundo confinamento este ano.]]>
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      <pubDate>Wed, 30 Jun 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Vamos morrer até quando? | T3 Ep22</title>
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        <![CDATA[Na crónica semanal, Patrícia Portela parte da capa de domingo do jornal Folha de São Paulo (uma folha em branco com a pergunta “Vamos morrer até quando?”, homenagem aos 500 mil mortos por COVID-19 no Brasil) para refletir sobre o papel que cada um de nós tem nas decisões, nas mudanças, no fazer acontecer.]]>
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      <pubDate>Wed, 23 Jun 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Porque ainda vamos ao teatro? | T3 Ep21</title>
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        <![CDATA[O que procuramos quando vamos ver um espetáculo? Um concerto? Uma sessão de cinema? Procuramos entretenimento? Patrícia Portela lança-nos na sua crónica semanal uma série de reflexões que nos conduzem ao tema do espetáculo que acolhemos esta semana no Teatro Viriato.]]>
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      <pubDate>Wed, 16 Jun 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Dois amores como o primeiro | T3 Ep20</title>
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        <![CDATA[<p>Encantarmo-nos à primeira vista com um artista e com a sua obra é algo tão raro como nos apaixonarmos ao primeiro olhar. Poder pegar nesse encanto e partilhá-lo com toda a gente é algo mágico que talvez só seja possível na arte, no amor é sabido que tal partilha termina com frequência em desconsolo ou frustração.<br>Esta semana temos o prazer, no Teatro Viriato, de partilhar convosco duas paixões que nos acertaram em cheio no coração à primeira vista.<br>A primeira paixão é o resultado de um <em>blind date</em>, como o são todos os espetáculos que ainda não estão criados e que são construídos após o nosso sim a um casamento às cegas nos nossos palcos. <br>“Cordycepes”, o espetáculo que coproduzimos no âmbito da parceria com a rede 5 sentidos, e que apresentamos já nesta quarta-feira dia 9 de junho, esteve em residência artística no Teatro Viriato em abril passado.<br>Assistir ao workshop de Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça e ver o entusiasmo e o envolvimento de todos os jovens participantes, fez-nos perceber quão importante é programar projetos que criam a oportunidade de pensarmos em fins como se fossem belos inícios. <br>A segunda paixão à primeira vista chama-se Gabriel Ferrandini. Apesar de ser um habitué dos circuitos de jazz viseenses e de ter já tocado várias vezes no Teatro Viriato, e apesar do reconhecido mérito internacional que tem enquanto um dos melhores bateristas de jazz da cena europeia, a nossa paixão à primeira vista pelo que nos vai oferecer este sábado, só aconteceu há uns meses no Festival Lisboa Soa. Foi na Estufa Fria que o vimos pela primeira vez em plena sintonia com o espaço e a torcer a frequência do tempo. Os pássaros acompanharam a viagem sonora enquanto o público nem se atreveu a respirar. Só não tremeu o chão. Foi nesse dia que ouvimos falar de um certo disco, de um certo corte com um percurso musical, de uma nova trajetória artística que já se desenhava por esses dias. Foi nesse momento que percebermos que um novo Ferrandini estava para nascer... e foi nesse mesmo primeiro momento que percebemos que queríamos fazer parte de um novo grande amor.<br>Convidámo-lo de imediato a dar o primeiro nó com o nosso público em Viseu. No Teatro Viriato. E ele disse que sim. <br>Dia 12 de junho Ferrandini lança mundialmente em Viseu o seu primeiro álbum a solo pela novíssima editora Canto, num concerto que é parte integrante do ciclo de música da Galeria Zé dos Bois, programado pelo nosso já parceiro Sérgio Hydalgo.<br>Haverá melhor programa para 9 de junho, vésperas de Camões, do que vir encantar-se com a poesia e sageza das utopias de “Cordycepes”, ou entrar num teatro para dizer sim a “Hair of the Dog” de Gabriel Ferrandini no dia 12 de junho em vésperas de Santo António, o santo casamenteiro? <br>Num teatro, há muitos amores como o primeiro. <br> <br>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Encantarmo-nos à primeira vista com um artista e com a sua obra é algo tão raro como nos apaixonarmos ao primeiro olhar. Poder pegar nesse encanto e partilhá-lo com toda a gente é algo mágico que talvez só seja possível na arte, no amor é sabido que tal partilha termina com frequência em desconsolo ou frustração.<br>Esta semana temos o prazer, no Teatro Viriato, de partilhar convosco duas paixões que nos acertaram em cheio no coração à primeira vista.<br>A primeira paixão é o resultado de um <em>blind date</em>, como o são todos os espetáculos que ainda não estão criados e que são construídos após o nosso sim a um casamento às cegas nos nossos palcos. <br>“Cordycepes”, o espetáculo que coproduzimos no âmbito da parceria com a rede 5 sentidos, e que apresentamos já nesta quarta-feira dia 9 de junho, esteve em residência artística no Teatro Viriato em abril passado.<br>Assistir ao workshop de Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça e ver o entusiasmo e o envolvimento de todos os jovens participantes, fez-nos perceber quão importante é programar projetos que criam a oportunidade de pensarmos em fins como se fossem belos inícios. <br>A segunda paixão à primeira vista chama-se Gabriel Ferrandini. Apesar de ser um habitué dos circuitos de jazz viseenses e de ter já tocado várias vezes no Teatro Viriato, e apesar do reconhecido mérito internacional que tem enquanto um dos melhores bateristas de jazz da cena europeia, a nossa paixão à primeira vista pelo que nos vai oferecer este sábado, só aconteceu há uns meses no Festival Lisboa Soa. Foi na Estufa Fria que o vimos pela primeira vez em plena sintonia com o espaço e a torcer a frequência do tempo. Os pássaros acompanharam a viagem sonora enquanto o público nem se atreveu a respirar. Só não tremeu o chão. Foi nesse dia que ouvimos falar de um certo disco, de um certo corte com um percurso musical, de uma nova trajetória artística que já se desenhava por esses dias. Foi nesse momento que percebermos que um novo Ferrandini estava para nascer... e foi nesse mesmo primeiro momento que percebemos que queríamos fazer parte de um novo grande amor.<br>Convidámo-lo de imediato a dar o primeiro nó com o nosso público em Viseu. No Teatro Viriato. E ele disse que sim. <br>Dia 12 de junho Ferrandini lança mundialmente em Viseu o seu primeiro álbum a solo pela novíssima editora Canto, num concerto que é parte integrante do ciclo de música da Galeria Zé dos Bois, programado pelo nosso já parceiro Sérgio Hydalgo.<br>Haverá melhor programa para 9 de junho, vésperas de Camões, do que vir encantar-se com a poesia e sageza das utopias de “Cordycepes”, ou entrar num teatro para dizer sim a “Hair of the Dog” de Gabriel Ferrandini no dia 12 de junho em vésperas de Santo António, o santo casamenteiro? <br>Num teatro, há muitos amores como o primeiro. <br> <br>____<br><strong><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></strong></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 09 Jun 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica de Patrícia Portela, viajamos pela programação desta semana. A diretora artística  do Teatro Viriato fala-nos de “Cordyceps” que sobe já hoje (9 jun 2021) ao palco, mas também do lançamento mundial do novo álbum do baterista Gabriel Ferrandini.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Na crónica de Patrícia Portela, viajamos pela programação desta semana. A diretora artística  do Teatro Viriato fala-nos de “Cordyceps” que sobe já hoje (9 jun 2021) ao palco, mas também do lançamento mundial do novo álbum do baterista Gabriel Ferrandini.</itunes:subtitle>
      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Querer saber o fim da história sem querer que acabe | T3 Ep19</title>
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        <![CDATA[<p>Durante o espetáculo, e ao som das primeiras notas de “Non, Je ne regrette rien”, de Edit Piaf, uma senhora, a meio da plateia, agitada, pede com licença aos espectadores do seu lado esquerdo para poder sair, logo seguida pelo seu marido. <br>Quase em simultâneo, Catarina, a nossa assistente de sala, qual ninfa silenciosa, surge no corredor e vai ao encontro do casal, oferecendo a sua ajuda, julgando que necessitavam de sair para ir ao quarto de banho.<br>Num repente, e para que ninguém tivesse dúvidas sobre o que pretendia fazer, a senhora agarra-se, abraçada, ao marido, e iniciam os dois o mais belo pas de deux durante a canção de Piaf, enquanto o espetáculo decorria.<br>A Catarina afastou-se e deixou-os dançar. No final da dança, regressaram para os seus lugares, como se nada tivesse acontecido.<br>Eu lembrei-me da primeira vez que vi este espetáculo, em Viena, na Áustria. Um casal semelhante saltara para o palco ao som de “Let’s Dance”, de David Bowie e dançara, com muita pinta, ao lado dos bailarinos. Julgando-me muito sábia e inteligente nestas lides do fazer teatral, pensei, ah! Claro! Esta deve ser uma cena sempre combinada E eu que não tinha percebido na altura que este casal que subira para o palco fazia parte do elenco!<br>Pois não poderia estar mais errada. Em Viseu, à saída do espetáculo, o casal agradeceu a noite maravilhosa que tinha passado e confessou: há 22 anos casámos neste dia, 29 de maio de 1999, e esta canção foi a canção de abertura do nosso baile de casamento! Não podíamos celebrar este momento sentados! Foi como se estivéssemos de novo no nosso casamento!<br>Por vezes pergunto-me: O que torna um espetáculo inesquecível?<br>O que faz um filme ser tão especial?<br>Será ter grandes atores, belos figurinos? Será um texto cheio de frases memoráveis? Ou será o acidente e a circunstância que envolve a sua apresentação e o momento do seu encontro com a vida do espectador?<br>Esta foi uma das perguntas que coloquei a uma audiência de estudantes de teatro. <br>Queria fazê-la apenas para ter uma desculpa para contar o que se tinha passado no Teatro Viriato no sábado, durante a estreia da nova versão de “The show must go on”, de Jérôme Bel. <br>A minha filha, que ouviu a minha aula, e ouviu esta história respondeu, mais tarde, à minha pergunta inicial:<br>Um filme especial é aquele em que queremos saber o final sem nunca querermos que acabe! Como o casamento destes dois espectadores que, esperemos, nunca deixem de vir dançar aos corredores da nossa plateia. Sim, porque a distância não nos permite entrar sem máscara, mas não diz nada sobre dar um pezinho de dança...</p><p><em>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Durante o espetáculo, e ao som das primeiras notas de “Non, Je ne regrette rien”, de Edit Piaf, uma senhora, a meio da plateia, agitada, pede com licença aos espectadores do seu lado esquerdo para poder sair, logo seguida pelo seu marido. <br>Quase em simultâneo, Catarina, a nossa assistente de sala, qual ninfa silenciosa, surge no corredor e vai ao encontro do casal, oferecendo a sua ajuda, julgando que necessitavam de sair para ir ao quarto de banho.<br>Num repente, e para que ninguém tivesse dúvidas sobre o que pretendia fazer, a senhora agarra-se, abraçada, ao marido, e iniciam os dois o mais belo pas de deux durante a canção de Piaf, enquanto o espetáculo decorria.<br>A Catarina afastou-se e deixou-os dançar. No final da dança, regressaram para os seus lugares, como se nada tivesse acontecido.<br>Eu lembrei-me da primeira vez que vi este espetáculo, em Viena, na Áustria. Um casal semelhante saltara para o palco ao som de “Let’s Dance”, de David Bowie e dançara, com muita pinta, ao lado dos bailarinos. Julgando-me muito sábia e inteligente nestas lides do fazer teatral, pensei, ah! Claro! Esta deve ser uma cena sempre combinada E eu que não tinha percebido na altura que este casal que subira para o palco fazia parte do elenco!<br>Pois não poderia estar mais errada. Em Viseu, à saída do espetáculo, o casal agradeceu a noite maravilhosa que tinha passado e confessou: há 22 anos casámos neste dia, 29 de maio de 1999, e esta canção foi a canção de abertura do nosso baile de casamento! Não podíamos celebrar este momento sentados! Foi como se estivéssemos de novo no nosso casamento!<br>Por vezes pergunto-me: O que torna um espetáculo inesquecível?<br>O que faz um filme ser tão especial?<br>Será ter grandes atores, belos figurinos? Será um texto cheio de frases memoráveis? Ou será o acidente e a circunstância que envolve a sua apresentação e o momento do seu encontro com a vida do espectador?<br>Esta foi uma das perguntas que coloquei a uma audiência de estudantes de teatro. <br>Queria fazê-la apenas para ter uma desculpa para contar o que se tinha passado no Teatro Viriato no sábado, durante a estreia da nova versão de “The show must go on”, de Jérôme Bel. <br>A minha filha, que ouviu a minha aula, e ouviu esta história respondeu, mais tarde, à minha pergunta inicial:<br>Um filme especial é aquele em que queremos saber o final sem nunca querermos que acabe! Como o casamento destes dois espectadores que, esperemos, nunca deixem de vir dançar aos corredores da nossa plateia. Sim, porque a distância não nos permite entrar sem máscara, mas não diz nada sobre dar um pezinho de dança...</p><p><em>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 02 Jun 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica desta semana, Patrícia Portela reflete sobre o que torna um espetáculo especial. “Na Boca do Mundo” fala-se sobre “A construção de uma imagem”, o mais recente projeto do Teatro Viriato em parceria com o Museu Nacional Grão Vasco.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Na crónica desta semana, Patrícia Portela reflete sobre o que torna um espetáculo especial. “Na Boca do Mundo” fala-se sobre “A construção de uma imagem”, o mais recente projeto do Teatro Viriato em parceria com o Museu Nacional Grão Vasco.</itunes:subtitle>
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      <title>(How must) the show go on? | T3 Ep18</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p> “Charlie bit my finger” ou o Charlie mordeu-me o dedo, foi um dos primeiros vídeos virais, chegando a ser visualizado 880 milhões de vezes. </p><p>Este vídeo familiar de 2007, mostra um irmão bebé (Charlie, de um ano), ao colo de outro mais velho (Harry, de três anos). Harry coloca insistentemente o dedo na boca de Charlie para logo a seguir se afligir por ele o ter mordido. Esta cena familiar foi captada por uma câmara doméstica, e o vídeo disponibilizado online através da plataforma de Youtube por ser “muito pesado para ser enviado por email para o avô que vivia longe dos netos”. Eis se não quando, e inesperadamente, milhares de famílias o viram e comentaram, tornando-se o nº 1 do Top50 dos vídeos mais vistos de sempre no Youtube. </p><p>No passado domingo, e pela módica quantia de 761 milhares de dólares, 55 segundos da história da internet foram adquiridos por um comprador anónimo e, por isso, apagados para sempre do Youtube depois de por ali navegarem durante 15 anos. Deixou assim este vídeo de estar acessível, passando a ser considerado, por alguns, como uma obra de arte digital, com o respetivo valor monetário atribuído pelo mercado, e com este novo estatuto, a ser visto por poucos e em exclusividade.  </p><p>Esta é uma história possível para um objeto que inadvertidamente se tornou precioso. </p><p>Outra história é a que acontece no próximo sábado, dia 29 de maio, no nosso palco do Teatro Viriato. Às 21h estreamos a versão portuguesa do “The show must go on”, peça icónica de Jérôme Bel, um dos mais rebeldes e astutos artistas do século XX e XXI, conhecido por aliar humor e conceptualização nas suas obras. </p><p>O coreógrafo francês, que se recusa atualmente a viajar de avião por causa das alterações climáticas, aceitou esta proposta para celebrar os vinte anos desta obra itinerando-a por Portugal, em Viseu, Lisboa e Porto, com um elenco inteiramente residente em Portugal. No próximo sábado poderemos assistir a esta peça que mudou a história da dança pela módica quantia de um bilhete de teatro. Uma peça que percorreu o mundo e que, esperemos, sobreviverá às restrições da geografia e do tempo para poder continuar a fascinar espectadores por todo o lado e por muito tempo.  </p><p>Se me dessem a escolher entre a arte que se renova e se replica, mantendo-se singular em cada apresentação, e aquela que se vende por um milhão mas que se torna inacessível aos demais, eu não hesitaria. Ter a oportunidade de ver esta peça na nossa cidade é um luxo que não é avaliável nem em dinheiro nem em crachás para o nosso currículo (e muito menos numa coleção de arte privada). Basta-nos agradecer com a nossa presença e o nosso aplauso.  </p><p>Apareçam! É garantido o fascínio e o prazer de poder assistir ao vivo a uma obra de arte!</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p> “Charlie bit my finger” ou o Charlie mordeu-me o dedo, foi um dos primeiros vídeos virais, chegando a ser visualizado 880 milhões de vezes. </p><p>Este vídeo familiar de 2007, mostra um irmão bebé (Charlie, de um ano), ao colo de outro mais velho (Harry, de três anos). Harry coloca insistentemente o dedo na boca de Charlie para logo a seguir se afligir por ele o ter mordido. Esta cena familiar foi captada por uma câmara doméstica, e o vídeo disponibilizado online através da plataforma de Youtube por ser “muito pesado para ser enviado por email para o avô que vivia longe dos netos”. Eis se não quando, e inesperadamente, milhares de famílias o viram e comentaram, tornando-se o nº 1 do Top50 dos vídeos mais vistos de sempre no Youtube. </p><p>No passado domingo, e pela módica quantia de 761 milhares de dólares, 55 segundos da história da internet foram adquiridos por um comprador anónimo e, por isso, apagados para sempre do Youtube depois de por ali navegarem durante 15 anos. Deixou assim este vídeo de estar acessível, passando a ser considerado, por alguns, como uma obra de arte digital, com o respetivo valor monetário atribuído pelo mercado, e com este novo estatuto, a ser visto por poucos e em exclusividade.  </p><p>Esta é uma história possível para um objeto que inadvertidamente se tornou precioso. </p><p>Outra história é a que acontece no próximo sábado, dia 29 de maio, no nosso palco do Teatro Viriato. Às 21h estreamos a versão portuguesa do “The show must go on”, peça icónica de Jérôme Bel, um dos mais rebeldes e astutos artistas do século XX e XXI, conhecido por aliar humor e conceptualização nas suas obras. </p><p>O coreógrafo francês, que se recusa atualmente a viajar de avião por causa das alterações climáticas, aceitou esta proposta para celebrar os vinte anos desta obra itinerando-a por Portugal, em Viseu, Lisboa e Porto, com um elenco inteiramente residente em Portugal. No próximo sábado poderemos assistir a esta peça que mudou a história da dança pela módica quantia de um bilhete de teatro. Uma peça que percorreu o mundo e que, esperemos, sobreviverá às restrições da geografia e do tempo para poder continuar a fascinar espectadores por todo o lado e por muito tempo.  </p><p>Se me dessem a escolher entre a arte que se renova e se replica, mantendo-se singular em cada apresentação, e aquela que se vende por um milhão mas que se torna inacessível aos demais, eu não hesitaria. Ter a oportunidade de ver esta peça na nossa cidade é um luxo que não é avaliável nem em dinheiro nem em crachás para o nosso currículo (e muito menos numa coleção de arte privada). Basta-nos agradecer com a nossa presença e o nosso aplauso.  </p><p>Apareçam! É garantido o fascínio e o prazer de poder assistir ao vivo a uma obra de arte!</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 26 May 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica desta semana, Patrícia Portela parte de dois acontecimentos, um no mundo digital do Youtube e outro que está agendado para o palco do Teatro Viriato, para refletir sobre a arte que se renova e se replica, mantendo-se singular em cada apresentação.</itunes:summary>
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      <title>Uma colher de chá de mel | T3 Ep17</title>
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        <![CDATA[<p>Reabriram os teatros, os cafés, os restaurantes, anunciou-se a época balnear, caíram as restrições para as viagens e o teletrabalho vai deixar de ser obrigatório. </p><p>A par e passo regressamos a uma certa normalidade, dizem, mas que normalidade? A de tirar férias num país mais barato para fugirmos à porcaria de vida ou de clima que temos em casa, como provavelmente o confirmarão muitos dos 20 000 britânicos que aterraram esta semana em Faro?</p><p>A normalidade de bombardear indiscriminadamente uma faixa de 362km2 onde vivem 12 milhões de habitantes que não podem fugir para lado nenhum?</p><p>A normalidade de poder fechar os olhos e mantermo-nos quietinhos enquanto continuamos a falar em nome da Humanidade, em nome de um Holocausto, em nome de uma Europa moral e filosófica?</p><p>A normalidade de poder comprar um bilhete para um espetáculo de teatro a qualquer hora e não o fazer, porque não se tem tempo, porque não se tem vontade, porque fica para a próxima, porque se esqueceu, porque se queria tanto ir e não se conseguiu?</p><p>Esta semana brindei, por cortesia, com um cálice do Porto na companhia do livreiro da Unicepe, o grande combatente antifascista Rui Vaz Pinto. Enquanto arrumávamos as mesas de um lançamento de um livro agora terminado, Vaz Pinto comentou-me: Não vai deixar esta gota de cálice no copo, pois não? Sabe que uma videira vai buscar água a 15 metros de profundidade para se alimentar, não sabe? É um crime deitar vinho fora. E eu pensei. Sim, eu sei. Sei que uma colher de chá de mel é o equivalente a uma vida inteira de trabalho de uma abelha. Sei que para ter uma aliança de ouro num dedo, pelo menos 9 homens tiveram de escavar duas toneladas de pedra, sei que para alimentar gado bovino temos de plantar quilómetros e quilómetros de soja em campos que poderiam ser verdes ou plantados com outras culturas. Sei que cada peça que estreia tem por trás anos de treino, meses de ensaios, muito suor e muita lágrima.</p><p>O que sentimos quando sentimos falta da “normalidade”? O que queremos quando a queremos de volta?</p><p><br></p><p>Será que queremos muito regressar a uma dita normalidade só para a termos? Para sermos detentores dessa normalidade? Usufruirmos dela como muito bem a entendermos. Incluindo não a usando, deitando-a fora? Desperdiçando-a, não saindo de casa, passando noites a ver filmes ou a trocar mensagens em vez de irmos ao teatro ou ao cinema, deitando comida fora e reservando nova online para que nos seja trazida a casa embrulhada em múltiplos papeis de alumínio, caixas de plástico, sacos de papel?</p><p>Podereis argumentar contra esta minha provocação e dizer-me: </p><p>- Sim, mas nada do que passa nesse teatro me interessa, nada nesse restaurante me apetece comer, nada nesse país é válido, que não merece ser defendido...</p><p>E eu engulo em seco e tento aceitar o argumento e respondo-lhe:</p><p>- Diga-me então o que gostaria de ver? Como gostaria de não ver desperdiçada a arte que tão bem sabemos fazer, os encontros que tão bem nos fazem à alma, os rituais artísticos, religiosos, culturais, tradicionais, familiares?</p><p>Quando nos vemos à porta deste nosso teatro? Ou noutro lugar qualquer indispensável onde ainda não fomos juntos?</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 19 May 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>A par da crónica de Patrícia Portela, diretora artística do teatro, Catarina Miranda está à conversa no Boca a Boca. A criadora fala de “Cabraqimera”, uma coreografia para um quarteto em patins, um destaques da programação do Teatro Viriato.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A par da crónica de Patrícia Portela, diretora artística do teatro, Catarina Miranda está à conversa no Boca a Boca. A criadora fala de “Cabraqimera”, uma coreografia para um quarteto em patins, um destaques da programação do Teatro Viriato.</itunes:subtitle>
      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Ser um só | T3 Ep16</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>Gostávamos que em Viseu todos sentissem que poderiam ir ao Teatro sem olhar o programa.</p><p>Gostávamos que o Teatro fosse um lugar do quotidiano, como um café, como um restaurante de vez em quando, ou uma cantina, como uma mercearia onde se vai regularmente só para comprar aquele ingrediente que faz falta ao repasto do dia.</p><p>Gostávamos que o espectador comprasse um bilhete como quem compra um jornal para saber o que se passa, como quem faz zapping numa televisão, à procura daquele filme ou daquele documentário que ainda não conhece e que lhe vai abrir portas e janelas para mundos sobre os quais nunca pensou e descobrindo que gostaria de, sobre eles, pensar.</p><p>Gostávamos que o Teatro tivesse horas certas… quem sabe conversas e leituras todas as quartas às 19H30, como hoje acontece com a Minha História da Dança de Sónia Baptista, quem sabe espetáculos e concertos todas as sextas e sábados, sempre às 21h, quem sabe debates, conferências, e outros encontros nas tardes de sábado, às 16h, como acontece este fim de semana com o Laboratório de Criação Teatral BB2021 do Fraga… e gostávamos que nesses dias, assim como quem sai para beber um café, dar um passeio ou sai para ver algo que ainda não sabe o que é mas que, tem a certeza, só poderá ser interessante.</p><p>Gostávamos que o Teatro fosse uma extensão do nosso quotidiano, uma hora marcada no nosso calendário semanal.</p><p>Gostávamos que este hábito de ir ao teatro porque sim, como quem pede uma torrada ao Sr. Zé no café Teatro, como quem compra bolachas de água e sal para ter sempre em casa, como quem não passa sem um queijinho ou um pão de lenha que só pode comprar naquela padaria que só está aberta ao fim de semana, se prolongasse por muitos anos.  </p><p>Gostávamos de perceber, e de confirmar, que passados esses anos, todos nós teríamos mais amigos e companheiros, mais projetos e mais ideias sobre o mundo, mais multiplicidade e mais possibilidades de sermos tantas outras coisas. E com isso, transformarmos a cidade que nos irá transformando até não sabermos, um dia, onde começa a nossa casa, o nosso jardim e termina o teatro, onde se inicia o jornal e termina o espetáculo, onde começa a nossa vida e a vida dos outros.</p><p>Nesse dia teríamos cumprido o nosso objetivo de ser um lugar de encontro, de pensamento, de partilha e de múltiplos lugares.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>Gostávamos que em Viseu todos sentissem que poderiam ir ao Teatro sem olhar o programa.</p><p>Gostávamos que o Teatro fosse um lugar do quotidiano, como um café, como um restaurante de vez em quando, ou uma cantina, como uma mercearia onde se vai regularmente só para comprar aquele ingrediente que faz falta ao repasto do dia.</p><p>Gostávamos que o espectador comprasse um bilhete como quem compra um jornal para saber o que se passa, como quem faz zapping numa televisão, à procura daquele filme ou daquele documentário que ainda não conhece e que lhe vai abrir portas e janelas para mundos sobre os quais nunca pensou e descobrindo que gostaria de, sobre eles, pensar.</p><p>Gostávamos que o Teatro tivesse horas certas… quem sabe conversas e leituras todas as quartas às 19H30, como hoje acontece com a Minha História da Dança de Sónia Baptista, quem sabe espetáculos e concertos todas as sextas e sábados, sempre às 21h, quem sabe debates, conferências, e outros encontros nas tardes de sábado, às 16h, como acontece este fim de semana com o Laboratório de Criação Teatral BB2021 do Fraga… e gostávamos que nesses dias, assim como quem sai para beber um café, dar um passeio ou sai para ver algo que ainda não sabe o que é mas que, tem a certeza, só poderá ser interessante.</p><p>Gostávamos que o Teatro fosse uma extensão do nosso quotidiano, uma hora marcada no nosso calendário semanal.</p><p>Gostávamos que este hábito de ir ao teatro porque sim, como quem pede uma torrada ao Sr. Zé no café Teatro, como quem compra bolachas de água e sal para ter sempre em casa, como quem não passa sem um queijinho ou um pão de lenha que só pode comprar naquela padaria que só está aberta ao fim de semana, se prolongasse por muitos anos.  </p><p>Gostávamos de perceber, e de confirmar, que passados esses anos, todos nós teríamos mais amigos e companheiros, mais projetos e mais ideias sobre o mundo, mais multiplicidade e mais possibilidades de sermos tantas outras coisas. E com isso, transformarmos a cidade que nos irá transformando até não sabermos, um dia, onde começa a nossa casa, o nosso jardim e termina o teatro, onde se inicia o jornal e termina o espetáculo, onde começa a nossa vida e a vida dos outros.</p><p>Nesse dia teríamos cumprido o nosso objetivo de ser um lugar de encontro, de pensamento, de partilha e de múltiplos lugares.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Thu, 13 May 2021 17:00:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica que abre este episódio, Patrícia Portela evoca um Teatro que se integra nos seus ritmos e é peça fundamental do quotidiano. Em entrevista, Tiago Lima fala do espetáculo “Ainda estou aqui”, que em junho chega ao palco de Viseu.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Na crónica que abre este episódio, Patrícia Portela evoca um Teatro que se integra nos seus ritmos e é peça fundamental do quotidiano. Em entrevista, Tiago Lima fala do espetáculo “Ainda estou aqui”, que em junho chega ao palco de Viseu.</itunes:subtitle>
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      <title>B de Benjamin e Fachada | T3 Ep15</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>Após uma semana atabalhoada e cheia de queixumes vários, chegava eu cedo ao teatro, preparada para mais um dia de obstáculos, quando uma surpresa me iluminou o dia. Na sexta-feira passada, quando cheguei ao teatro, aguardavam-me na entrada dois embrulhos de papel pardo, atados com um cordel e com o meu nome e morada escritos a caneta de tinta permanente. Abri os dois pacotes como quem abre dois presentes. O mestre e sábio João Barrento enviara-me as suas duas últimas traduções do mais urgente dos pensadores: Walter Benjamin. Ali estavam, à minha frente, as “Passagens de Paris” e as “Imagens de pensamento” que eu trocara por um livro meu que também enviara. Lá dentro uma nota dizia:</p><p>“O bom escritor não diz mais do que aquilo que pensa. E muita coisa depende disso. É que o dizer não é apenas a expressão mas a realização do pensamento”.</p><p>Em conversa com o Alberto, na entrada, comentei. O Benjamin pode ler-se abrindo qualquer página ao calhas. O Benjamin é o autor da realização do pensamento e da reprodução da imagem. O Benjamin planeava fugir para os Estados Unidos em 1940 partindo de lisboa, na altura uma cidade neutra. Na fronteira franco-espanhola, a guarda espanhola impediu-o de prosseguir o seu caminho informando-o de que seria deportado no dia seguinte e entregue aos nazis. Sentindo-se derrotado, Benjamin suicidou-se com overdose de morfina num quarto de hotel. No dia seguinte as fronteiras abriram e todos os seus companheiros chegaram ao seu destino.</p><p>Antes que eu dissesse mais alguma coisa, o Alberto respondeu-me: Já viste a tua sorte? As fronteiras já abriram hoje, as esplanadas e os teatros também, escapaste desta, Patrícia. Sorrimos os dois como só pode sorrir quem é o primeiro a chegar e o último a sair de um lugar sem fronteiras. </p><p>Esta semana abrimos o teatro ao público e já temos casa quase cheia: cheia de mulheres corajosas e guerreiras na quarta, vindas de Barcelos e do Brasil; cheia de rapazes e de raposas já no sábado,  a provar que vale sempre a pena aguentar mais um dia, mais uma decisão, mais uma alteração, só para poder receber um Benjamin,  poder abraçar uma Sónia Barbosa, poder dar a conhecer uma artista como a Janaina Leite, poder conversar num “Boca Livre” com um Rui Catalão ou poder terminar este sábado com um concerto inesquecível de um magnífico e magnânime B Fachada. </p><p>Não duvido de um aplauso de pé!</p><p><br>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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        <![CDATA[<p>Após uma semana atabalhoada e cheia de queixumes vários, chegava eu cedo ao teatro, preparada para mais um dia de obstáculos, quando uma surpresa me iluminou o dia. Na sexta-feira passada, quando cheguei ao teatro, aguardavam-me na entrada dois embrulhos de papel pardo, atados com um cordel e com o meu nome e morada escritos a caneta de tinta permanente. Abri os dois pacotes como quem abre dois presentes. O mestre e sábio João Barrento enviara-me as suas duas últimas traduções do mais urgente dos pensadores: Walter Benjamin. Ali estavam, à minha frente, as “Passagens de Paris” e as “Imagens de pensamento” que eu trocara por um livro meu que também enviara. Lá dentro uma nota dizia:</p><p>“O bom escritor não diz mais do que aquilo que pensa. E muita coisa depende disso. É que o dizer não é apenas a expressão mas a realização do pensamento”.</p><p>Em conversa com o Alberto, na entrada, comentei. O Benjamin pode ler-se abrindo qualquer página ao calhas. O Benjamin é o autor da realização do pensamento e da reprodução da imagem. O Benjamin planeava fugir para os Estados Unidos em 1940 partindo de lisboa, na altura uma cidade neutra. Na fronteira franco-espanhola, a guarda espanhola impediu-o de prosseguir o seu caminho informando-o de que seria deportado no dia seguinte e entregue aos nazis. Sentindo-se derrotado, Benjamin suicidou-se com overdose de morfina num quarto de hotel. No dia seguinte as fronteiras abriram e todos os seus companheiros chegaram ao seu destino.</p><p>Antes que eu dissesse mais alguma coisa, o Alberto respondeu-me: Já viste a tua sorte? As fronteiras já abriram hoje, as esplanadas e os teatros também, escapaste desta, Patrícia. Sorrimos os dois como só pode sorrir quem é o primeiro a chegar e o último a sair de um lugar sem fronteiras. </p><p>Esta semana abrimos o teatro ao público e já temos casa quase cheia: cheia de mulheres corajosas e guerreiras na quarta, vindas de Barcelos e do Brasil; cheia de rapazes e de raposas já no sábado,  a provar que vale sempre a pena aguentar mais um dia, mais uma decisão, mais uma alteração, só para poder receber um Benjamin,  poder abraçar uma Sónia Barbosa, poder dar a conhecer uma artista como a Janaina Leite, poder conversar num “Boca Livre” com um Rui Catalão ou poder terminar este sábado com um concerto inesquecível de um magnífico e magnânime B Fachada. </p><p>Não duvido de um aplauso de pé!</p><p><br>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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      <pubDate>Wed, 05 May 2021 17:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Referência no teatro documental, Janaína Leite, encenadora, dramaturga e atriz, está à conversa no Boca a Boca em vésperas de se apresentar no Teatro Viriato. Em 'À Boca da Bilheteira' conferimos a programação desta semana. Um dos destaques é o concerto de B Fachada.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Referência no teatro documental, Janaína Leite, encenadora, dramaturga e atriz, está à conversa no Boca a Boca em vésperas de se apresentar no Teatro Viriato. Em 'À Boca da Bilheteira' conferimos a programação desta semana. Um dos destaques é o concerto d</itunes:subtitle>
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      <title>Estado vegetal | T3 Ep14</title>
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        <![CDATA[<p>Porque têm de ser os humanos as personagens principais de um espetáculo de teatro? </p><p>Porque não escolher criaturas polifónicas? </p><p>E se pudéssemos entender as línguas das plantas e perceber o que nos têm a dizer? </p><p>O que nos poderiam ensinar sobre outras formas de pensar, sobre outras formas de ser que não esta, a nossa?</p><p>Porque aceitamos com tanta facilidade que uma aplicação digital saiba tanto sobre os nossos gostos as nossas ansiedades e não nos passa pela cabeça ter vergonha de algumas ações que praticamos na presença de uma planta?</p><p>Porque não semear o nosso herbário intelectual num teatro botânico e com um elenco vegetal? Porque não procurar uma proposta performativa que questione os limites da nossa perceção de um mundo que, além de nós, compreende outros seres animais, minerais e vegetais?</p><p>Porque não aprender a falar a língua das plantas? Perceber o que lhes agrada, o que as repugna, o que fariam diferente? </p><p>Porque não reativar aquele que é o diálogo mais primordial, o do ser humano com a natureza, recuando até ao momento em que todos nos entendíamos e não éramos fábulas?</p><p>De certa maneira é esta a proposta de Manuela Infante, encenadora e autora de «Estado Vegetal», um espetáculo construído a partir da obra do filósofo Michael Marder e do neurobiologista Stefano Mancuso. Escolhemos este espetáculo para abrir a nossa colaboração com o Festival de Teatro Internacional de Expressão Ibérica. Por ora apresentado em formato digital, «Estado Vegetal» é um espetáculo que se prolonga para lá da sua apresentação, quando saímos de casa, e nos deslocamos até ao café, até ao jardim ou até à vizinha da frente, reparando em cada elemento não antropomórfico do caminho. </p><p>Se não somos o centro do universo, nem mesmo da nossa rua, porque desejamos continuar a ocupar o centro de uma sala de espetáculos? Se ainda há tanto que nos escapa, porque nos contentamos com o pouco que julgamos conhecer?</p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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        <![CDATA[<p>Porque têm de ser os humanos as personagens principais de um espetáculo de teatro? </p><p>Porque não escolher criaturas polifónicas? </p><p>E se pudéssemos entender as línguas das plantas e perceber o que nos têm a dizer? </p><p>O que nos poderiam ensinar sobre outras formas de pensar, sobre outras formas de ser que não esta, a nossa?</p><p>Porque aceitamos com tanta facilidade que uma aplicação digital saiba tanto sobre os nossos gostos as nossas ansiedades e não nos passa pela cabeça ter vergonha de algumas ações que praticamos na presença de uma planta?</p><p>Porque não semear o nosso herbário intelectual num teatro botânico e com um elenco vegetal? Porque não procurar uma proposta performativa que questione os limites da nossa perceção de um mundo que, além de nós, compreende outros seres animais, minerais e vegetais?</p><p>Porque não aprender a falar a língua das plantas? Perceber o que lhes agrada, o que as repugna, o que fariam diferente? </p><p>Porque não reativar aquele que é o diálogo mais primordial, o do ser humano com a natureza, recuando até ao momento em que todos nos entendíamos e não éramos fábulas?</p><p>De certa maneira é esta a proposta de Manuela Infante, encenadora e autora de «Estado Vegetal», um espetáculo construído a partir da obra do filósofo Michael Marder e do neurobiologista Stefano Mancuso. Escolhemos este espetáculo para abrir a nossa colaboração com o Festival de Teatro Internacional de Expressão Ibérica. Por ora apresentado em formato digital, «Estado Vegetal» é um espetáculo que se prolonga para lá da sua apresentação, quando saímos de casa, e nos deslocamos até ao café, até ao jardim ou até à vizinha da frente, reparando em cada elemento não antropomórfico do caminho. </p><p>Se não somos o centro do universo, nem mesmo da nossa rua, porque desejamos continuar a ocupar o centro de uma sala de espetáculos? Se ainda há tanto que nos escapa, porque nos contentamos com o pouco que julgamos conhecer?</p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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      <pubDate>Wed, 28 Apr 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica, Patrícia Portela lança uma série de reflexões sobre a relação da humanidade com a natureza. À conversa, junta-se o convidado Sérgio Hidalgo que, no Teatro Viriato, apresenta um ciclo de música especial a par com a Galeria Zé dos Bois.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Na crónica, Patrícia Portela lança uma série de reflexões sobre a relação da humanidade com a natureza. À conversa, junta-se o convidado Sérgio Hidalgo que, no Teatro Viriato, apresenta um ciclo de música especial a par com a Galeria Zé dos Bois.</itunes:subtitle>
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      <title>De Abril a Ernesto | T3 Ep13</title>
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        <![CDATA[<p>Há dias em que não há tempo para escrever. Mas são dias como estes que dão um sentido à nossa escrita e à nossa vida diária num teatro.<br>Este dia começou há uns largos meses num certo encontro. Um encontro de druidas entre o Museu Grão Vasco, o Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira e o Teatro Viriato. Falámos de pintura de género, de arte nas escolas, de construção de imagens. Congeminámos um plano: e se começássemos este projeto teatral onde se misturam artistas, professores e alunos com uma visita guiada a uma exposição temporária ainda por terminar e uma visita a um teatro ainda fechado, mas já com ensaios para uma estreia? Queríamos que os alunos do agrupamento de Moimenta da Beira se encantassem com os bastidores dos museus e dos teatros. Que descobrissem o fascínio da criação através do processo criativo. Queríamos que os nossos museus e os nossos teatros fossem lugares domésticos para estes alunos durante os próximos meses, que saíssem deste projeto a querer adotar estes lugares como se fossem as suas bibliotecas, as suas salas de estar, os seus recreios. Terminámos este encontro, a meio de uma primeira e feroz quarentena a dizer: mas isto vai mesmo acontecer, não vai? Vamos mesmo fazer isto acontecer?<br>Este dia também começou no aniversário da arte a 17 de janeiro, quando homenageámos Ernesto de Sousa, o padrinho da nossa programação para 2021. Este domingo, 18 de abril, este artista multidisciplinar inclassificável faria 100 anos. Ao escolhermos Ernesto como nosso padrinho, queríamos estar à altura da sua obra, e queríamos fazer-lhe a promessa de apresentar uma programação que estivesse à altura do seu espírito pluridisciplinar.<br>Este dia também começou no sábado passado, com a abertura do nosso ciclo de música a Galeria Zé dos Bois, escolhido a dedo e pela mão de Sérgio Hydalgo. Ricardo Toscano estreou o seu double Trio e com a sua música aqueceu o Teatro, preparando-o para a sua abertura esta segunda-feira, dia 19 de abril, dia em que podemos reabrir o nosso espaço ao público. <br>Este dia de reabertura só poderia ser este dia que começou a ser cozinhado por tantos e há tanto tempo. Abrimos as portas do teatro à mais nobre das atividades públicas: Uma visita guiada aos bastidores do teatro oferecida por toda a sua equipa aos alunos do agrupamento de escolas de Moimenta da Beira.  Com direito a assistirem à montagem do cenário do espetáculo em residência “Ainda estou aqui” de Tiago Lima, vencedor da 3º edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. E uma outra visita à exposição temporária sobre a identidade portuguesa ainda em construção no Museu Grão Vasco.  E ainda uma pausa no Adro da Sé onde jogámos e conversámos juntos, guiados por Nuno Veiga, artista associado do Teatro Viriato, numa pequena sessão com direito à história múltipla da Sé de Viseu contemplando os seus vários séculos de construção. Ainda a semana vai a meio, e já sabemos que teremos direito a assistir aos ensaios de uma banda de Tiago Lima que, finalmente, poderá ver a luz do dia durante os próximos ensaios, e ainda poderemos celebrar a revolução este fim de semana, descendo a avenida, relembrando como, e a partir de Viseu, a descemos o ano passado através do olhar e dos telefonemas em direto de Joana Craveiro, nossa artista residente. Ah, e isto sem esquecer o concerto dos professores do Conservatório de música de Viseu já este sábado no Festival Internacional de Música da Primavera. Tudo isto numa semana e penso: Haverá melhor semana e maneira de reabrir um teatro do que desta maneira? Querido mestre Ernesto de Sousa, queridos parceiros do Museu Grão Vasco e de Moimenta da Beira, haverá melhor do que misturar séculos, técnicas, estilos, casas, idades e vontades para reabrir um teatro e celebrar a multiplicidade do que ainda podemos ser? </p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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        <![CDATA[<p>Há dias em que não há tempo para escrever. Mas são dias como estes que dão um sentido à nossa escrita e à nossa vida diária num teatro.<br>Este dia começou há uns largos meses num certo encontro. Um encontro de druidas entre o Museu Grão Vasco, o Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira e o Teatro Viriato. Falámos de pintura de género, de arte nas escolas, de construção de imagens. Congeminámos um plano: e se começássemos este projeto teatral onde se misturam artistas, professores e alunos com uma visita guiada a uma exposição temporária ainda por terminar e uma visita a um teatro ainda fechado, mas já com ensaios para uma estreia? Queríamos que os alunos do agrupamento de Moimenta da Beira se encantassem com os bastidores dos museus e dos teatros. Que descobrissem o fascínio da criação através do processo criativo. Queríamos que os nossos museus e os nossos teatros fossem lugares domésticos para estes alunos durante os próximos meses, que saíssem deste projeto a querer adotar estes lugares como se fossem as suas bibliotecas, as suas salas de estar, os seus recreios. Terminámos este encontro, a meio de uma primeira e feroz quarentena a dizer: mas isto vai mesmo acontecer, não vai? Vamos mesmo fazer isto acontecer?<br>Este dia também começou no aniversário da arte a 17 de janeiro, quando homenageámos Ernesto de Sousa, o padrinho da nossa programação para 2021. Este domingo, 18 de abril, este artista multidisciplinar inclassificável faria 100 anos. Ao escolhermos Ernesto como nosso padrinho, queríamos estar à altura da sua obra, e queríamos fazer-lhe a promessa de apresentar uma programação que estivesse à altura do seu espírito pluridisciplinar.<br>Este dia também começou no sábado passado, com a abertura do nosso ciclo de música a Galeria Zé dos Bois, escolhido a dedo e pela mão de Sérgio Hydalgo. Ricardo Toscano estreou o seu double Trio e com a sua música aqueceu o Teatro, preparando-o para a sua abertura esta segunda-feira, dia 19 de abril, dia em que podemos reabrir o nosso espaço ao público. <br>Este dia de reabertura só poderia ser este dia que começou a ser cozinhado por tantos e há tanto tempo. Abrimos as portas do teatro à mais nobre das atividades públicas: Uma visita guiada aos bastidores do teatro oferecida por toda a sua equipa aos alunos do agrupamento de escolas de Moimenta da Beira.  Com direito a assistirem à montagem do cenário do espetáculo em residência “Ainda estou aqui” de Tiago Lima, vencedor da 3º edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. E uma outra visita à exposição temporária sobre a identidade portuguesa ainda em construção no Museu Grão Vasco.  E ainda uma pausa no Adro da Sé onde jogámos e conversámos juntos, guiados por Nuno Veiga, artista associado do Teatro Viriato, numa pequena sessão com direito à história múltipla da Sé de Viseu contemplando os seus vários séculos de construção. Ainda a semana vai a meio, e já sabemos que teremos direito a assistir aos ensaios de uma banda de Tiago Lima que, finalmente, poderá ver a luz do dia durante os próximos ensaios, e ainda poderemos celebrar a revolução este fim de semana, descendo a avenida, relembrando como, e a partir de Viseu, a descemos o ano passado através do olhar e dos telefonemas em direto de Joana Craveiro, nossa artista residente. Ah, e isto sem esquecer o concerto dos professores do Conservatório de música de Viseu já este sábado no Festival Internacional de Música da Primavera. Tudo isto numa semana e penso: Haverá melhor semana e maneira de reabrir um teatro do que desta maneira? Querido mestre Ernesto de Sousa, queridos parceiros do Museu Grão Vasco e de Moimenta da Beira, haverá melhor do que misturar séculos, técnicas, estilos, casas, idades e vontades para reabrir um teatro e celebrar a multiplicidade do que ainda podemos ser? </p><p>____<br>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</p>]]>
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      <pubDate>Wed, 21 Apr 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Falar de abril é falar da reabertura das salas de espetáculos. De como se fez e como se prepara o futuro no Teatro Viriato. É também falar do artista mulltidisplinar Ernesto de Sousa que, a 18 de abril, celebraria 100 anos. </itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Falar de abril é falar da reabertura das salas de espetáculos. De como se fez e como se prepara o futuro no Teatro Viriato. É também falar do artista mulltidisplinar Ernesto de Sousa que, a 18 de abril, celebraria 100 anos. </itunes:subtitle>
      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Pensar a mais de dois | T3 Ep12</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p><strong>Pensar a mais de dois</strong></p><p><br></p><p>Pensar na sustentabilidade ambiental, política, individual, afetiva, sexual e ética do nosso quotidiano. Ensaiar discursos de resistência e resiliência na cidade, em casa, no trabalho. Questionar as fronteiras físicas e mentais entre países, entre épocas, entre géneros, entre classes.</p><p>Alterar, com a presença do corpo, a norma, a esfera da intimidade, as relações de poder.</p><p>Existir. De forma plural e sempre questionante  através de múltiplas linguagens. </p><p>Criar ligações. Construir pontes. Lançar as cordas e os dados.  Desenhar novos mapas, ler e descobrir novas constelações.</p><p>Pensar em novas formas de habitar o planeta e de ocupar o espaço social e político.</p><p>Pensar em formas de reconciliação ou de confronto com os tempos em que vivemos.</p><p>Pensar de outras formas. Formar outros pensamentos. E fazê-los a partir de casa, do palco, da rua e em plataformas digitais, escritas, presenciais, locais, à distância, de olhos fechados ou simplesmente à escuta, aproximando-nos de pares e de estranhos.</p><p>Focar os holofotes na margem, na outra margem, no outro lado do atlântico, ou do outro lado de cá desta fronteira única e peninsular. </p><p>Celebramos tudo isto esta semana e anunciamos a parceria do Teatro Viriato com o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica – que se iniciará já no mês de maio. O Teatro Viriato junta-se à 44ª edição de um dos festivais internacionais mais antigos no país e mantém próxima e viva a cena internacional num momento em que a deslocação além-fronteiras está restringida. O Teatro Viriato junta-se com a sua equipa, com o seu palco, com o seu conhecimento e com as suas propostas para que a base de aterragem das muitas realidades ibéricas e transatlânticas seja mais alargada, e a possibilidade de contacto mais extensa, mais diversa e a chegar a muito mais público, lembrando-nos a todos que o mundo não é do tamanho das nossas quatro paredes caseiras, mesmo quando assim nos parece, nem tem as mesmas cores ou condições em todos os quatro cantos do planeta. </p><p>Num momento em que se vive com ansiedade a possibilidade de um reencontro numa sala de teatro, manter só a luz e o debate acesos e a porta aberta, ou outras as formas de pensar e recriar o quotidiano, não só as nossas, mas, e sobretudo, as que desconhecemos,  parece-nos necessário, urgente e prioritário.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p><strong>Pensar a mais de dois</strong></p><p><br></p><p>Pensar na sustentabilidade ambiental, política, individual, afetiva, sexual e ética do nosso quotidiano. Ensaiar discursos de resistência e resiliência na cidade, em casa, no trabalho. Questionar as fronteiras físicas e mentais entre países, entre épocas, entre géneros, entre classes.</p><p>Alterar, com a presença do corpo, a norma, a esfera da intimidade, as relações de poder.</p><p>Existir. De forma plural e sempre questionante  através de múltiplas linguagens. </p><p>Criar ligações. Construir pontes. Lançar as cordas e os dados.  Desenhar novos mapas, ler e descobrir novas constelações.</p><p>Pensar em novas formas de habitar o planeta e de ocupar o espaço social e político.</p><p>Pensar em formas de reconciliação ou de confronto com os tempos em que vivemos.</p><p>Pensar de outras formas. Formar outros pensamentos. E fazê-los a partir de casa, do palco, da rua e em plataformas digitais, escritas, presenciais, locais, à distância, de olhos fechados ou simplesmente à escuta, aproximando-nos de pares e de estranhos.</p><p>Focar os holofotes na margem, na outra margem, no outro lado do atlântico, ou do outro lado de cá desta fronteira única e peninsular. </p><p>Celebramos tudo isto esta semana e anunciamos a parceria do Teatro Viriato com o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica – que se iniciará já no mês de maio. O Teatro Viriato junta-se à 44ª edição de um dos festivais internacionais mais antigos no país e mantém próxima e viva a cena internacional num momento em que a deslocação além-fronteiras está restringida. O Teatro Viriato junta-se com a sua equipa, com o seu palco, com o seu conhecimento e com as suas propostas para que a base de aterragem das muitas realidades ibéricas e transatlânticas seja mais alargada, e a possibilidade de contacto mais extensa, mais diversa e a chegar a muito mais público, lembrando-nos a todos que o mundo não é do tamanho das nossas quatro paredes caseiras, mesmo quando assim nos parece, nem tem as mesmas cores ou condições em todos os quatro cantos do planeta. </p><p>Num momento em que se vive com ansiedade a possibilidade de um reencontro numa sala de teatro, manter só a luz e o debate acesos e a porta aberta, ou outras as formas de pensar e recriar o quotidiano, não só as nossas, mas, e sobretudo, as que desconhecemos,  parece-nos necessário, urgente e prioritário.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 14 Apr 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>A parceria com o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, a promoção conjunta com a Companhia Paulo Ribeiro em nova edição do Summer Lab e as propostas da nova programação do Teatro Viriato com a abertura das salas de espetáculo em perspetiva são destaques nesta edição do Magazine do Teatro Viriato.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A parceria com o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, a promoção conjunta com a Companhia Paulo Ribeiro em nova edição do Summer Lab e as propostas da nova programação do Teatro Viriato com a abertura das salas de espetáculo em p</itunes:subtitle>
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      <title>Todos múltiplos de 1 | T3 Ep11</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>No trimestre que passou, vivemos algumas aflições, muitas incertezas, recolhemo-nos de novo às nossas casas, assistimos ao fecho de escolas e de fronteiras, cuidámos dos nossos entes queridos, vimos a nossa cidade ser abalada por tempestades e pela perda de alguns dos nossos. No Teatro Viriato ensaiámos novas obras, reordenámos a programação, testámos novos formatos, reforçámos as nossas alianças e parcerias, amparámo-nos perante a permanente surpresa de mais um adiamento, de mais uma doença, de mais uma trágica notícia. </p><p>Nem sempre nos pareceu possível aguentar. </p><p>Nem sempre nos pareceu que tudo isto fizesse sentido. </p><p>Mas olhando agora para o programa que desenhámos e que agora vos oferecemos, vemos nele espelhado os quatro cantos do planeta, os três tempos de uma história comum (passada, presente, futura), os percursos biográficos e civilizacionais que nos unem e nos separam, a presença daqueles que já partiram e que nos acompanharam nesta construção, e, sobretudo, reconhecemos a vontade, a coragem e o esforço de tantos e tão dedicados artistas que não cessam de nos fascinar e de contar as nossas Histórias. </p><p>A partir de abril fazemos questão de recomeçar de novo o ano. A partir de abril poderemos visitar a “Rural Art Residency” na Arménia pela mão da sua curadora e artista plástica Lilit Stepanyan e de Pedro Sousa Loureiro. </p><p>Poderemos cheirar as primeiras frésias da estação com o “Festival Internacional de Música da Primavera” (que este ano inaugura ainda a nossa parceria na área da música com Sérgio Hydalgo, programador da Galeria Zé dos Bois, um casamento celebrado no Teatro Viriato que se deseja longo e feliz). Poderemos pendurar o nosso ramo de espigas na porta do quarto que partilhamos agora com o “Festival Internacional de Teatro de expressão Ibérica – FITEI”, o nosso novo companheiro de viagens transatlânticas. Poderemos abrir o verão com um passeio pelos múltiplos “Jardins Efémeros” na companhia de Chris Watson, ou André Gonçalves e passear ao lado dos <em>Filhos de Abel</em>, o projecto final dos alunos do 3º ano de interpretação da Escola Superior de Teatro e Cinema em residência no Teatro Viriato e a estrear pelas ruas de Viseu. </p><p>Visitaremos momentos únicos do passado com a reposição de “The Show Must Go on”, de Jérôme Bel, vinte anos após a sua estreia inesquecível; despedir-nos-emos deste mundo para podermos imaginar outros futuros com João Pedro Leal, Eduardo Molina e Marco Mendonça; Espreitaremos tudo aquilo que ainda não somos e vamos por certo ser com as apresentações finais da Escola de Dança Lugar Presente e o “Projeto Jovens Bailarinos”, da Companhia Paulo Ribeiro. Mergulharemos no nosso corpo, relendo-o em  “A Minha História da Dança”, pela voz e memória de Sónia Baptista, abraçando-o no seu virtuosismo<em> para o melhor e para o pior (</em>“P<em>our le Meilleur et  Pour le Pire</em>”), na composição amorosa de Kati Pikkarainen e Victor Cathala para o Cirque Aitall; tentando decifrar o seu desejo de velocidade e implosão em “<em>Cabraqimera</em>” de Catarina Miranda.</p><p>Tentaremos compreender o lugar do pai na civilização ocidental através das memórias pessoais de Romeu Runa e Beatriz Batarda na encenação “Perfil Perdido”, de Marco Martins, ou o lugar que não deveria ser só da mãe em “Stabat Mater”, de Janaína Leite. Entraremos por múltiplas cidades habitadas por várias companhias como o Teatro da Cidade, os Possessos ou o AuÉÉÉu Teatro.</p><p>Recordaremos o 25 de abril e ensaiaremos a luta com o álbum de 2020 “<em>Rapazes e Raposas</em>”<em>,</em> de B Fachada e ouviremos ainda, e pela primeiríssima vez, o disco “Hair of the dog”, de Gabriel Ferrandini.  </p><p>Do Chile à Arménia, passando por cidades imaginárias, do passado ou que queremos bem presentes, o Teatro Viriato conta ser o lugar da diversidade que qualquer vida deve ser e ter. Nunca esquecendo a singularidade de cada um e que se confirma na multiplicidade de vozes, de corpos, de caras, de estados, de humores, de desejos e de possibilidades que só se revelarão no momento do encontro entre o público e a arte que queremos oferecer. Contamos consigo para escrevermos juntos os próximos capítulos do diário de um 2021 que teima em recomeçar de novo em abril, um ano que inicia e onde cabe uma década.</p><p><br>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>No trimestre que passou, vivemos algumas aflições, muitas incertezas, recolhemo-nos de novo às nossas casas, assistimos ao fecho de escolas e de fronteiras, cuidámos dos nossos entes queridos, vimos a nossa cidade ser abalada por tempestades e pela perda de alguns dos nossos. No Teatro Viriato ensaiámos novas obras, reordenámos a programação, testámos novos formatos, reforçámos as nossas alianças e parcerias, amparámo-nos perante a permanente surpresa de mais um adiamento, de mais uma doença, de mais uma trágica notícia. </p><p>Nem sempre nos pareceu possível aguentar. </p><p>Nem sempre nos pareceu que tudo isto fizesse sentido. </p><p>Mas olhando agora para o programa que desenhámos e que agora vos oferecemos, vemos nele espelhado os quatro cantos do planeta, os três tempos de uma história comum (passada, presente, futura), os percursos biográficos e civilizacionais que nos unem e nos separam, a presença daqueles que já partiram e que nos acompanharam nesta construção, e, sobretudo, reconhecemos a vontade, a coragem e o esforço de tantos e tão dedicados artistas que não cessam de nos fascinar e de contar as nossas Histórias. </p><p>A partir de abril fazemos questão de recomeçar de novo o ano. A partir de abril poderemos visitar a “Rural Art Residency” na Arménia pela mão da sua curadora e artista plástica Lilit Stepanyan e de Pedro Sousa Loureiro. </p><p>Poderemos cheirar as primeiras frésias da estação com o “Festival Internacional de Música da Primavera” (que este ano inaugura ainda a nossa parceria na área da música com Sérgio Hydalgo, programador da Galeria Zé dos Bois, um casamento celebrado no Teatro Viriato que se deseja longo e feliz). Poderemos pendurar o nosso ramo de espigas na porta do quarto que partilhamos agora com o “Festival Internacional de Teatro de expressão Ibérica – FITEI”, o nosso novo companheiro de viagens transatlânticas. Poderemos abrir o verão com um passeio pelos múltiplos “Jardins Efémeros” na companhia de Chris Watson, ou André Gonçalves e passear ao lado dos <em>Filhos de Abel</em>, o projecto final dos alunos do 3º ano de interpretação da Escola Superior de Teatro e Cinema em residência no Teatro Viriato e a estrear pelas ruas de Viseu. </p><p>Visitaremos momentos únicos do passado com a reposição de “The Show Must Go on”, de Jérôme Bel, vinte anos após a sua estreia inesquecível; despedir-nos-emos deste mundo para podermos imaginar outros futuros com João Pedro Leal, Eduardo Molina e Marco Mendonça; Espreitaremos tudo aquilo que ainda não somos e vamos por certo ser com as apresentações finais da Escola de Dança Lugar Presente e o “Projeto Jovens Bailarinos”, da Companhia Paulo Ribeiro. Mergulharemos no nosso corpo, relendo-o em  “A Minha História da Dança”, pela voz e memória de Sónia Baptista, abraçando-o no seu virtuosismo<em> para o melhor e para o pior (</em>“P<em>our le Meilleur et  Pour le Pire</em>”), na composição amorosa de Kati Pikkarainen e Victor Cathala para o Cirque Aitall; tentando decifrar o seu desejo de velocidade e implosão em “<em>Cabraqimera</em>” de Catarina Miranda.</p><p>Tentaremos compreender o lugar do pai na civilização ocidental através das memórias pessoais de Romeu Runa e Beatriz Batarda na encenação “Perfil Perdido”, de Marco Martins, ou o lugar que não deveria ser só da mãe em “Stabat Mater”, de Janaína Leite. Entraremos por múltiplas cidades habitadas por várias companhias como o Teatro da Cidade, os Possessos ou o AuÉÉÉu Teatro.</p><p>Recordaremos o 25 de abril e ensaiaremos a luta com o álbum de 2020 “<em>Rapazes e Raposas</em>”<em>,</em> de B Fachada e ouviremos ainda, e pela primeiríssima vez, o disco “Hair of the dog”, de Gabriel Ferrandini.  </p><p>Do Chile à Arménia, passando por cidades imaginárias, do passado ou que queremos bem presentes, o Teatro Viriato conta ser o lugar da diversidade que qualquer vida deve ser e ter. Nunca esquecendo a singularidade de cada um e que se confirma na multiplicidade de vozes, de corpos, de caras, de estados, de humores, de desejos e de possibilidades que só se revelarão no momento do encontro entre o público e a arte que queremos oferecer. Contamos consigo para escrevermos juntos os próximos capítulos do diário de um 2021 que teima em recomeçar de novo em abril, um ano que inicia e onde cabe uma década.</p><p><br>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 07 Apr 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Do que sentimos mesmo falta? | T3 Ep10</title>
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        <![CDATA[<p><strong>Do que sentimos mesmo falta?</strong></p><p><br></p><p>Uma vez ouvi um filho perguntar a um pai:<br>   - Quando é que isto tudo melhora, pai?</p><p>E o pai, sábio, respondeu-lhe:<br>   - Quanto te habituares a isto.</p><p><br></p><p>Estamos num momento em que é fácil desanimar.</p><p>Ainda não estamos suficientemente longe para nos esquecermos de como tudo se passou, mas também não estamos ainda tão perto do fim para conseguirmos aguentar esta hercúlea tarefa de caminhar sobre uma prolongada dúvida. Perguntamo-nos cada vez mais sobre o que de facto faz sentido e para onde caminhamos. Perguntamo-nos: O que não vai regressar? O que mudará para sempre? Do que estamos dispostos a abdicar? Do que sentimos verdadeiramente falta? Será de ir ao cinema? De ir ao teatro? Ficar na rua até às tantas? Ir a um restaurante comemorar um aniversário? Será de beber um copo com os amigos? Ir às suas casas? Conhecer gente nova? Abraçar a família? Passear simplesmente nas ruas, encontrando outros, falando com outros, sem pressão de horário nem recolhimento noturno? Teremos saudades de sentir a ilusão de que controlamos o destino? Que temos na mão a sorte?  Quereremos tudo de volta ou há coisas que nos fazem mais falta do que outras?</p><p>Estamos em pleno mar alto. Não há terra à vista. Tentamos fazer o exercício de organizar o futuro próximo. Fazer planos... </p><ul><li>Quando terminar esta quarentena, vou visitar o meu tio. </li><li>Quando terminar este suplício, vou andar pela praia horas a fio. Quando terminar este ano vou … vou… e vou…</li></ul><p>Fico em casa a ouvir um concerto único de um quarteto de cordas. Os músicos estão sozinhos, fechados num teatro, frente a uma plateia vazia, mas com uma garra, como se ali estivesse uma multidão. E só para que eu veja do outro lado da linha, em casa, no meu ecrã de televisão ou de computador. E penso: Caramba! E se esta pandemia nos tivesse calhado num tempo sem internet? E se ainda vêm outras onde não há possível comunicação? Sinto-me afortunada! Há quem não desista! Há quem continue a tocar todos os dias, a treinar todos os dias, a compor todos os dias, a desenhar todos os dias; há quem nos relembre que o ser humano sempre inventou a roda, vezes sem conta, e não será agora que não vai inventar a maneira mais delicada e airosa de se manter vivo, criativo e generoso para com os seus. Pego no programa do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, organizado pelo Conservatório Regional de Música de Viseu Dr. José Azeredo Perdigão, e vejo a Diana Botelho, o Manuel Araújo, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a estreia do Ricardo Toscano Double Trio. Alguém mantém o mundo vivo e a girar, alguém mantém a sopa primordial aquecida para que se continue a criar, a provocar a mudança, a encher de música o ar e a teimar em fazer-se presente, para não nos esquecermos do que nos faz mesmo falta.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p><strong>Do que sentimos mesmo falta?</strong></p><p><br></p><p>Uma vez ouvi um filho perguntar a um pai:<br>   - Quando é que isto tudo melhora, pai?</p><p>E o pai, sábio, respondeu-lhe:<br>   - Quanto te habituares a isto.</p><p><br></p><p>Estamos num momento em que é fácil desanimar.</p><p>Ainda não estamos suficientemente longe para nos esquecermos de como tudo se passou, mas também não estamos ainda tão perto do fim para conseguirmos aguentar esta hercúlea tarefa de caminhar sobre uma prolongada dúvida. Perguntamo-nos cada vez mais sobre o que de facto faz sentido e para onde caminhamos. Perguntamo-nos: O que não vai regressar? O que mudará para sempre? Do que estamos dispostos a abdicar? Do que sentimos verdadeiramente falta? Será de ir ao cinema? De ir ao teatro? Ficar na rua até às tantas? Ir a um restaurante comemorar um aniversário? Será de beber um copo com os amigos? Ir às suas casas? Conhecer gente nova? Abraçar a família? Passear simplesmente nas ruas, encontrando outros, falando com outros, sem pressão de horário nem recolhimento noturno? Teremos saudades de sentir a ilusão de que controlamos o destino? Que temos na mão a sorte?  Quereremos tudo de volta ou há coisas que nos fazem mais falta do que outras?</p><p>Estamos em pleno mar alto. Não há terra à vista. Tentamos fazer o exercício de organizar o futuro próximo. Fazer planos... </p><ul><li>Quando terminar esta quarentena, vou visitar o meu tio. </li><li>Quando terminar este suplício, vou andar pela praia horas a fio. Quando terminar este ano vou … vou… e vou…</li></ul><p>Fico em casa a ouvir um concerto único de um quarteto de cordas. Os músicos estão sozinhos, fechados num teatro, frente a uma plateia vazia, mas com uma garra, como se ali estivesse uma multidão. E só para que eu veja do outro lado da linha, em casa, no meu ecrã de televisão ou de computador. E penso: Caramba! E se esta pandemia nos tivesse calhado num tempo sem internet? E se ainda vêm outras onde não há possível comunicação? Sinto-me afortunada! Há quem não desista! Há quem continue a tocar todos os dias, a treinar todos os dias, a compor todos os dias, a desenhar todos os dias; há quem nos relembre que o ser humano sempre inventou a roda, vezes sem conta, e não será agora que não vai inventar a maneira mais delicada e airosa de se manter vivo, criativo e generoso para com os seus. Pego no programa do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, organizado pelo Conservatório Regional de Música de Viseu Dr. José Azeredo Perdigão, e vejo a Diana Botelho, o Manuel Araújo, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a estreia do Ricardo Toscano Double Trio. Alguém mantém o mundo vivo e a girar, alguém mantém a sopa primordial aquecida para que se continue a criar, a provocar a mudança, a encher de música o ar e a teimar em fazer-se presente, para não nos esquecermos do que nos faz mesmo falta.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 31 Mar 2021 16:30:00 +0100</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Saudades e planos estão nas reflexões de Patrícia Portela na crónica semanal. 'Música da Primavera' é destaque com entrevista ao diretor do Festival e na programação do Teatro.</itunes:summary>
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      <itunes:keywords>Cultura, Viseu, Teatro, Viriato, Boca</itunes:keywords>
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      <title>Em boa companhia | T3 Ep9</title>
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      <description>
        <![CDATA[<p>O meu lugar preferido no Teatro Viriato é a teia. É o lugar onde estou e não estou no teatro. Onde estou e não estou no palco. É daqui que vejo o Fraga, o encenador que agora prepara a estreia da peça “Senso” a partir das peças didáticas de Bertolt Brecht, a falar com a sua equipa antes de começar o ensaio geral. É daqui que o ouço a agradecer a cada um dos seus atores, a cada um dos membros da equipa do Teatro Viriato, a cada um dos dias que aqui esteve este mês a construir uma obra, lado a lado, com uma equipa que se admira, que se respeita e que se conhece muito bem. Grande parte do elenco é de Viseu ou dos arredores, e começou a fazer Teatro ao lado de ou por causa de Fraga. </p><p>Tem sido um enorme privilégio, enquanto recém-chegada a Viseu, receber este projeto por um tempo prolongado. Criámos rotinas, trocámos textos e conversas, histórias de outros tempos. Com eles viajei por muitas cidades de Viseu, algumas mais antigas, outras recentes, e foi surpreendente reconhecer alguns caminhos comuns (ainda que separados pela geografia) assim como perceber que a história da atividade performativa nesta cidade muito deve à loucura, ao empenho, à dedicação e à paixão deste encenador que entre aulas, espetáculos e outras aventuras, apoiou muitos dos artistas e autores que a cidade tem.</p><p>Nestes últimos três meses, de janeiro a março de 2021, um período em que não nos foi possível abrir as portas ao público, acolhemos mais de 50. </p><p>Apesar da distância, das restrições e das múltiplas dificuldades que os dias foram apresentando acolhemos o projeto “A fragilidade de estarmos juntos”, “Aleksei ou a Fé” e agora “SENSO”, três produções inteiramente produzidas em Viseu com um elenco maioritariamente da região.</p><p>Estes meses ficaram na minha memória, enquanto diretora artística deste teatro, como o início de uma experiência num teatro cheio de histórias e memórias que se fundem com a história dos artistas e da sua comunidade. Um tempo que vivi sempre acompanhada daqueles que me adotaram e me abriram as portas para que pudesse entrar e fazer o meu caminho.</p><p>Tal como diz Guilherme Gomes, ator nesta peça que estreamos no Dia Mundial do Teatro (e encenador e ator do Teatro da Cidade), talvez não seja por acaso que, a um grupo de atores, não se chama nem banda, nem empresa, mas “companhia”. É assim, o Teatro Viriato. Um lugar onde se vivem os dias, mesmo os mais difíceis, oferecendo, partilhando espetáculos de múltiplos formatos, sempre em boa companhia.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p>O meu lugar preferido no Teatro Viriato é a teia. É o lugar onde estou e não estou no teatro. Onde estou e não estou no palco. É daqui que vejo o Fraga, o encenador que agora prepara a estreia da peça “Senso” a partir das peças didáticas de Bertolt Brecht, a falar com a sua equipa antes de começar o ensaio geral. É daqui que o ouço a agradecer a cada um dos seus atores, a cada um dos membros da equipa do Teatro Viriato, a cada um dos dias que aqui esteve este mês a construir uma obra, lado a lado, com uma equipa que se admira, que se respeita e que se conhece muito bem. Grande parte do elenco é de Viseu ou dos arredores, e começou a fazer Teatro ao lado de ou por causa de Fraga. </p><p>Tem sido um enorme privilégio, enquanto recém-chegada a Viseu, receber este projeto por um tempo prolongado. Criámos rotinas, trocámos textos e conversas, histórias de outros tempos. Com eles viajei por muitas cidades de Viseu, algumas mais antigas, outras recentes, e foi surpreendente reconhecer alguns caminhos comuns (ainda que separados pela geografia) assim como perceber que a história da atividade performativa nesta cidade muito deve à loucura, ao empenho, à dedicação e à paixão deste encenador que entre aulas, espetáculos e outras aventuras, apoiou muitos dos artistas e autores que a cidade tem.</p><p>Nestes últimos três meses, de janeiro a março de 2021, um período em que não nos foi possível abrir as portas ao público, acolhemos mais de 50. </p><p>Apesar da distância, das restrições e das múltiplas dificuldades que os dias foram apresentando acolhemos o projeto “A fragilidade de estarmos juntos”, “Aleksei ou a Fé” e agora “SENSO”, três produções inteiramente produzidas em Viseu com um elenco maioritariamente da região.</p><p>Estes meses ficaram na minha memória, enquanto diretora artística deste teatro, como o início de uma experiência num teatro cheio de histórias e memórias que se fundem com a história dos artistas e da sua comunidade. Um tempo que vivi sempre acompanhada daqueles que me adotaram e me abriram as portas para que pudesse entrar e fazer o meu caminho.</p><p>Tal como diz Guilherme Gomes, ator nesta peça que estreamos no Dia Mundial do Teatro (e encenador e ator do Teatro da Cidade), talvez não seja por acaso que, a um grupo de atores, não se chama nem banda, nem empresa, mas “companhia”. É assim, o Teatro Viriato. Um lugar onde se vivem os dias, mesmo os mais difíceis, oferecendo, partilhando espetáculos de múltiplos formatos, sempre em boa companhia.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 24 Mar 2021 16:30:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>A estreia de 'Censo', a peça do encenador Fraga, com elenco ligado a Viseu, e a agenda com foco no Dia Mundial do Teatro.</itunes:summary>
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      <title>A história repete-se | T3 Ep8</title>
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        <![CDATA[<p><strong>A história repete-se <br></strong><br></p><p>Muitas vezes me despeço de um jantar, de um encontro, de uma compra numa loja ou de um café dizendo “saúde”. Um hábito que herdei da minha avó Betinha, e que passei a usar com maior veemência e intensidade com o início da pandemia. Quando eu era criança, a minha avó explicava-me vezes sem conta que se deveria dizer sempre “Santinho!” ou “saúde!” quando alguém espirrava, (e a minha avó ainda beijava o terço que trazia ao pescoço) pois era com um espirro que muitas mortes começavam. Eu juntava este hábito da minha avó a muitas outros que me ensinara, como a de não deixar nunca uma tesoura aberta sobre a mesa (porque corta as amizades), ou os croquetes feitos de tudo que sempre comíamos à sexta-feira porque à sexta feira é dia de restos. A minha avó sempre nos educara para um mundo de privações, cheio de mágoas e de tragédias que eu nem sempre aceitava ou compreendia.</p><p>Esta semana, em conversa com familiares, descobri que tanto a avó materna do meu pai (ou seja, a mãe desta minha avó Betinha) como a avó materna da minha mãe, morreram de gripe espanhola, deixando as filhas órfãs, aos dez e aos dezoito anos de idade. Esta nunca foi uma história que tivesse circulado na família, e mesmo os meus pais não a conheciam. Ninguém se lembrara, até à data, de mencionar a causa da morte destes familiares que nenhum de nós conhecera. <br>Enquanto ouvia a conversa, pensava que nunca tinha pensado sobre a infância da minha avó. Imaginei-a de repente a crescer sozinha, a cuidar das irmãs mais novas, a ir para Lisboa trabalhar, a casar só aos trinta, algo raro na sua geração, a fazer sempre croquetes à sexta-feira para juntar os restos dos outros dias e assim fazer uma refeição para todos. De repente, vi uma outra mulher. Uma outra vida que a tinha levado a ser a avó que conheci. A avó que dizia Santinho e beijava o terço de cada vez que me ouvia espirrar. Tivesse eu feito mais perguntas quando era mais jovem, e talvez a sua história me tivesse ensinado a sobreviver agora à minha. </p><p>Passamos por estes dias ouvindo expressões como “sem precedentes” ou “como nunca se tinha visto”, ou ainda “um acontecimento inacreditável, incomportável, inusitado” e afinal estamos simplesmente paralisados frente à nossa história única e recente, sem nunca nos atrevermos a deambular pelo passado de outras histórias, por vezes tão próximas e tão similares. A história repete-se mostrando que apesar de únicos nas nossas semelhanças, somos todos iguais e vulneráveis perante uma experiência que nos parece tão diferente de tudo o que até agora nos aconteceu; e que afinal, já se passou com tantos dos que nos antecederam. Deixei-me ficar a ouvir aquela conversa enquanto imaginava familiares distantes a combater com bravura tantas doenças e catástrofes. Queria que aquela conversa nunca mais terminasse, que se repetisse, vezes em conta, que fosse encenada e recontada. Por um momento tive a certeza de que a força daquelas histórias de vida, à conta de serem contadas e recontadas, me trariam uma solução para as minhas dúvidas presentes.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p><strong>A história repete-se <br></strong><br></p><p>Muitas vezes me despeço de um jantar, de um encontro, de uma compra numa loja ou de um café dizendo “saúde”. Um hábito que herdei da minha avó Betinha, e que passei a usar com maior veemência e intensidade com o início da pandemia. Quando eu era criança, a minha avó explicava-me vezes sem conta que se deveria dizer sempre “Santinho!” ou “saúde!” quando alguém espirrava, (e a minha avó ainda beijava o terço que trazia ao pescoço) pois era com um espirro que muitas mortes começavam. Eu juntava este hábito da minha avó a muitas outros que me ensinara, como a de não deixar nunca uma tesoura aberta sobre a mesa (porque corta as amizades), ou os croquetes feitos de tudo que sempre comíamos à sexta-feira porque à sexta feira é dia de restos. A minha avó sempre nos educara para um mundo de privações, cheio de mágoas e de tragédias que eu nem sempre aceitava ou compreendia.</p><p>Esta semana, em conversa com familiares, descobri que tanto a avó materna do meu pai (ou seja, a mãe desta minha avó Betinha) como a avó materna da minha mãe, morreram de gripe espanhola, deixando as filhas órfãs, aos dez e aos dezoito anos de idade. Esta nunca foi uma história que tivesse circulado na família, e mesmo os meus pais não a conheciam. Ninguém se lembrara, até à data, de mencionar a causa da morte destes familiares que nenhum de nós conhecera. <br>Enquanto ouvia a conversa, pensava que nunca tinha pensado sobre a infância da minha avó. Imaginei-a de repente a crescer sozinha, a cuidar das irmãs mais novas, a ir para Lisboa trabalhar, a casar só aos trinta, algo raro na sua geração, a fazer sempre croquetes à sexta-feira para juntar os restos dos outros dias e assim fazer uma refeição para todos. De repente, vi uma outra mulher. Uma outra vida que a tinha levado a ser a avó que conheci. A avó que dizia Santinho e beijava o terço de cada vez que me ouvia espirrar. Tivesse eu feito mais perguntas quando era mais jovem, e talvez a sua história me tivesse ensinado a sobreviver agora à minha. </p><p>Passamos por estes dias ouvindo expressões como “sem precedentes” ou “como nunca se tinha visto”, ou ainda “um acontecimento inacreditável, incomportável, inusitado” e afinal estamos simplesmente paralisados frente à nossa história única e recente, sem nunca nos atrevermos a deambular pelo passado de outras histórias, por vezes tão próximas e tão similares. A história repete-se mostrando que apesar de únicos nas nossas semelhanças, somos todos iguais e vulneráveis perante uma experiência que nos parece tão diferente de tudo o que até agora nos aconteceu; e que afinal, já se passou com tantos dos que nos antecederam. Deixei-me ficar a ouvir aquela conversa enquanto imaginava familiares distantes a combater com bravura tantas doenças e catástrofes. Queria que aquela conversa nunca mais terminasse, que se repetisse, vezes em conta, que fosse encenada e recontada. Por um momento tive a certeza de que a força daquelas histórias de vida, à conta de serem contadas e recontadas, me trariam uma solução para as minhas dúvidas presentes.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 17 Mar 2021 16:30:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Certos acontecimentos parecem-nos estranhos e inacreditáveis mas são afinal recorrentes na história do mundo. São os ciclos de vida e de aprendizagem que estão em foco na crónica de Patrícia Portela, que abre este episódio. 
Em 'Boca do Mundo', falamos com Fraga para antever a peça Censo, que estreia no Teatro Viriato no Dia Mundial do Teatro. O encenador propõe releitura dramatúrgica das obras de Brecht e reflete como e porquê tomamos decisões. 
Para conferir também os detalhes da programação com Liliana Rodrigues no 'À Boca da Bilheteira'.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Certos acontecimentos parecem-nos estranhos e inacreditáveis mas são afinal recorrentes na história do mundo. São os ciclos de vida e de aprendizagem que estão em foco na crónica de Patrícia Portela, que abre este episódio. 
Em 'Boca do Mundo', falamos c</itunes:subtitle>
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      <title>Ataques tipográficos | T3 Ep7</title>
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      <podcast:episode>39</podcast:episode>
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        <![CDATA[<p><strong>Ataques tipográficos<br></strong><br></p><p>O Teatro assenta na crença ingénua na palavra. Um homem entra em cena e afirma que é o rei da Dinamarca e todos acordamos que estamos a ver mais uma versão de Hamlet. Além dos cenários, da iluminação, do ambiente sonoro ou dos efeitos especiais, são as palavras que nos fazem viajar até lugares, épocas e dramas distintos.</p><p>Ao que parece, o mesmo acontece a uma inteligência artificial.</p><p>As ferramentas a utilizar são as mais simples: uma caneta e um papel. Segundo investigadores e programadores, basta escrever, numa pequena folha de papel, por exemplo, “iPod”, e colocar essa nota por cima da imagem de uma maçã, para que o sistema de reconhecimento de objetos de um computador deduza estar perante um “iPod” e não uma ”maçã”. Ou, se a fotografia de um cão tiver uma nota cheia de cifrões desenhados à mão, passa a ser reconhecida como um porquinho-mealheiro.</p><p>A estes desencontros entre a leitura do sistema do computador e a imagem chamamos “ataques tipográficos”.</p><p>Clip é um sistema de visualização capaz de aprender conceitos abstratos a partir da sua representação. Uma espécie de rede neurológica multimodal que, ao cruzar a múltipla informação que recolhe, consegue, por exemplo, decifrar a imagem de um homem-aranha. Um neurónio reconhece a aranha, outro, o homem, e outro ainda, o traço de um desenho animado. Esta rede neurológica artificial está tão desenvolvida que pode reconhecer ainda uma estação do ano ou uma emoção, e não apenas objetos. Curiosamente, esta rede, cada vez mais exata, tornou-se tão eficaz na leitura de imagens, mesmos as desenhadas, que confunde com facilidade um conceito escrito e uma imagem fotográfica de algo real. Como consequência, conseguimos induzir qualquer sistema artificial em erro com um simples recado escrito à mão. </p><p>Tal como acontece com um espectador, que, ao ouvir as palavras criteriosamente escolhidas por um dramaturgo serem proferidas pela boca de um ator, se deixa transportar para um outro lugar e uma outra vida. A diferença é que o espectador sabe distinguir as duas verdades. O mesmo não se pode dizer de uma inteligência artificial, que muito ganharia em participar no workshop de Jacinto Lucas Pires, no próximo fim de semana. Poderia descobrir a tensão entre uma palavra dita e uma palavra escrita, e perceber o mecanismo e a relação de afeto e cumplicidade entre uma palavra e um corpo e saber como habitar o hiato entre aquilo que é misterioso (porque não é um iPod nem só uma maçã), e aquilo que sempre será “espantosamente claro”, sobretudo quando escrito por um dramaturgo como o que convidamos esta semana para lecionar no Teatro Viriato.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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        <![CDATA[<p><strong>Ataques tipográficos<br></strong><br></p><p>O Teatro assenta na crença ingénua na palavra. Um homem entra em cena e afirma que é o rei da Dinamarca e todos acordamos que estamos a ver mais uma versão de Hamlet. Além dos cenários, da iluminação, do ambiente sonoro ou dos efeitos especiais, são as palavras que nos fazem viajar até lugares, épocas e dramas distintos.</p><p>Ao que parece, o mesmo acontece a uma inteligência artificial.</p><p>As ferramentas a utilizar são as mais simples: uma caneta e um papel. Segundo investigadores e programadores, basta escrever, numa pequena folha de papel, por exemplo, “iPod”, e colocar essa nota por cima da imagem de uma maçã, para que o sistema de reconhecimento de objetos de um computador deduza estar perante um “iPod” e não uma ”maçã”. Ou, se a fotografia de um cão tiver uma nota cheia de cifrões desenhados à mão, passa a ser reconhecida como um porquinho-mealheiro.</p><p>A estes desencontros entre a leitura do sistema do computador e a imagem chamamos “ataques tipográficos”.</p><p>Clip é um sistema de visualização capaz de aprender conceitos abstratos a partir da sua representação. Uma espécie de rede neurológica multimodal que, ao cruzar a múltipla informação que recolhe, consegue, por exemplo, decifrar a imagem de um homem-aranha. Um neurónio reconhece a aranha, outro, o homem, e outro ainda, o traço de um desenho animado. Esta rede neurológica artificial está tão desenvolvida que pode reconhecer ainda uma estação do ano ou uma emoção, e não apenas objetos. Curiosamente, esta rede, cada vez mais exata, tornou-se tão eficaz na leitura de imagens, mesmos as desenhadas, que confunde com facilidade um conceito escrito e uma imagem fotográfica de algo real. Como consequência, conseguimos induzir qualquer sistema artificial em erro com um simples recado escrito à mão. </p><p>Tal como acontece com um espectador, que, ao ouvir as palavras criteriosamente escolhidas por um dramaturgo serem proferidas pela boca de um ator, se deixa transportar para um outro lugar e uma outra vida. A diferença é que o espectador sabe distinguir as duas verdades. O mesmo não se pode dizer de uma inteligência artificial, que muito ganharia em participar no workshop de Jacinto Lucas Pires, no próximo fim de semana. Poderia descobrir a tensão entre uma palavra dita e uma palavra escrita, e perceber o mecanismo e a relação de afeto e cumplicidade entre uma palavra e um corpo e saber como habitar o hiato entre aquilo que é misterioso (porque não é um iPod nem só uma maçã), e aquilo que sempre será “espantosamente claro”, sobretudo quando escrito por um dramaturgo como o que convidamos esta semana para lecionar no Teatro Viriato.</p><p>____<br><em>Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato</em></p>]]>
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      <pubDate>Wed, 10 Mar 2021 16:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:summary>Na crónica assinada por Patrícia Portela dá-se voz ao poder da palavra. Da importância que ela ganha no nosso dia e nas nossas tarefas. Uma palavra escrita conseguirá enganar a inteligência artificial? A entrevista de hoje, na Boca do Mundo, também versa sobre a palavra. Jacinto Lucas Pires levanta o véu da oficina de escrita que irá orientar no próximo sábado, 13 de março, no Teatro Viriato, através da plataforma Zoom. O mais que há para descobrir no Teatro Viriato é desvendado no 'À Boca da bilheteira', com Liliana Rodrigues.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Na crónica assinada por Patrícia Portela dá-se voz ao poder da palavra. Da importância que ela ganha no nosso dia e nas nossas tarefas. Uma palavra escrita conseguirá enganar a inteligência artificial? A entrevista de hoje, na Boca do Mundo, também versa </itunes:subtitle>
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      <title>Do medo e do feminismo | T3 Ep6</title>
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        <![CDATA[Partindo da apresentação de 'Medo e Feminismos', do Teatro do Silêncio, Patrícia Portela dedica esta crónica à importância dos mais jovens acederm a temas estruturantes. Temas que os incentivem a refletir sobre a condição humana.]]>
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        <![CDATA[Partindo da apresentação de 'Medo e Feminismos', do Teatro do Silêncio, Patrícia Portela dedica esta crónica à importância dos mais jovens acederm a temas estruturantes. Temas que os incentivem a refletir sobre a condição humana.]]>
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      <pubDate>Wed, 03 Mar 2021 16:30:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <title>Boca a Boca | Magazine do Teatro Viriato</title>
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        <![CDATA[Na Rádio Jornal do Centro, a cultura tem a voz de um Teatro que vai à montanha. A cada semana, um espaço de partilha com a crónica de Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato, e entrevistas em que a cultura é o ponto de partida.]]>
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      <pubDate>Mon, 01 Mar 2021 09:00:00 +0000</pubDate>
      <author>Teatro Viriato</author>
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      <itunes:subtitle>Na Rádio Jornal do Centro, a cultura tem a voz de um Teatro que vai à montanha. A cada semana, um espaço de partilha com a crónica de Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato, e entrevistas em que a cultura é o ponto de partida.</itunes:subtitle>
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